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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte A Squadra Azzurra perdeu sua identidade e isso pode ser irreversível Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 17/11/2025 10h25 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Esposito, da Itália, se lamenta durante jogo contra a Moldávia, pelas Eliminatórias Imagem: DANIEL MIHAILESCU/AFP Joguei na Itália de junho de 1987 até junho de 1993, no auge do futebol italiano. Haviam vencido o Mundial de 1982 na Espanha e, mesmo não indo tão bem no México em 1986, tinham uma geração fortíssima que estava surgindo naquela época. A "Nazionale Azzurra" tinha como matéria-prima Roberto Baggio, Gianluca Vialli, Roberto Mancini, Franco Baresi, Giuseppe Bergomi, Paolo Maldini, Carlo Ancelotti, Schillaci, Gianluca Pagliuca e muitos outros jogadores super talentosos. Nem se imaginava, naquela época, que a Itália em algum momento ficasse fora de duas Copas seguidas (2018/2022) e fosse disputar a repescagem, depois de tomar uma goleada histórica por 4 a 1 da Noruega em pleno Estádio San Siro de Milão. Essa partida, além de ter sido um massacre norueguês, mostrou como a seleção italiana joga mal: sem toque de bola, sem agressividade e, o pior, sem talento. E não falo só dentro de campo, mas também, por incrível que pareça, no banco, como treinador. Uma seleção que só dá chutão para frente e que demonstra uma deficiência técnica tão grande que ninguém mais teme a histórica "maglia azzurra". Uma equipe que é tetra campeã do mundo e ganhou seu último título em 2006, ainda com uma equipe muito forte e com seus últimos craques como Pirlo, Totti, Del Piero, Cannavaro, Buffon, e hoje está nessa tristeza de time. Josias de Souza Espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais vem aí Reinaldo Azevedo Debate sobre facções: vai triunfar a lei ou o crime? Casagrande Estêvão tem tudo para sair consagrado da Copa Milly Lacombe A justiça desportiva acha que somos estúpidos? Seu treinador é Gennaro Gattuso, um volante de marcação que, até certo ponto, é violento em algumas jogadas. Foi campeão do mundo em 2006, mas nunca foi um volante que se destacou pela técnica, habilidade ou criatividade; sempre teve uma certa liderança pela imposição física. E hoje está sendo muito criticado, não só pela imprensa italiana e mundial, como também por torcedores. Digo isso porque hoje recebi diversas mensagens de amigos italianos revoltados com a goleada que tomaram da Noruega, que estão chamando essa seleção de pior de todos os tempos. Gente, a situação das últimas gerações de jogadores italianos é gravíssima e, para mim, é consequência do número de estrangeiros que jogam no país. Sim, na temporada 1987/1989, quando cheguei à Itália junto com Careca, Dunga, os holandeses Gullit e Van Basten, e os alemães Völler e Bertold, entre outros, os clubes só podiam ter dois estrangeiros no elenco. Assim, as equipes poderiam entrar em campo com o time todo italiano ou com um ou dois estrangeiros, e isso não impedia a revelação de jovens talentos. Já na temporada 88/89, aumentaram para três estrangeiros, e o sindicato dos jogadores profissionais se posicionou contra; teve até ameaça de paralisação do campeonato, e o argumento era: "O excesso de estrangeiros irá dificultar a revelação dos jogadores jovens e tirará o espaço deles nos times." Eu era um estrangeiro e, na época, entendi perfeitamente a preocupação deles, porque eles entendiam que só poderiam ir para o futebol italiano grandes jogadores, que de certa forma ajudariam o desenvolvimento técnico do campeonato. Entraram em acordo e liberaram para três estrangeiros. Foi aí que chegou o Rijkaard para se juntar aos outros dois holandeses do Milan. O alemão Klinsmann foi para a Internazionale encontrar seus colegas alemães Matthäus e Brehme, que deram muito certo e não tinha como não dar. Mas também chegaram alguns estrangeiros que foram e voltaram para seus países porque não se adaptaram às dificuldades do futebol italiano. Mas quando a Europa abriu suas portas, a invasão estrangeira ficou descontrolada e houve equipes, como a própria Inter, que foi campeã da Champions League e do Mundial de Clubes sem ter nenhum italiano na equipe titular. E se não há italianos titulares nas grandes equipes, não se desenvolvem novos jogadores, e aí começaram as dificuldades de se convocar uma seleção experiente e competitiva. A Itália é um país pequeno e, se não tiver espaço para os jovens jogarem em alto nível, sua seleção é fraca, e foi exatamente isso que aconteceu. O futebol italiano passa por uma difícil falta de identidade, ou seja, não está conseguindo montar mais uma seleção talentosa, experiente e respeitável porque os jovens perderam seus espaços. Será que tem volta? Olha, se não limitar o número de jogadores estrangeiros e extracomunitários, acho quase impossível que a grande "Squadra Azzurra" volte a ser o que era. Será uma vergonha caso a Itália fique fora da terceira Copa do Mundo consecutiva. A Federação Italiana de Futebol precisa entrar em ação rapidamente, porque esse processo de decadência pode se transformar em irreversível. Continua após a publicidade Eu lamento muito, porque adoro a Itália. Tenho muitos amigos por lá e dois filhos que nasceram em terras italianas: Ugo Leonardo, em Ascoli Piceno, e Symon, em Torino. Sempre fui fã da grande Nazionale Azzurra. Tenho orgulho de ter jogado no melhor campeonato do mundo nas décadas de 80 e 90, fazendo grandes amigos com os quais tenho contato até hoje. Amo de paixão as cidades de Ascoli e Torino, e também os times em que joguei. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Carro é baleado e uma pessoa morre após tiroteio com a PM em avenida de SP Série B pega fogo antes da rodada final; veja cenários completos de G4 e Z4 INSS liberou em nome de crianças R$ 12 bilhões em empréstimos consignados Chances da Série B: 2 lutam pelo título, 5 pelo acesso e 3 contra queda Ex-premiê do Bangladesh é condenada à morte por assassinatos em protestos