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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Censo inédito aponta pouco esporte nas prisões; futebol domina participação Alicia Klein Colunista do UOL 19/12/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Marcelinho Paraíba posa com detentos após jogar futebol em penitenciária de Campina Grande (PB) Imagem: Divulgação Com participação de 97,1% das unidades prisionais do país (1.314 unidades), o Censo Nacional de Esporte e Lazer no Sistema Prisional traz, pela primeira vez, um diagnóstico detalhado sobre as práticas esportivas, atividades de lazer e acesso à remição de pena por essas vias. O levantamento inédito visto pela coluna será lançado em 2026 e aponta limitações de acesso às práticas esportivas, especialmente para as mulheres, assim como de pessoal e de oportunidade de remição de pena por esse meio, contrariando as leis do país. Apenas 53,7% das unidades oferecem acesso à prática de atividades esportivas tradicionais. O futebol aparece como o esporte mais popular (praticado em mais da metade das prisões, majoritariamente por homens), seguido de longe por modalidades como corrida, vôlei, musculação, dança, yoga, entre outros. A infraestrutura prisional para mulheres impõe restrições severas à prática esportiva, o que influencia diretamente os tipos de atividades que podem ser oferecidas. Nas instituições penitenciárias femininas, a limitação espacial é uma constante. Essa condição favorece a prevalência de atividades que requerem pouco espaço, como jogos de tabuleiro (jogos diversos), e restringe programas que demandam extensões maiores para exercícios físicos. Josias de Souza Senador foi de almoço com Lula para caldeirão da PF Letícia Casado Cassação de Eduardo traz alívio ao centrão Alexandre Borges Messianismo bolsonarista não morre com Bolsonaro Reinaldo Azevedo Dosimetria tem aberrações inconstitucionais O levantamento é etapa fundamental para a construção e execução da Política Nacional de Esporte e Lazer no Sistema Prisional, uma das metas previstas no plano Pena Justa, que tem como responsáveis o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério do Esporte. O "Pena Justa" resulta de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para enfrentar a situação sistemática de violações de direitos no sistema prisional brasileiro, com mais de 300 metas a serem implementadas até 2027. A publicação completa do censo está prevista para o início do ano, em cerimônia conjunta com os ministérios do Esporte e Justiça, e o CNJ. O estudo foi produzido no âmbito do programa Fazendo Justiça, uma iniciativa do CNJ em parceria com o PNUD e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A organização não governamental Terre Des Hommes prestou consultoria para a elaboração do Censo. O acesso ao esporte e ao lazer está previsto nos artigos 6º e 217 da Constituição Federal de 1988, que reconhece seu valor para a dignidade humana e a qualidade de vida. No contexto das prisões, esse direito é reafirmado pela Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984), que, nos artigos 41 e 83, prevê a oferta de práticas desportivas e intelectuais como parte da assistência prestada à pessoa presa. A lei determina ainda que essas atividades devem ocorrer em espaços adequados, com estrutura que favoreça o desenvolvimento físico e mental de quem cumpre pena. Veja abaixo mais detalhes deste Censo inédito. Acesso às atividades Continua após a publicidade Embora a maioria das unidades relate permitir algum tipo de prática esportiva, o percentual de prática efetiva ainda é baixo. Permissão para atividades (2017-2022): Cultura e convivência social (1093 unidades) - 83,2% Esportes tradicionais/olímpicos (917) - 69,8% Jogos diversos (837) - 63,7% Esportes não tradicionais (775) - 59,1% Realização efetiva de atividades (2017-2022): Cultura e convivência social (1.022 unidades) - 77,8% Esportes tradicionais/olímpicos (707) - 53,7% Jogos diversos (565) - 43,0% Esportes não tradicionais (245) - 18,6% O que mais se pratica nas unidades prisionais? Continua após a publicidade 5 esportes tradicionais mais ofertados: Futsal (347 unidades) - 26,4% Futebol (330) - 25,1% Aula de Educação física (188), 14,3% Corrida (74) - 5,6% Vôlei (68) - 5,1% 5 esportes não tradicionais mais comuns: Musculação (84 unidades) - 6,9% Dança (42) - 3,1% Capoeira (28) - 2,1% Yoga (17) - 1,2% Artes marciais diversas (11) - 0,8% 5 jogos diversos mais comuns: Dominó (362 unidades) - 27,5% Dama (341) - 26% Xadrez (248) - 18,9% Baralho (198) - 15,1% Gamão (13) - 1% Continua após a publicidade Atividades culturais e de convivência mais frequentes: Atividades religiosas (797 unidades) - 60,7% Leitura (731) - 55,6% Artesanato (649) - 49,4% Televisão (494) - 37,6% Jardinagem ou hortas (451) - 34,3% Diferenças de gênero A proporção de unidades femininas que permitem a realização de atividades esportivas ou culturais é ligeiramente maior do que as masculinas. Mas ao analisar as unidades que realmente realizam as atividades esportivas, esse quadro se inverte, sendo mais comum nas unidades masculinas. Permissão para atividades (2017-2022) (Masculinas/Femininas): Cultura e convivência social (870/105 unidades) - 82,5% / 96,3% Esportes tradicionais/olímpicos (734/83) - 69,6% / 76,1% Jogos diversos (665/77) - 63,1% / 70,6% Esportes não tradicionais (603/87) - 57,2% / 79,8% Continua após a publicidade Realização efetiva de atividades (2017-2022): Cultura e convivência social (802/105 unidades) - 76,1% / 96,3% Esportes tradicionais/olímpicos (508/58) - 55% / 54,1% Jogos diversos (464/42) - 44% / 38,5% Esportes não tradicionais (170/53) - 16,1% / 48,6% O censo encontrou também diferenças entre os tipos de atividade que são oferecidas nas unidades prisionais femininas e masculinas. O futsal, a modalidade mais oferecida no geral, é praticado em 306 unidades masculinas (29%) e em apenas 12 (11%) das femininas. Com o futebol o quadro é semelhante: está em 280 unidades masculinas (26,5%) e em 13 (11,9%) das femininas. Por outro lado, danças são oferecidas em um quinto das unidades femininas (22 unidades/20,2%) e em apenas 1,1% das masculinas (12 unidades). Entre os esportes tradicionais nas unidades femininas, as aulas de Educação Física (27 estabelecimentos) e o Voleibol (21 estabelecimentos) estão entre as práticas com maior adesão. Nas unidades que acolhem populações mistas, o Censo levanta a preocupação de que preconceitos de gênero possam estar presentes, afetando diretamente a oferta de atividades. Continua após a publicidade A noção de que "certos esportes são mais apropriados para homens" ou que "mulheres têm menor interesse por atividades físicas" pode resultar na redução da diversidade de modalidades e na falta de estímulo para a participação feminina nesses ambientes. Isso se manifesta na carência de atividades físicas e na oferta limitada de modalidades esportivas não tradicionais ou olímpicas em unidades mistas. Diferenças regionais Há desigualdades importantes entre os estados no acesso às atividades Esportes tradicionais: Amazonas (92%) x Distrito Federal (0%) Percentual de unidades prisionais que realizaram atividades de esportes tradicionais entre 2017 e 2022 por estado Imagem: Censo Nacional de Esporte e Lazer do Sistema Prisional Continua após a publicidade Esportes não tradicionais: Bahia (68%) x AC, AM, RO e RR (0%) Percentual de unidades prisionais que realizaram atividades de esportes não tradicionais entre 2017 e 2022 por estado Imagem: Censo Nacional de Esporte e Lazer do Sistema Prisional Jogos diversos: São Paulo (100%) x Ceará e Distrito Federal (0%) Percentual de unidades prisionais que realizaram jogos diversos entre 2017 e 2022 por estado Imagem: Censo Nacional de Esporte e Lazer do Sistema Prisional Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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