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Futebol A fórmula do Flu para peitar dupla e fincar o pé como '3ª via' no Brasil Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 21/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Hulk, do Fluminense, reclama durante partida contra o Palmeiras, pela Libertadores Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF Não se trata do time mais rico. Nem o de maior torcida. Tampouco é uma SAF com aporte de um dono bilionário. Por isso, de certo modo, quando o Fluminense encara o Palmeiras em uma semifinal de Libertadores, a tentativa é ser o mais eficiente possível. E não se trata apenas de colocar a bola no gol nas chances que eventualmente aparecerem no jogo de volta. É um grau mais amplo de eficiência, que consolide o tricolor como a atual terceira via em meio à polarização Flamengo x Palmeiras. No top-4 do torneio continental e também candidato a aparecer no G4 do Brasileirão — embora no fim de semana tenha caído para a quinta posição —, o Flu vê como ouro as chances de beliscar uma final ou posições no pódio das competições. Josias de Souza Guerra dos sigilos empurra o eleitor para o ceticismo João Paulo Charleaux Big techs têm papel desproporcional na eleição Juca Kfouri O Fluminense diante de desafio incomensurável Milly Lacombe Respeito não voltou ainda, Vasco. Mas pode voltar O campeão da Libertadores 2023 pode sonhar com algo mais. E o título não tão distante reforça isso. Só que com Flamengo e Palmeiras se desgarrando técnica e financeiramente, o espaço para um "outsider" fica mais escasso. Qual a fórmula? Mas qual a fórmula que faz o torcedor tricolor frequentar espaços nobres no futebol atual? O time, em geral, tem se mostrado competitivo com uma fórmula que mescla juventude típica das categorias de base em Xerém com a experiência. E em um nível até extremo, que foge aos padrões, vide o goleiro Fábio, de 46 anos, o zagueiro Thiago Silva, de 42 anos, e o atacante Hulk, de 40. Todos regidos pelo maestro Ganso, de 37. Fábio, goleiro do Fluminense Imagem: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C. O volante Matinelli, que chegou à seleção, dá o toque mais vistoso de juventude à geração atual. Continua após a publicidade É o jeito que o Fluminense deu, a partir de 2022, para ter um time mais cascudo. No ano seguinte, com o DNA de Fernando Diniz, faturou a Libertadores pela primeira vez, com a final épica no Maracanã. E pensar que o mesmo tricolor já viveu seus tempos de hegemonia quando emplacou as conquistas do Brasileirão em 2010 e 2012. Eram outros tempos, da parceria com a Unimed. Quando esse casamento entrou em colapso, ao fim de 2014, houve um período de incerteza. O Flu patinou nas contas, mas com o passar dos anos as coisas foram se acomodando. Mesmo no período mais recente, a partir da presidência de Mário Bittencourt, a caminhada não foi sempre estável. Em 2024, o time passou perrengue para fugir do rebaixamento. A chegada de Mano Menezes como técnico, substituindo Diniz, gerou a arrancada do alívio. Em 2025, quando o time conseguiu uma campanha no Mundial de Clubes que surpreendeu muita gente, bateu na semifinal, eliminando Inter de Milão e Al Hilal no caminho. Foi o melhor desempenho entre os sul-americanos, sob o comando de Renato Gaúcho, que mesmo assim não teve um trabalho longevo. Na campanha atual da Libertadores, se classificou com a pior campanha entre os segundos colocados, flertou com a eliminação e só viu o time melhorar quando Luís Zubeldía foi demitido. Veio Marcão — outro exemplo da eficiência made in Flu , que vira e mexe recorre ao auxiliar fixo, em vez de buscar um técnico no mercado. Como participou do Mundial ano passado, o Fluminense foi o clube com a quarta maior receita do país, segundo o levantamento do relatório Convocados, feito pelo economista Cesar Grafietti. Continua após a publicidade Só ficou atrás de Flamengo, Palmeiras e Botafogo, outros três que estiveram no torneio da Fifa. Como ressalva, o caso alvinegro ainda conta com as estripulias financeiras de John Textor com o Lyon. Com a quarta maior receita, o Flu ficou em quinto no Brasileirão 2025, o que dá o tom de um desempenho compatível com a capacidade de investimento. O sucesso dos cariocas, que abre espaço para o Flu se candidatar à terceira via, se aproveita da crise econômica e institucional dos gigantes paulistas — leia-se São Paulo e Corinthians. Em condições normais, a dupla de São Paulo tem potencial maior de receita, mas atingiu um grau de endividamento que inviabiliza um fortalecimento estruturado, que vá além de uma Copa do Brasil aqui ou acolá. Os pontos de atenção A briga do Fluminense pela criação do Futebol Forte União (FFU) fez parte da estratégia de tentar reduzir a distância em relação a quem fatura mais com direitos de transmissão. Por isso, o clube não aderiu às condições da Libra, onde estava Fla, Palmeiras e São Paulo, por exemplo. Continua após a publicidade O crescimento de receita fez com que o Fluminense aumentasse o investimento no elenco. Em 2025, o custo com pessoal do Fluminense ficou em R$ 533 milhões, o quarto maior da Série A. Ou seja, não é que o Flu recorra apenas ao bom e barato. Além de Flamengo e Palmeiras, o Corinthians gastou mais que o tricolor carioca. Neste ano, o Flu fez a contratação mais cara de sua história: pagou US$ 10 milhões (R$ 50 milhões, na contação atual) pelo centroavante Rodrigo Castillo, que é reserva. Esse tipo de movimento gera questionamentos da torcida. No sentido inverso, o volante André foi a venda mais cara: 22 milhões de euros (R$ 135 milhões), para o Wolverhampton. Outro ponto de atenção no clube é o endividamento. Houve um aumento paulatino nos últimos anos, segundo o relatório Convocados, passando de R$ 736 milhões em 2023 para R$ 962 milhões em 2025. O discurso na diretoria — mesmo na passagem de bastão da presidência de Mário Bittencourt para Mattheus Montenegro — é que a manutenção de competitividade a longo prazo só virá com a transformação em SAF. É a saída vendida para montar times fortes e reduzir a dívida, sem comprometer o desempeno esportivo. Houve uma primeira proposta, feita pela Lazuli Partners em setembro do ano passado, mas o Flu, até o momento, tenta melhorar o valor. Continua após a publicidade Enquanto não vira SAF, é com o modelo associativo que o Flu tenta buscar seu lugar. Quem sabe em mais uma final de Libertadores. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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