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Fábio completa 46 anos nesta quarta-feira (30) como titular do Fluminense , semifinalista da Libertadores e ainda entre os goleiros de maior destaque do futebol brasileiro. O camisa 1 soma 99 defesas em 28 partidas neste Brasileirão, segunda maior marca da competição, e voltou a ser decisivo nas classificações tricolores no mata-mata continental. Uma ausência, porém, atravessou praticamente toda a carreira: apesar de ter sido convocado, nunca disputou um minuto pela Seleção Brasileira principal.
Depois da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti deixou Alisson, Ederson e Weverton fora da primeira convocação do novo ciclo e chamou Hugo Souza, Otávio e Pedro Morisco. Hugo apresentou insegurança no empate por 1 a 1 com a Austrália, principalmente pelo alto. Otávio recebeu a oportunidade no segundo amistoso e também teve uma estreia ruim, com erro no primeiro gol australiano e problemas em saídas de bola.
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É exatamente por isso que o caso de Fábio volta a provocar uma pergunta que acompanhou diferentes momentos de sua trajetória: se a Seleção busca segurança para a posição, o goleiro do Fluminense ainda teria espaço?
As primeiras oportunidades na Seleção principal aconteceram quando Fábio ainda defendia o Vasco. Carlos Alberto Parreira o levou para a Copa das Confederações de 2003, ao lado de Dida e Júlio César. No ano seguinte, foi novamente chamado e integrou o grupo campeão da Copa América de 2004. Júlio César disputou todas as partidas daquela campanha. Fábio permaneceu como reserva.
O goleiro voltou ao radar durante a passagem de Mano Menezes. Em maio de 2011, foi convocado para amistosos contra Holanda e Romênia, em uma lista que também tinha Júlio César, Jefferson e Victor. Ficou fora da Copa América daquele ano, mas retornou posteriormente para um amistoso contra Gana e para o Superclássico das Américas.
A última convocação aconteceu em setembro de 2011. Fábio estava na lista para enfrentar a Argentina, mas sofreu uma pancada na cabeça em uma partida do Cruzeiro contra o próprio Fluminense e acabou cortado. Victor foi chamado para substituí-lo. Desde então, o goleiro nunca mais voltou à Seleção.
Anos depois, já no Fluminense, Fábio resumiu a história:
— Nunca tivemos uma explicação — afirmou o goleiro, em entrevista de 2025.
Um dos primeiros grandes argumentos pela presença de Fábio surgiu em 2010. O Cruzeiro terminou o Brasileirão como vice-campeão, e o goleiro foi eleito pela CBF o melhor da posição. Foram 57 defesas consideradas difíceis e dois pênaltis defendidos durante o campeonato. Meses antes, porém, Dunga havia levado Júlio César, Gomes e Doni para a Copa do Mundo da África do Sul.
Em 2013, Fábio foi campeão brasileiro como capitão do Cruzeiro e eleito novamente o melhor goleiro do Brasileirão pela CBF. Também recebeu a Bola de Prata da posição. Naquele momento, Luiz Felipe Scolari já vinha trabalhando com uma hierarquia que seria mantida para a Copa do Mundo de 2014: Júlio César, Jefferson e Victor. Fábio não entrou no grupo, apesar de chegar ao Mundial como campeão nacional e vencedor dos principais prêmios individuais da posição no campeonato anterior.
O Cruzeiro repetiu o título brasileiro em 2014, novamente com Fábio como uma das referências da equipe. Dunga assumiu a Seleção depois da Copa e também não o convocou.
Em 2017, aos 37 anos, Fábio foi protagonista do título da Copa do Brasil. Defendeu a cobrança de Luan na semifinal contra o Grêmio e parou Diego na decisão diante do Flamengo. Naquele período, Tite trabalhava com uma nova geração de goleiros. Alisson e Ederson ganhavam espaço, enquanto Cássio, Weverton e Diego Alves também estavam entre os observados.
O curioso é que Tite reconheceu publicamente o momento do goleiro ao explicar suas escolhas em uma convocação:
— O Fábio está em alto nível, fazendo diferença.
Mesmo assim, não o chamou. No ano seguinte, a Seleção foi à Copa da Rússia com Alisson, Ederson e Cássio. Questionado diretamente sobre a ausência de Fábio, Taffarel, então preparador de goleiros da comissão de Tite, apresentou uma das poucas explicações públicas dadas por alguém da Seleção.
— Tinham goleiros mais preparados no momento — disse Taffarel.
A história se repetiu de maneira curiosa no Fluminense em 2023. Fábio foi campeão da Libertadores aos 43 anos sob o comando de Fernando Diniz. Dois dias depois da decisão, o próprio Diniz, então também treinador interino da Seleção, anunciou uma convocação com Ederson, Alisson e Lucas Perri. Com o corte de Ederson, Bento foi chamado. Fábio novamente ficou fora.
O goleiro foi um dos destaques da campanha do Fluminense no Mundial de Clubes de 2025, chegou a ser indicado ao The Best da Fifa e, em 2026, foi eleito craque do Campeonato Carioca. Na atual Libertadores, decidiu a classificação contra o Independiente Rivadavia nos pênaltis e fez defesas fundamentais diante do Platense nas quartas.
Aos 46 anos, Fábio continua sendo um pilar do Fluminense dentro do G-4 e semifinalista da Libertadores da América.
Ancelotti deixou claro que esta primeira etapa do ciclo não busca necessariamente reunir apenas os melhores jogadores do momento. A comissão pretende observar atletas com perspectiva para a Copa América de 2028 e principalmente para o Mundial de 2030.
Ao olhar para a carreira de Fábio, é difícil não concordar que o goleiro do Fluminense merecia ter mais chances na Seleção Brasileira. O cenário hoje é improvável pela idade do jogador, mas dar minutos ao arqueiro seria uma forma inclusive de reconhecer um dos maiores goleiros da história do futebol nacional.