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Neste sábado (31), a partir das 16h45 (de Brasília), o San Siro abre as portas para o clássico entre Milan e Inter de Milão pela 10ª rodada do Campeonato Italiano , com transmissão ao vivo no Plano Premium do Disney+ . Cenário icônico do Derby della Madonnina , o estádio que já sediou Copa do Mundo , finais de Champions League e outras páginas históricas do futebol está com os dias contados.
Com investimento recorde que supera acordos como da Crypto.com Arena, do Los Angeles Lakers , da NBA , o local é alvo de um moderno plano de reconstrução, com direito a novo nome e estrutura. O projeto foi apresentado nessa quinta-feira (28), mas ainda divide opiniões. Diante da promessa de uma nova era nos próximos anos, o ESPN.com.br foi a Milão para entender por que a iniciativa ainda não é unanimidade no âmbito local.
Fundado em 19 de setembro de 1926, o San Siro é compartilhado por Milan e Inter há quase 80 anos. Foi em 1947 que, diante do tamanho insuficiente para abrigar sua torcida na antiga casa, a equipe nerazzuri passou a dividir o espaço com o arquirrival. Desde sua inauguração, a estrutura já recebeu nove partidas de Copa do Mundo, em 1934 e 1990, além de quatro finais de Champions League, a última delas na vitória do Real Madrid sobre o Atlético de Madrid nos pênaltis, na temporada 2015/16.
Com possibilidade para abrigar 75.817 torcedores, a praça que se tornou patrimônio do futebol mundial será derrubada para dar lugar a uma nova estrutura, com outro nome e capacidade. A viabilização só foi possível a partir da aquisição do terreno do complexo esportivo e arredores por ambas as equipes, ainda em 2025.
De acordo com o projeto apresentado nessa quinta-feira (28) durante evento no Castello Sforzesco, em Milão, o novo estádio será erguido na área do estacionamento anexo ao espaço onde está situado o San Siro, e será integrado junto a um amplo plano de regeneração urbana de 281 mil m², com áreas verdes, lazer e comércio nos arredores.
Sob arquitetura inspirada na engenharia italiana e no estilo gótico da Duomo, célebre arquidiocese da cidade italiana, o Generali Stadium levará o nome da gigante de seguros local que, por sua vez, contribuirá com 25 milhões de euros anuais pelos naming rights.
Com capacidade para 71.500 lugares, o estádio terá formato oval, que permitirá maior proximidade entre torcida e campo. Além disso, as arquibancadas terão inclinação acentuada de 37º, inspiradas na famosa 'muralha amarela' do Signal Iduna Park, do Borussia Dortmund . A ideia é valorizar tanto a Curva Sud, como tradicionalmente ficou conhecido o setor dos ultras do Milan, como a Curva Nord, ligada aos interistas.
A partir de um investimento de 725 milhões de dólares ao longo de 20 anos, o acordo para os naming rights do Generali Stadium é o maior da história do esporte, superando os 700 milhões de dólares firmados com a Crypto.com Arena, casa dos Lakers, na NBA.
Apesar do amplo projeto, a iniciativa ainda divide opiniões pelas ruas de Milão. Repórter da Gazzetta dello Sport , Luca Bianchin explica como a ideia foi recebida pela imprensa e torcidas locais.
"É um tema romântico. Minha opinião é que é quase como escolher entre o pai e a mãe, como dizemos na Itália. Ou seja, é impossível. Há claramente duas linhas de pensamento bem definidas. É certo que se construa um estádio moderno. Por outro lado, o San Siro é provavelmente o lugar ao qual estou mais ligado. Portanto, a ideia de não poder mais ir lá é triste, mas também porque é um estádio maravilhoso, além de ter feito parte do meu crescimento como apaixonado por futebol e, depois, como jornalista. É um estádio lindo. Se não for o mais bonito, está entre os três primeiros que já vi, pelo barulho que faz, pela forma como se vê a partida de lá, pela maneira como o público se envolve e se sente parte de algo", diz o setorista do Milan, que ainda ponderou sobre o projeto.
"O ideal seria construir um estádio que tivesse as mesmas características e talvez alguma semelhança. Gostaria que lembrassem o San Siro em uma parte da estrutura arquitetônica. Por exemplo, as vigas vermelhas são muito icônicas e como referência em um estádio novo seria fascinante para mim, mas é apenas uma ideia e acredito que isso não vá acontecer", completou.
Para Filippo, torcedor que reside em Milão, não há dúvidas sobre as vantagens da iniciativa para a cidade. "Atualmente, o estádio não atende a todos os padrões para sediar eventos internacionais, finais da Liga dos Campeões, Copas do Mundo, Copas da Europa e assim por diante. Precisamos de um novo San Siro para ter mais visibilidade e maior potencial para esses eventos, mesmo que sintamos saudades do antigo. É uma medida que precisa ser tomada se você quiser gerar mais receita. O San Siro ainda é um dos locais mais importantes do mundo para o futebol, mas também para o esporte em geral, e é uma pena que não seja possível realizar muitos eventos. No fim das contas, é uma boa decisão, mas ainda assim vamos aproveitar o antigo San Siro por mais três ou quatro anos nas próximas temporadas", ressaltou.
Com obras previstas já para 2027, a expectativa é que o Generali Stadium seja inaugurado para a temporada 2031/32, ficando à disposição para a Euro 2032 , a ser sediada na Itália e na Turquia. Ainda conforme o projeto, após a migração de Inter e Milan para a nova casa, a ala sudeste da tradicional estrutura do San Siro deve ser preservada e reutilizada para museus, lojas, serviços e espaços públicos até 2035, período previsto no contrato.