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Só para assinantes Assine UOL Opinião Não podemos normalizar; É a torcida que empurra ou encurrala? Yara Fantoni Colunista do UOL 06/04/2026 20h06 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Torcedores do Corinthians cobram jogadores na saída do CT Imagem: Reprodução: Twitter Identidade Corinthiana A cena já virou rotina e talvez seja exatamente esse o problema. Na porta do CT do Corinthians, torcedores se acumulam, gritam, cobram, pressionam. Para muitos, é só mais um capítulo da relação intensa entre clube e arquibancada. Mas, olhando com um pouco mais de calma, fica a pergunta incômoda: quando foi que isso virou normal? A torcida do Corinthians sempre foi símbolo de apoio incondicional. É uma das maiores forças do futebol brasileiro. Mas há uma linha tênue, quase invisível, entre apoiar e pressionar, entre cobrar e intimidar. Juca Kfouri Fernando Diniz, um corintiano assume o Timão Casagrande Diniz é uma escolha com prazo de validade Josias de Souza Patrimônio de Moraes não orna com seus vencimentos Alicia Klein 'Palmeiras do 1 a 0' é o que mais preocupa E essa linha tem sido cruzada com frequência preocupante. A porta do CT não é arquibancada. Não é espaço de jogo, nem de espetáculo. É ambiente de trabalho. Jogadores podem e devem ser cobrados pelo que fazem dentro de campo, mas transformar a rotina deles em um corredor de tensão, onde sair de carro vira um ato de enfrentamento, não pode ser tratado como algo natural. Porque o perigo da repetição é justamente esse: a gente se acostuma. Se acostuma com o grito mais alto, com a cobrança mais dura, com o clima mais hostil. Se acostuma a ver isso como "parte do futebol", como se a paixão justificasse qualquer forma de manifestação. Mas não justifica. Não deveria justificar. O futebol brasileiro sempre foi movido por emoção, e o Corinthians talvez seja um dos maiores exemplos disso. Mas emoção sem limite vira excesso. E excesso, quando vira rotina, deixa de ser exceção e vira cultura. E é aí que mora o risco. Continua após a publicidade Normalizar esse tipo de pressão fora de contexto é aceitar que o futebol ultrapasse barreiras que não deveriam ser ultrapassadas. É permitir que o jogo saia do campo e invada espaços onde o respeito deveria ser regra básica. Cobrar faz parte. Protestar também. Mas há formas e lugares. Porque, no fim, se tudo virar aceitável em nome da paixão, a gente perde justamente aquilo que faz o futebol ser tão grande: a capacidade de unir sem precisar intimidar. E talvez esteja na hora de lembrar que apoiar um clube, qualquer clube, não pode significar tornar o ambiente ao redor dele insustentável. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Yara Fantoni por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Irã percebeu que Hormuz significa sobrevivência do regime, diz analista Corinthians anuncia a contratação do técnico Fernando Diniz Penta em 2002, Luizão questiona motivação de Neymar: 'Não quer ir à Copa' Prêmio da Lotomania acumula e vai a R$ 14 milhões; confira dezenas BYD e cantor Amado Batista são incluídos na 'lista suja' da escravidão