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Voz do Setorista: Letícia Marques resume informações sobre futuro de Danilo Em meio à grave crise financeira nos bastidores, a SAF do Botafogo contraiu um empréstimo junto à GDA Luma para quitar pendências urgentes - entre elas, o fim do transfer ban causado pela inadimplência na transferência de Thiago Almada . O ge teve acesso ao contrato, assinado em fevereiro, e explica como a dívida limita o controle da SAF sobre receitas e finanças como um todo. A GDA Luma é uma das interessadas em assumir o controle da SAF em meio ao atual imbróglio societário, em que John Textor foi removido do comando do Botafogo. Não à toa, nesta semana, a firma se habilitou como parte interessada no processo de recuperação judicial que corre na Justiça do Rio. Em fevereiro, a GDA emprestou US$ 22,8 milhões (cerca de R$ 113,3 milhões, na cotação atual) - quantia líquida após a dedução das taxas de transação de um empréstimo de US$ 25 milhões (cerca de R$ 124,2 milhões) - à SAF do Botafogo. No contrato, a transação é descrita como a provisão de "liquidez em último recurso". + Botafogo paga dívida com a CNRD e está liberado para registrar atletas na CBF 1 de 4
John Textor em Palmeiras x Botafogo — Foto: FRANCK FIFE / AFP John Textor em Palmeiras x Botafogo — Foto: FRANCK FIFE / AFP Receitas por vendas de atletas O artigo 3.2 cita garantias advindas de recebíveis relacionados ao elenco do Botafogo. A SAF Botafogo cedeu "todos os direitos, títulos, interesses e créditos, presentes e futuros" como forma de garantia de pagamento à GDA. Isso inclui, por exemplo, verbas recebidas por uma eventual venda de um atleta. O zagueiro Barboza tem negociações avançadas para seguir rumo ao Palmeiras. O anexo 3.2 lista os jogadores incluídos em garantia, e a lista traz toda a relação de atletas do futebol masculino e feminino do Botafogo. Além disso, receitas relacionadas ao elenco do Botafogo não poderiam formar parte do patrimônio da SAF Botafogo em caso de insolvência, falência ou outros — na prática, esse é um mecanismo que protege a dívida da GDA em um cenário de recuperação judicial. + SAF Botafogo recorre e pede multa diária mínima de R$ 100 mil a fornecedores e atletas que tentarem romper contratos 2 de 4
Barboza, do Botafogo, em ação contra o Independiente Petrolero — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF Barboza, do Botafogo, em ação contra o Independiente Petrolero — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF O texto também prevê que a GDA Luma poderá executar e coletar receitas relacionadas aos jogadores do Botafogo "diretamente e fora de qualquer processo de insolvência". O contrato também limita fortemente o livre controle da SAF sobre receitas advindas de transações por jogadores, travando as quantias em estrutura de proteção à credora GDA Luma. — Com efeito a partir da Data de Fechamento, o Mutuário concorda de forma irrevogável que todos os valores decorrentes de ou relacionados a quaisquer Receitas ligadas ao elenco (incluindo Receitas de Transferências) estarão sujeitos a um controle exclusivo de fluxo de caixa e a uma estrutura de conta vinculada (lock-box) em favor do Credor (a ‘Estrutura Lock-Box’), destinada a funcionar como: (a) a principal fonte de recebimento e liquidação das Obrigações Garantidas; e (b) um mecanismo central de execução e controle, sem prejuízo de quaisquer outras garantias. Essa obrigação se aplica independentemente de uma ou mais Contas Designadas estarem operacionais na Data de Fechamento — diz trecho do contrato. + Volante trocou o Botafogo pelo futebol mexicano aos 18 anos para jogar com Gignac e por chance na seleção Botafogo aposta em convocação de Danilo para Copa e espera vender volante por 40 milhões de euros Outras garantias A partir do empréstimo, a SAF Botafogo também aceitou a cessão fiduciária de direitos creditórios relacionados ao elenco em favor da GDA Luma. Essa é outra forma de garantia em que o clube transfere ao credor - neste caso, a GDA - a titularidade de um bem ou direito enquanto perdurar a dívida. Como proteção adicional à GDA Luma, os "acionistas relevantes" - termo usado para descrever Eagle Bidco, Eagle Football Holdings e John Textor - deveriam conceder garantias societárias. Estas podem ser: um penhor de segundo grau sobre ações da SAF Botafogo pertencentes à Eagle Bidco; um penhor de terceiro grau sobre todas as ações de Textor na Eagle Football Holdings. Na prática, a GDA Luma seria a segunda na fila a poder executar penhor de ações relacionadas à SAF Botafogo, visto que a Ares - citada nominalmente no contrato - tem a maior prioridade. 3 de 4
Garantia de penhor de ações no contrato de empréstimo entre GDA Luma e Botafogo — Foto: Reprodução Garantia de penhor de ações no contrato de empréstimo entre GDA Luma e Botafogo — Foto: Reprodução Mecânica de coleta e retorno mínimo O pagamento à GDA pelo empréstimo foi estruturado na forma de mínimo Múltiplo ao Capital Investido (MOIC, na sigla em inglês) a partir da data de desembolso das quantias. Ou seja: a depender do prazos de pagamento, outras circunstâncias ou um "event of default" (na prática, um episódio de inadimplência ou descumprimento mais severo do contrato), o valor de US$ 25 milhões é multiplicado para gerar a quantia final a ser reembolsada pela SAF Botafogo. Na prática, a partir da medida precautelar antecedente à recuperação judicial, a SAF Botafogo causou um "uncured event of default", o que fez a dívida saltar de US$ 25 milhões para ao menos US$ 55 milhões (cerca de R$ 273,3 milhões). A partir do início do processo, a GDA passou a ter direito a 200% do valor emprestado, que crescerá a partir de uma taxa mensal de 20% de juros. Confira na tabela abaixo: 4 de 4
Mínimo MOIC em empréstimo da GDA Luma à SAF do Botafogo — Foto: Divulgação Mínimo MOIC em empréstimo da GDA Luma à SAF do Botafogo — Foto: Divulgação + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp 🗞️ Leia mais notícias do Botafogo 🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧 Assista: tudo sobre o Botafogo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos