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Jornalista Rodrigo França analisa a primeira semana de testes da F1 no Bahrein A primeira semana de pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein chegou ao fim nesta sexta-feira com a Mercedes dominando o dia, tanto de manhã, com George Russell, quando na parte vespertina, com Kimi Antonelli. É claro que os tempos da melhor volta ainda não podem ser usados como referência, mas indicam que, assim como em Barcelona, o time alemão vai confirmando o seu favoritismo neste começo de novo regulamento em 2026. A grande diferença desta semana é que outras três equipes se aproximaram e também aparecem na lista dos times que estão chamando a atenção pelo ótimo gerenciamento de energia em simulações de corrida: Red Bull, Ferrari e McLaren. + Vivendo "sonho de milhões", Bortoleto vê 2026 como ano de "paciência" + Antonelli lidera dia 3 de testes da F1 2026 no Bahrein; Bortoleto é 15º + Ferrari de Hamilton para na pista com pane seca e deixa teste antes do fim; veja 1 de 4 Mercedes se destaca na pré-temporada da Fórmula 1 — Foto: Mark Sutton - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Mercedes se destaca na pré-temporada da Fórmula 1 — Foto: Mark Sutton - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Foi interessante ouvir nas entrevistas coletivas aqui no Bahrein cada representante de uma equipe jogar o favoritismo na rival. Mas uma coisa é comum em todos os discursos: as quatro grandes da F1, que vêm monopolizando as vitórias nos últimos anos, conseguiram um ajuste mais rápido ao novo conceito neste ano. O carro é radicalmente diferente das temporadas anteriores, com novo chassi e nova unidade de potência (com 50% dela vindo de forma inédita do motor elétrico). Isso já era esperado, conforme Fernando Alonso explicou no Bahrein. + Stroll diz que pintura é a única coisa boa na Aston Martin de 2026 + Verstappen vê "grande passo atrás" e detona carros da F1 2026: "Anticorrida" A Aston Martin era um dos times dos quais se esperava uma “surpresa” para a temporada deste ano, com a chegada de Adrian Newey, chefe de equipe, e a promessa de um carro revolucionário. Perguntei a Alonso se o fã de F1 ainda pode aguardar algo bom para 2026. – É natural que as quatro equipes grandes tenham melhor eficiência para sair na frente na mudança de regulamento, por terem já os melhores recursos. Ainda estamos para trás, mas a segunda metade da temporada será bem diferente. A própria McLaren fez esta evolução incrível recentemente – respondeu o espanhol. 2 de 4 Lawrence Stroll, dono da equipe, e Fernando Alonso, piloto, observam carro da Aston Martin em testes da F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images Lawrence Stroll, dono da equipe, e Fernando Alonso, piloto, observam carro da Aston Martin em testes da F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images No pelotão intermediário, quem chamou atenção pela consistência foi a Haas. Não só pelos tempos de volta, mas pela confiabilidade do carro, conseguindo sempre completar o cronograma proposto para o dia. Mesmo assim, Esteban Ocon acredita que as quatro grandes estão hoje bem à frente: – No ano passado, o pelotão inteiro estava dentro do mesmo segundo. Agora, veremos um espaço de tempo maior entre as grandes e os times intermediários – disse o francês. De fato, a leitura de quem seria “a melhor do resto” é a mais difícil do momento. Apesar de demonstrar força, a Haas sabe que, com o bom desenvolvimento do motor Mercedes, Williams e Alpine podem rivalizar por essa posição. A Williams teve o enorme prejuízo de não participar dos testes de shakedown, mas sua curva de desenvolvimento deve acelerar bastante na próxima semana de pré-temporada no Bahrein. 3 de 4 Gabriel Bortoleto, da Audi, nos testes de pré-temporada da F1 no Bahrein — Foto: Kym Illman/Getty Images Gabriel Bortoleto, da Audi, nos testes de pré-temporada da F1 no Bahrein — Foto: Kym Illman/Getty Images Entre as novatas, a Audi demonstrou a maior evolução da semana. O carro trouxe upgrades visíveis, com a nova entrada de ar, nova asa traseira e um motor que permitiu maior quilometragem para Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto. O brasileiro disse que “paciência” é a palavra-chave durante entrevista exclusiva ao ge.globo no Bahrein, mas a rapidez com que o time alemão está conseguindo progredir em relação a melhorias no carro foi comentada como impressionante inclusive por rivais da Audi – que já pode ter superado Cadillac e Aston Martin, a julgar pelas análises dos primeiros testes. Como a pré-temporada é curta, teremos apenas mais três dias para avaliar o cenário do que esperar para o GP da Austrália de F1 daqui a menos de um mês. Mudanças no carro não são descartadas: não apenas por causa do descontentamento dos pilotos, em especial nas palavras de Max Verstappen e Lewis Hamilton. + Análise: críticas de Hamilton e Verstappen mostram que novo F1 pode ter perdido essência + Veja mais notícias relacionadas à Fórmula 1 4 de 4 Max Verstappen no paddock durante os testes de pré-temporada da F1 — Foto: Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto via Getty Images Max Verstappen no paddock durante os testes de pré-temporada da F1 — Foto: Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto via Getty Images Mas também pela segurança, como explicou Andrea Stella, chefe da McLaren, aos jornalistas presentes no Bahrein: o complicado sistema de largada, o modo ultrapassagem e as “aliviadas de pé” em plena reta são pontos que a FIA deve rever antes do GP em Melbourne, onde o "caos" pode acontecer segundo os próprios pilotos por conta das novidades ainda mal desenvolvidas. Segundo Stella, é algo fácil de resolver e tornaria também o esporte mais “simples” - o que seria uma ótima notícia em um ano em que a palavra “gerenciamento” de energia tem sido mais usada do que “velocidade”.