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Só para assinantes Assine UOL Reportagem O Corinthians é tetra no Recreio dos Bandeirantes Juca Kfouri Colunista do UOL 21/12/2025 20h02 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Houve um tempo em que o Maracanã era chamado pelos paulistas de Recreio dos Bandeirantes. Havia motivos. No Maracanã, o Palmeiras tinha sido campeão da Taça Rio, em 1951, mais importante título do alviverde. Sakamoto Dino impede 'zumbis' e estraga Natal no Congresso Yara Fantoni Corinthians renasce no caos e é tetra Josias de Souza Dino exibe pré-estreia do show de 2026 Thais Bilenky RJ: avanço do crime deixa pergunta sem resposta A seleção paulista celebrou, em 1952 e 1954, o bicampeonato brasileiro vencendo a carioca, também chamada de seleção do Distrito Federal. Depois, em 1963, o Santos sagrou-se bicampeão mundial em jogos épicos contra o Milan, com o Maraca lotado. Não bastasse, também lá o Corinthians comemorou o primeiro Mundial de Clubes FIFA, ao vencer o Vasco nos pênaltis. Era hora de mudar a tradição de ver paulista festejar no estádio cartão de visitas de nosso futebol? Para os anfitriões cruzmaltinos, é claro que sim. Para os visitantes corintianos, é claro que não. Continua após a publicidade Antes do começo da decisão, a notícia ruim para os tricampeões da Copa do Brasil: Rodrigo Garro não estava entre os titulares. Vitinho, que há tempos pede vaga, também estava no banco, porque Dorival Júnior é assim, conservador até o fim e, sem mais Tite para ameaçá-lo, apostou que ganharia seu tetra na Copa pessoal sem arriscar. A boa notícia para os que buscavam o bi: time completo, sem o ex-corintiano Piton, que segue machucado. O cenário no Maracanã era simplesmente espetacular, escudos vascaínos à mostra para defender a proa e a popa da Nau do Almirante. Mosaicos cruzmaltinos coloriam a pulsante tarde de futebol no encerramento da temporada brasileira. Que ganhe o melhor! (Desde que seja o time da gente). Continua após a publicidade Os primeiros dez minutos foram tão pobres como aconteceu em Itaquera. Boniteza só nas arquibancadas. Aos 14, na rede pelo lado de fora, a primeira finalização, por Yuri Alberto. Aos 16, a segunda. Cabeçada sem direção de Rayan. Aos 18, gol! Lançamento precioso de Matheuzinho para Yuri Alberto que amorteceu com categoria e tocou sem chances para Léo Jardim: 1 a 0! Continua após a publicidade O clássico ainda não havia chegado aos 20 minutos. A cara do jogo mudou. A prudência virou concorrência. O tempo fechou aos 24, entre Thiago Mendes e Bruno Bidon. E, aos 25, Yuri Alberti jogou por cima o 2 a 0 de maneira inacreditável, numa bobeada incompreensível da zaga vascaína. O Corinthians era melhor e o Vasco sentia a desvantagem. Aos 30, Hugo Souza fez sua primeira defesa, em cabeçada de Thiago Mendes. Continua após a publicidade Logo o Vasco se reequilibrou e entrou na onda da massa retomando a posse de bola. Rayan desceu feito raio pela direita e cruzou rasteiro para Coutinho que só não empatou porque Matheuzinho desviou na hora agá. Aos 38, Martínez, que jogava feito um leão, pediu substituição. Não foi atendido. Era só manha. Aos 40, gol! Andrés Gómez driblou pela esquerda e pôs a bola na cabeça de Nuno Moreira: 1 a 1. Jogada nascida de erro de Ranieli no meio de campo. Continua após a publicidade Loucura no Maraca. Num primeiro tempo mais guerreado que bem jogado, chamava atenção, embora nada surpreendente, a não participação de Memphis Depay na refrega. Do lado corintiano era hora de Garro jogar. Restava saber quanto tempo mais o treinador o manteria no banco. Do lado vascaíno nada a fazer além de manter o embalo da torcida e partir para virada. Havia dúvidas se Yuri voltaria, mas certeza de que ele fez lembrar o gol perdido por Róger Guedes contra o Flamengo na decisão da Copa do Brasil de 2022, embora, então, tenha sido na pequena área. Yuri voltou e o Vasco atrasou o começo do segundo tempo por mais de cinco minutos. Coisas varzeanas que insistem em acontecer no futebol brasileiro. Continua após a publicidade O Corinthians começou o segundo tempo com cara de quem queria decidir na marca da cal. E o Vasco com a inteção de fazer a virada, comemorar o bi e não pensar em mais nada até 2026. Aos 9, Robert Renan quase faz valer a lei do ex e Hugo impediu com defesa firme. Outra vez, como no jogo da ida, o Vasco encaixotava o Corinthians que só respirava em ligações diretas. A finalíssima passou a ser mais catimbada que jogada, com brigas ridículas entre os jogadores. Aos 17, gol! Continua após a publicidade Bruno Bidon deu um drible desconcertante em Kauan no meio de campo, esticou para Matheuzinho, dele para Yuri e de Yuri para Memphis,, enfim, aparecer, na pequena área e fazer o gol do 2 a 1! Vegetti em campo, aos 21, Barros fora. Carrillo no lugar de Raniele. Ouvia-se no Maracanã o coro lançado em 2000, na decisão do Mundial: "Ôôô, todo poderoso Timão". O Vasco pressionava, Matheuzinho, o nome do jogo, salvou o empate dos pés de Pumita e Fernando Diniz adotava a tática kamikaze, muita pressão e espaços para contra-ataques. Garro e André dentro, Bidon e Maycon fora. Continua após a publicidade Tchê Tchê e GB dentro, Nuno Moreira e Coutinho fora. Tudo aos 33. O Vasco empilhava e fosse o que Deus quisesse. O Corinthians derrotava o Vasco pela décima vez no Maracanã, onde perdeu nove vezes. E se classificava para a fase de grupos da Libertadores, quem diria? Tochca e Angileri nos lugares de Bidu e Yuri, sangrando na boca, aos 38. O Corinthians estava próximo a gritar é campeão pela segunda vez em 2025, algo que seus rivais não conseguiram. Quem diria, novamente? Havia drama e fadiga no gramado. Muita! Continua após a publicidade O Corinthians queria furar a bola e o Vasco pôs mais dois no ataque, David e Matheus França, e tirou Puma e Cuesta. Era improvável que desse certo, mas, se desse, Diniz teria uma estátua em São Januário. Sete minutos de acréscimos! Haja coração! Aos 47, falta para Rayan soltar uma bomba que Hugo espalmou, diante de mais de 67 mil torcedores. Vascôôô, Vascôôô, Vascôôô, a prece ecoava pelo céu do Rio de Janeiro. Em vão. Continua após a publicidade O Corinthians é tetracampeão!!!! Matheuzinho e Bidon foram gigantes. Yuri fez um gol e deu o passe para o outro. E Memphis nasceu virado para a lua. A Fiel merece a festa. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Pintura de Bidon faz Corinthians repetir desfecho do Mundial de 2000 Polícia mata suspeito de assassinar 3 técnicos de internet na Bahia Yuri e Memphis decidem, Corinthians bate Vasco e conquista a Copa do Brasil Mister Copa do Brasil: Dorival se iguala a Felipão como maior vencedor Flamengo abre conversas para contratar atacante argentino da Lazio