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Ex-joia da base que cobra quase R$ 5 milhões do São Paulo , Thierry Henry, de 19 anos, disse à Justiça do Trabalho que ouviu de profissionais do clube que sua pubalgia seria apenas "coisa da sua cabeça", além de acusar o clube de, por sucessivas falhas médicas, ter lhe feito "perder uma chance" de ser profissional com a camisa tricolor.
A ESPN teve acesso ao processo.
Nele, Henry diz que, em outubro de 2025, após jogo contra o Vitória , pela Copa Atlântico, onde fez um gol, sentiu a região púbica. Porém, ao avisar a um fisioterapeuta do clube, ouviu que "deveria fazer esteira, porque aquilo 'era coisa da cabeça dele'".
Sem assistência, o atleta precisou buscar tratamento fora do São Paulo. Por 3 meses, o departamento médico tricolor não solicitou nenhum exame de imagem. O jogador fez uma radiografia por conta, onde foi constatada "irregularidade dos contornos e esclerose das superfícies da sínfise púbica".
Apesar disso, ouviu do time tricolor que continuava "liberado para treinar". Segundo ele, o São Paulo lhe aplicava medicações injetáveis enquanto permanecia em atividade. Solicitou ao clube na Justiça os prontuários que comprovam essas atitudes.
"Diante desse diagnóstico, o clube não afastou o atleta. Seu próprio relatório registra a osteíte púbica apenas como 'queixas álgicas em região púbica', prescreve um 'programa de trabalhos preventivos' - prevenção para uma doença já instalada ' e conclui que o atleta está 'liberado para treinos'", apontou a defesa de Henry.
O pai do jogador, então, aponta que gravou um telefonema com um dirigente, onde relatou, de forma direta, a recorrência das lesões, a falha na condução médica e o risco à integridade física do atleta.
Na gravação, ele aponta o que ouviu dos médicos do São Paulo. "Em outubro recente ele (Henry) desenvolveu um quadro de pubalgia [...] disseram a ele que era da mente dele a pubalgia, sabe? 'Vai para o campo que vai passar'. Então, sequer uma solicitação de ressonância magnética foi feita. Não houve aprofundamento em diagnóstico, né?", disse o pai do jogador, na conversa gravada.
Ele tenta usar a gravação como prova no processo.
O jogador tambem declarou que, no ano passado, recebeu a liberação para jogar mesmo após 8 dias de ter feito um teste que acusou déficit de 34% no quadríceps direito.
"As fotografias (anexadas no processo) provam exatamente o período em que o próprio isocinético do jogador, de 22/04/2025, registrava déficit de 34% no quadríceps direito, e em que sobreveio a lesão do tornozelo esquerdo, registrada pelo clube em 13/05/2025. Na transição para o profissional, com déficit de força medido e não corrigido, o atleta foi exposto à intensidade de treino do elenco principal", reclamou.
O atleta apresentou sua multa rescisória de 60 milhões de euros (cerca de R$ 360 milhões) para mostrar que era um jogador tido como promissor para o futuro. Por isso, relatou ao tribunal sobre uma perda de uma chance.
"Não compensam o que ele estava em vias de conquistar. A perda de uma chance indeniza a supressão de oportunidade séria e real de obter vantagem futura, quantificada pela probabilidade de sua realização — dano autônomo, que não se confunde com os lucros cessantes e com eles se cumula", disse a defesa de Henry.
Só nesse ponto, o jogador pede R$ 2.290.555,56 de indenização. O pedido total de Henry no processo é de R$ 4.247.291,80, entre danos morais, indenizações, férias, cláusulas, custeio de tratamentos passados e futuros e outros, mais 15% de honorários em cima do valor da sentença. Caso todos os pedido sejam atendidos, o processo beiraria os R$ 5 milhões.
O São Paulo ainda não foi citado no processo, portanto, não tem conhecimento. O clube vai se manifestar quando for comunicado do processo e tiver acesso aos autos.
Segundo fontes de Cotia ouvidas pela coluna, nos bastidores Henry era visto como alguém que não se esforçava e que, após a renovação, faltava empenho e entrega. A partir dessa análise, o clube foi desistindo de contar com o jogador.
A reportagem também apurou que foi o jogador quem pediu o desligamento do clube em março.
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