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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: Relato nostálgico e heroico do autor, ex-jogador do time; exalta o 'time fantástico', a coragem contra a ditadura e a luta democrática

Viés da Menção (Score: 0.8)

Motivo: Citado apenas como adversário histórico derrotado por 3x1; texto até destaca apoio de são-paulinos à causa democrática

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

São Paulo Corinthians Lula Flávio Bolsonaro Morumbi Sócrates Casagrande Gaviões da Fiel Democracia Corinthiana PT Gilberto Gil

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Democracia Corinthiana teve forte presença na 4ª vitória de Lula Walter Casagrande Jr. e UOL Do UOL, em São Paulo 26/10/2026 11h47 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Manifestação pró-Lula na avenida Paulista, em São Paulo, durante a campanha presidencial de 2026 Imagem: Arquivo pessoal A festa depois da vitória do presidente Lula sobre o candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro me lembrou um momento muito marcante da minha vida. As pessoas gritando, buzinando, em festa e com o rosto demonstrando ter uma felicidade genuína me fizeram viajar no tempo. A avenida Paulista totalmente tomada de ponta a ponta de gente aliviada, lutadora e democrata, que saiu às ruas nestas últimas semanas com o objetivo de defender a nossa democracia. Alexandre Borges Ganhar o 1º turno foi a pior coisa para Flávio Matheus Pichonelli Lula viu que campanha de rua e digital são uma só Letícia Casado Cegueira que Lula teve no 1º turno, Flávio teve no 2º Jéssica Sant'Ana TCU julga na quarta alíquota de novo imposto Pois bem, em 1982 aconteceu o mesmo: não só fomos votar pela primeira vez para o governo do estado depois do golpe militar de 1964, mas também pela conquista do título paulista pelo Corinthians da democracia. Naquele momento, todos nós do grupo estávamos em risco. Uns mais, outros menos, mas as ameaças que sofremos durante todo aquele ano apontavam para um futuro sombrio para todos os envolvidos no movimento da democracia. Nós também precisávamos do povo, não só dos corintianos, mas de todos os torcedores, independentemente dos times para que torciam, para fortalecer a nossa luta pela redemocratização. A Democracia Corinthiana era o último capítulo daquela violenta e assustadora luta pela liberdade. Eu sei que quem não viveu aqueles momentos não terá noção do que foi aquilo, e coincidentemente o nosso presidente reeleito Lula era candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Continua após a publicidade Aquele metalúrgico, homem do povo, corintiano roxo, ops, vermelho, já estava demonstrando a sua força como uma forte liderança da esquerda brasileira. Enquanto isso, em campo, a Democracia Corinthiana vencia seus adversários dando espetáculo. Um grupo de jogadores verdadeiramente democráticos, porque nem todos ali eram de esquerda, mas uma democracia genuína é assim: Liberdade para ser o que quiser, respeitando as diferenças de cada um. Quem era adolescente em 1982, como eu, se lembra bem daquele time corintiano: Sollito, Alfinete, Mauro, Daniel Gonzalez e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Ataliba, Casagrande e Biro-Biro, mas ainda havia outros guerreiros como Sollitinho, o nosso Zé Maria (Super Zé), Wagner, Gomes, Luís Fernando, Eduardo, Ismael, Magu, entre outros. Continua após a publicidade Inauguração da sede do PT no centro de São Paulo, em 1982 Imagem: Arquivo pessoal/Walter Casagrande Júnior Naquela época a Gaviões da Fiel abraçou o nosso time e a nossa luta pela democracia. Ela lotava os estádios torcendo para o time ganhar, mas também para o crescimento da democracia corinthiana. Os fiéis torcedores foram o nosso exército. Naquele ano sentíamos pela primeira vez o ar da democracia na nossa atmosfera, mas não foi um ano fácil. Nós da Democracia Corinthiana sabíamos que teríamos que ganhar o título jogando bem, senão seríamos caçados. Desafiamos a ditadura diversas vezes durante aquele ano, não só em entrevistas, em participações em manifestações pró-Lula, mas também nas mensagens que colocamos na camisa durante o ano. A primeira provocação foi exatamente colocar nas costas, acima do número, o nosso slogan: Democracia Corinthiana Continua após a publicidade Os generais ligaram no Corinthians para dizer que não poderíamos usar o slogan porque democracia era uma palavra proibida. Nós bancamos porque fizemos uma votação e dentro do grupo foi unânime a escolha para colocar o nosso slogan na camisa. Dali em diante sabíamos que não teria mais volta porque mexemos no vespeiro. Mais adiante, exatamente em outubro, nós decidimos, também através do voto, que iríamos colocar o "Dia 15 Vote" na nossa camisa para incentivar as pessoas a irem votar, exatamente como fizemos neste segundo turno das eleições para presidente. Só que na época não existiam redes sociais, celular, tablet, e a nossa "tela" eram as costas da nossa camisa. Os generais também tentaram impedir, mas o Corinthians era uma "guerrilha" armada com palavras, mensagens, mas principalmente com uma bola de futebol. Continua após a publicidade Jogamos muito e ficamos para a história esportiva mundial não só porque éramos um time fantástico, mas também pela nossa luta democrática. Tenho muita honra disso e também de ter vivido ao lado dos meus companheiros esses momentos incríveis. No dia do grande triunfo democrático e futebolístico contra o São Paulo, recebemos a mensagem do alto-falante nas escadas para entrarmos no gramado do Morumbi: "Andar com fé eu vou, a fé não costuma falhar", na voz de Gilberto Gil. Assim como essa música me embalou nessas eleições, porque sabia que a fé na vitória contra a extrema direita não iria nos abandonar, como não abandonou. Vencemos o jogo por 3 x 1 sobre o São Paulo, mas o nosso verdadeiro adversário/inimigo era a Ditadura Militar. Continua após a publicidade Aquela foi a nossa grande vitória, assim como no domingo de ontem, 25 de outubro de 2026, o Lula foi a Democracia Corinthiana e venceu a tirania com a maior arma que uma democracia pode ter: 'O povo' Em 1982 também tinha o povo com a gente. Povo corintiano, palmeirense, santista, da Portuguesa, do Juventus e até muitos são-paulinos torceram para a nossa vitória. Porque a Democracia Corinthiana transcendeu os estádios de futebol e foi para as ruas. Lembro-me da cidade em festa e os torcedores na rua gritando, buzinando e balançando bandeiras do Corinthians, mas também vermelhas do PT. Igualzinho como ontem. Continua após a publicidade É emocionante para mim ver o povo em festa e eu também fui para a rua depois que a vitória do presidente Lula foi oficializada. Fiquei no portão da minha casa com a minha camisa vermelha segurando um bandeirão do Lula da época da sua liderança sindical. Vencemos novamente! Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Jaques Wagner: Mercado foi derrotado e gera pânico por oportunismo Toledo: Flávio é maior culpado por derrota; antibolsonarismo fez diferença O que acontecerá com investigações contra Flávio, sem mandato após 20 anos? Nikolas: 'Chance de anular essa eleição é praticamente nula' Economista: Se Lula mudar política fiscal, mercado volta a subir