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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Bando de loucos, maloqueiro e sofredor será coração do Corinthians na final Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 16/12/2025 11h05 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Torcida do Corinthians na final do Paulistão, em março Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF O Corinthians volta a uma final da Copa do Brasil muito pela força da sua torcida. Ela foi imprescindível nessa caminhada complicada, por tudo o que vem acontecendo na administração do clube. A grande maioria das torcidas, quando seu time está mal no Campeonato Brasileiro e fazendo uma participação patética tanto na Pré-Libertadores quanto na Sul-Americana, iria vaiar o time em todos os jogos ou nem compareceria em grande número às partidas. Mas o corintiano é muito diferente nesse aspecto — e não é de hoje. A torcida corintiana só foi crescendo durante os 23 anos sem título, ano após ano, e também aumentava a paixão pelo clube. Sim, o estádio oficial do Corinthians naqueles anos era a Fazendinha, dentro do clube social do Sport Club Corinthians Paulista. Josias de Souza PF serve chá de sumiço a Cláudio Castro Alexandre Borges 'Cancelamento' do SBT por Zezé expõe a direita 'woke' Sakamoto Crime mais organizado no Rio não usa fuzil Juca Kfouri A vantagem do Corinthians sobre o Vasco Conheço todas as histórias fascinantes de 1954 até 1968, contadas por meu pai e meus tios, que eram todos muito corintianos. Daí em diante, eu presenciei — e de muitas participei — como torcedor no estádio, dessa idolatria. Quase fomos campeões do Robertão de 1969, perdendo o título na última rodada do quadrangular final, quando o Corinthians foi derrotado por 2 a 1 pelo Cruzeiro, no Mineirão. Mesmo com essa frustração, a torcida do Corinthians continuou aumentando e permanecendo apaixonada. Em 1972, perdemos a chance de chegar à final do Campeonato Brasileiro quando, mesmo jogando pelo empate, fomos derrotados no Maracanã pelo Botafogo, também por 2 a 1. Chegou o ano de 1974, e o Corinthians foi campeão do primeiro turno do Campeonato Paulista, vencendo o São Paulo por 1 a 0, o que já garantiu o time na final. Lembro bem que não passava pela cabeça de ninguém a possibilidade de não sermos campeões. Mas perdemos, num Morumbi lotado com 80% de corintianos, para um forte Palmeiras por 1 a 0. Foi a primeira vez, em todo aquele tempo sem título (em 1974 já faziam 17 anos de tabu), que a torcida se revoltou, que a imprensa pressionou e que o presidente Vicente Matheus começou a reformular todo o elenco, inclusive vendendo o maior ídolo da torcida e o maior craque de sua história: Roberto Rivellino, para o Fluminense. Continua após a publicidade Em 1975, com um elenco quase todo diferente e confuso, não houve esperança de nada. Mas a torcida corintiana entendeu o momento de transição do time e continuou crescendo e enchendo estádios, sem cobrar título naquele momento. Em 1976, veio a maior mostra de uma torcida gigante, apaixonada e fiel de um clube brasileiro, quando fez a famosa invasão no Rio de Janeiro e no Maracanã. Esse momento fez milhares de torcedores corintianos "normais" virarem fanáticos e totalmente apaixonados pelo Timão. Mas só no ano seguinte, em 1977, veio a explosão, e saiu para fora do nosso peito aquele grito de campeão esperado por 23 anos. Foram três jogos contra a forte Ponte Preta, com o Morumbi lotadíssimo, mostrando que havia chegado o momento da enorme Fiel Torcida extravasar todo o seu amor pelo Corinthians. Contei essas histórias para mostrar o tamanho da importância da torcida corintiana nessa conquista e para esta final da Copa do Brasil. Em 2025, o time foi empurrado com toda força pela torcida, porque ela sentiu que, para o ano não ser trágico, precisava da sua presença. E ela deu show em todos os jogos, mesmo nos ruins. Continua após a publicidade Engoliu todos os times nos jogos decisivos, como Palmeiras em casa e fora, vencendo a final do Paulista e avançando na Copa do Brasil. E, nessa semifinal, foi em minoria encarar um Mineirão lotado de cruzeirenses e calou o estádio durante a vitória por 1 a 0. No jogo de volta, com 46 mil corintianos na Neo Química Arena, mostrou que, para eliminar o Corinthians, teriam que passar por cima do seu "cadáver". Havia 46 mil corintianos no estádio contra o Cruzeiro, mas se fosse nos bons tempos de Morumbi, sem dúvida alguma entrariam 120 mil, como aconteceu centenas de vezes. Por exemplo, em 1984, nas quartas de final do Campeonato Brasileiro, eliminamos o Flamengo com uma vitória por 4 a 1, com 115 mil corintianos cantando, gritando e vibrando dentro do Morumbi. Agora, na próxima quarta-feira (17), o Corinthians recebe o Vasco para a primeira partida da final da Copa do Brasil, e essa torcida incrível sabe do tamanho da sua importância para fazer esse time encarar esse jogo como se deve. O Corinthians deste ano reage muito bem em campo com o apoio da Fiel Torcida. Ela mexe com o brio desse time, consegue tirar toda a garra que fica presa dentro desses jogadores. Quando a Neo Química Arena "entra em erupção", o Corinthians se transforma e consegue façanhas inimagináveis, mesmo com as limitações do time. Continua após a publicidade Enfim, este texto é uma homenagem a um Bando de Loucos, maloqueiro e sofredor que eu conheci desde criança. Fiz parte dela nas arquibancadas e senti essa força interna jogando por esse manto alvinegro. A Fiel Torcida corintiana é o termômetro emocional deste time do Corinthians. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Prisão de desembargador avisa que crime mais organizado do RJ não usa fuzil 'Cancelamento' do SBT News por Zezé Di Camargo expõe a direita 'woke' São Paulo e médico rescindem contrato após polêmica com canetas Ratinho defende SBT e chama críticas de 'fanatismo político' Rob Reiner e filho suspeito brigaram em festa antes de assassinatos