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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Feliz Natal para todos e parabéns ao Sr Walter. Ou posso dizer Geléia? Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 25/12/2025 08h20 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Walter Casagrande Jr. e seu pai Imagem: Acervo pessoal Nessa quinta-feira, 25 de dezembro, dia de Natal, meu pai, o Sr. Walter Casagrande, mas também conhecido por seus amigos próximos como Geléia, completou 91 anos. Ele nasceu em 1934 em São Paulo e era um corintiano roxo, daqueles que viu muitos títulos de seu time, mas ficou todos os 23 anos esperando pela quebra do tabu em 1977. Meu pai foi um grande jogador da várzea nos anos 50 e 60. Inclusive, tenho na memória algumas imagens dele jogando, porque, já bem pequeno, ele me levava aos jogos de seu time nos domingos pela manhã. Meu pai era muito ligado à cultura, principalmente música e cinema. Amava a era de ouro de Hollywood, com seus musicais clássicos, que fez questão de me mostrar desde pequeno. Assistíamos a todos os filmes que passavam sábado à tarde na TV, e ele ia me contando a história do filme e me dizendo quem eram os atores e atrizes. Isso desde os filmes mudos; por isso, tenho muita coisa na memória sobre cinema. E não era só isso: muitas vezes ele me levava de domingo à tarde ao cinema. Minha mãe também fazia isso, e com ela assistia a todos os desenhos clássicos da Disney e muitas comédias do Jerry Lewis e também do Mazzaropi. O meu avô, Júlio Casagrande, pai do meu pai, era músico profissional e tocava instrumento de sopro na orquestra dos programas da Hebe Camargo, de sexta à noite, e no sábado também tocava em um programa da TV Cultura chamado "Baile da Saudade", apresentado por um artista chamado Francisco Petrônio. Daí veio a minha paixão pela música, e como meu pai trabalhou um tempo numa distribuidora de discos, sempre trazia vários para casa. PVC Corinthians deve anunciar ex-Fla como novo diretor Reinaldo Azevedo Master: Cobram provas de Moraes por suas virtudes Lúcia Guimarães 2025 consolidou o triunfo dos oligarcas da tecnologia Anna Virginia Balloussier Papai Noel, Vovô Índio ou Caganer? Meu pai foi um cara divertido, muito criativo, ótimo desenhista, que fazia diversos desenhos para mim, principalmente dos super-heróis dos gibis, como Batman, Superman, Capitão América, Homem-Aranha e assim por diante. Mas o futebol e o Corinthians eram suas maiores paixões, e foi com ele que fui pela primeira vez a um estádio de futebol. Foi na Fazendinha, no Parque São Jorge, assistir a Corinthians x Ponte Preta, que era a volta do Rivellino e do Ado, depois de serem tricampeões no México em 1970. Daí em diante, ele me levou a vários jogos até 1977, porque a partir de 1978 já comecei a jogar algumas preliminares. Claro que nem tudo foram flores, porque existia o problema do alcoolismo que atrapalhou muitos momentos legais, mas as minhas memórias são muito mais sobre o divertimento. Ele ficou superorgulhoso quando eu estreei no Corinthians, principalmente porque foi uma estreia espetacular, fazendo quatro gols. Imagino a sua felicidade ao ver seu filho vestindo a camisa do time que toda a família torcia. Era um grande contador de histórias, e eu adorava ouvi-las. Bom, todo dia 25 de dezembro, costumava levá-lo para almoçar na Cantina Lellis Trattoria, na Rua Bela Cintra, aqui em São Paulo, que ele adorava, principalmente depois que minha mãe faleceu em 2015. Em 2019, fomos lá, como todos os anos, com meus filhos, e foi o Natal mais divertido dos últimos anos, porque ele estava ótimo, divertindo-se, falando com todo mundo, e se via que estava muito feliz naquele momento da vida. Porém, no dia 28/12, tomando banho, teve um forte AVC (Acidente Vascular Cerebral) que deixou duras sequelas. Mas, devagar, ele estava evoluindo até chegar a pandemia, e ao menos podíamos visitá-lo. No meio de tudo isso, ele pegou covid e foi internado, e de lá não saiu mais. Foi ao encontro da minha mãe, com quem ficou casado por mais de 50 anos, tendo, além de mim, duas filhas (Zildinha e Zenaide). Obviamente, o Natal me traz memórias muito gostosas da minha infância, mas também me traz a saudade de meu pai. Só explicando que não me traz tristeza, mas uma saudade dos diversos momentos que tivemos juntos, principalmente de quando eu era apenas o menino Waltinho, o filho do Sr. Walter (Geléia). Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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