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Futebol Tradição em formação: de onde vem o prestígio dos treinadores da Argentina Guilherme Padin e Joanna de Assis Do UOL, em São Paulo 07/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Diego Simeone, do Atlético de Madri, em jogo contra o Tottenham pela Liga dos Campeões Imagem: David Cliff/Anadolu via Getty Images A rivalidade entre Brasil e Argentina não existe só em campo. Com a licença de treinador a rixa também é grande e, se as escolas tivessem títulos, a Argentina seria a pentacampeã. O UOL Prime publicou hoje (7) reportagem que aponta Alejandro Mancuso, ex-jogador argentino de Flamengo e Palmeiras, como responsável no caso do golpe de vendas de licenças falsas para treinadores . Grandes nomes A partir dos anos 2000, os argentinos invadiram o futebol europeu com nomes como Marcelo Bielsa, Tata Martino, Jorge Sampaoli, Mauricio Pochettino e Diego Simeone. Esse último, um dos mais valorizados do planeta há mais de uma década. Sakamoto Fim da 6x1 revela projetos de Brasil de Lula e Flávio Josias de Souza Caiado formaliza apoio ao que 'rouba com mão direita' Daniela Lima Na mesma mesa de Flávio senta Pablo Marçal João Paulo Charleaux Temer indicou Moraes e agora está rifando ministro A diferença da presença na Europa entre argentinos e os brasileiros, por exemplo, se mostra na história das principais ligas do Velho Continente, segundo dados da plataforma Transfermarkt. A plataforma lista 58 técnicos argentinos que passaram pelo Campeonato Espanhol, 14 pelo Italiano, 14 pelo Francês, quatro pelo Inglês, cinco pelo Português e dois pelo Alemão. Classificação e jogos Brasileirão Com exceção a Portugal, os brasileiros têm números expressivamente inferiores: foram nove no Espanhol, seis no Italiano, quatro no Francês, um no Inglês, nenhum no Alemão e 26 no Português. De maior destaque, as passagens de Vanderlei Luxemburgo pelo Real Madrid e Felipão pelo Chelsea — ambas sem títulos. Outra frente em que os argentinos se fazem mais presentes é o trabalho em seleções: na última Copa, a nacionalidade mais comum entre os comandantes foi a argentina, com seis. Quatro deles chegaram ao mata-mata - Lionel Scaloni, então campeão, foi novamente à final com a Albiceleste. De onde vem esse prestígio? Marcelo Bielsa durante partida do Leeds contra o Tottenham pelo Campeonato Inglês, em 2022 Imagem: Jon Super/AFP "A cultura tática argentina é mais avançada e o curso, reconhecido internacionalmente há tempos. Os profissionais de lá projetam o mercado internacional, aceitam começar em times menores na Europa, por exemplo, além de terem a facilidade proporcionada pelo idioma. No Brasil, a preocupação de muitos é com a reserva de mercado", afirma Mauro Cezar Pereira, colunista do UOL. Continua após a publicidade Como comparação, a ATFA (Associação de Treinadores de Futebol da Argentina) foi fundada em 1963, enquanto a CBF Academy é de 2015. "Como normas que diferenciam de outras escolas, a ATFA não permite pular etapas. O fato de ser ex-atleta ou treinador com alguma experiência não permite pular etapas. Todos começam pelo primeiro nível para poder ir às licenças mais avançadas. Ao longo do curso, realiza todas as matérias precisando aprovar todos os exercícios e provas semanalmente. O curso é exigente, não há exceções para ninguém", explica Leonardo Samaja, treinador argentino e instrutor da entidade. Samaja cita uma série de nomes formados no campus virtual da ATFA, como Martin Demichelis (Red Bull Leipzig), Javier Mascherano (ex-Inter Miami), Sebastian Beccacece (ex-Equador), Diego Forlán (Uruguai), Pablo Aimar e Roberto Ayala (auxiliares da seleção argentina), entre outros. Das escolas presenciais da associação, para residentes na Argentina, saíram nomes como Marcelo Gallardo, Simeone e Bielsa. Paulo Vinícius Coelho, colunista do UOL , lembra que o Brasil também já teve força no cenário internacional. Nos anos 60 e 80, "o Brasil era um país que exportava técnicos para ensinar futebol". Otto Bumbel foi ao Atlético de Madri, e Otto Glória e Flávio Costa trabalharam em Portugal. O auge veio na Copa de 2006, com cinco brasileiros no comando de seleções. A onda de mudanças começou nos anos 80, quando César Luís Menotti abriu as portas da Europa para os argentinos ao ir para o Barcelona. Para os brasileiros, o marco do período foi o fracasso de Sebastião Lazaroni na Fiorentina, em 1990. Para PVC, a barreira do idioma não explica a diferença. Os bons salários, sim: segundo ele, profissionais ficavam no Brasil ou iam para Portugal, Japão e Oriente Médio, mas "não para a Europa de alto nível". Continua após a publicidade As regras da ATFA Para ser treinador, não basta ter a licença. É preciso validá-las, primeiro na federação do país, depois na Conmebol. A partir daí, há uma série de requisitos. Para atuar, por exemplo, internacionalmente, o técnico precisa do certificado PRO. Mas a maioria dos mercados exige, também, pelo menos três anos de atuação em times profissionais. Segundo informações do campus virtual ATFA, onde o golpe das licenças falsas de Mancuso dizia atuar, os técnicos são formado a partir de aulas online para quem é de fora da Argentina. Todos, porém, devem fazer o exame final presencial. Caso isso não seja possível, existe uma opção. "Se o aluno não pode se deslocar até Buenos Aires, orientamos trabalhos controlados com filmagens, explicando as atividades que vão desenvolver, seguindo a nossa pauta e nosso protocolo. Durante a pandemia, foi feito dessa maneira". Samaja afirma que os cursos da associação seguem as mesmas diretrizes do Ministério de Educação argentino, usados para carreiras de qualquer outra profissão, como medicina, advocacia, entre outras. "A formação do treinador não é subestimada. Não adianta formar treinadores com cursos de resenha e palestras. O treinador deve ser exigido em sua formação para poder responder e ter credibilidade na profissão", afirma. Carga horária e custos Os cursos, além de longos, são caros para quem está interessado em se inscrever. Continua após a publicidade Argentina Licença C (duração de 7 meses) - R$ 8.150 Licença B (duração de 7 meses) - R$ 8.150 Licença A (duração de 12 meses) - R$ 11.650 Licença Pro (duração de 6 meses) - R$ 13.500 Brasil Licença C (210 horas) - R$ 6.174,00 Licença B (260 horas) - R$ 9.481,50* Licença A (330 horas) - R$ 14.520,00* Licença Pro (450 horas) - R$ 26.499,00 Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Mancuso e o golpe das licenças de treinador Flávio Bolsonaro avança em apoios do Centrão e fala em mudar a Constituição Por que a F1 vai fazer uma sprint em um GP onde ninguém passa ninguém? 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