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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: O autor é ex-jogador do Corinthians e descreve eventos do clube com entusiasmo, destacando a "Democracia Corintiana" e a participação ativa dos jogadores.

Viés da Menção (Score: 0.5)

Motivo: O time do América é mencionado apenas como adversário em uma partida específica, sem grande desenvolvimento narrativo ou juízo de valor.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Corinthians Walter Casagrande Jr. Gonzaguinha Democracia Corintiana Wladimir Ataliba Fagner Luiz Gonzaga

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O dia em que formei uma dupla com o meu genial amigo Gonzaguinha Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 01/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Gonzaguinha faz show pela democracia com Wladimir, Casagrande e Pitta no palco (dir. para esq.) Imagem: Arquivo pessoal Vou contar uma história que aconteceu entre 23 e 24 de outubro de 1982. É uma história que envolve futebol, política e música, coisas que sempre estiveram misturadas, mesmo que alguns ainda digam o absurdo de que nada pode ser misturado com política. Não é uma questão de escolha, mas sim que as coisas se misturam naturalmente. Tudo começou no sábado (23/10/82), quando o Corinthians da Democracia Corintiana foi até São José do Rio Preto enfrentar o ótimo time do América pelo Campeonato Paulista. Mariliz Pereira Jorge Todos que apoiam a chacina são fascistas? Josias de Souza Politização da letalidade policial é suprapartidária Frederico Vasconcelos Castro repete plano de Witzel para abater bandido Juca Kfouri Se a vida fosse justa para Flamengo e Palmeiras Bom, no dia 15/11 aconteceria a primeira eleição direta para os governos dos estados, deputados estaduais e vereadores desde o Golpe de 1964. Nós, do Corinthians, queríamos incentivar as pessoas a votarem porque havia um grande clima de desconfiança, principalmente entre os mais velhos, de que seria uma armadilha da Ditadura para observarem quem iria votar, fotografando e fichando as pessoas. Por causa desse temor, resolvemos colocar na parte de trás da camisa, acima do número, os dizeres: "DIA 15 VOTE". O primeiro jogo seria esse contra o América, que a princípio seria no domingo às 16h, mas um grande aliado e braço direito do Boni na Globo, o saudoso Edvaldo Pacote, conseguiu antecipar para o sábado e convenceu o Boni a transmitir esse jogo ao vivo. Portanto, na noite de sábado, passou América-SP x Corinthians ao vivo pela TV Globo e todos viram o "DIA 15 VOTE". O jogo foi 3 a 3, com gols de Marinho, Rota e Guilherme (América) e dois gols meus e um do Ataliba para o Corinthians. Continua após a publicidade 0:00 / 0:00 As viagens eram de ônibus e voltamos logo após a partida. Paramos para jantar na estrada, portanto, chegamos em casa por volta das 4h do domingo. Mas às 10h, no Parque São Jorge, tínhamos um evento que seria um jogo do time da Democracia Corintiana misturado com artistas da música e atores. Depois, um churrasco e, à noite, às 20h, aconteceria um show musical para arrecadar verba para uma campanha política. Como era uma festa, todos se trocaram no mesmo vestiário e, quando acabou o jogo, eu e o meu saudoso amigo genial Gonzaguinha saíamos do campo bem devagar e conversando. Quando entramos, o vestiário estava lotado, então sentamos em um banco e continuamos a conversar. De repente, só estávamos eu e ele, porque todos já haviam tomado banho e foram para o churrasco. Bom, tomamos banho e fomos andando até o churrasco, que era do outro lado do clube. Continua após a publicidade No caminho, paramos no Bar da Torre, tomamos umas cervejas e continuamos conversando até chegarmos ao churrasco. Quando era umas 17h30, eu levei o Gonzaguinha para o hotel onde ele estava, porque às 20h ele tinha um show no Teatro TUCA (PUC). Voltei para casa para jantar, me trocar e ir para o show do Corinthians. O ginásio do clube estava lotado de gente e cheio de músicos como Antônio Marcos, Zé Geraldo, Fagner, Belchior, entre tantos outros. Os organizadores me pediram para apresentar o show e lá fui eu para o palco. Agradeci a presença de todos, reforcei a importância da democracia e de irmos votar no dia 15/11 e chamei a primeira atração, que foi o Raimundo Fagner. Fiquei atrás do palco para continuar apresentando os artistas. Quando, de repente, os organizadores chegaram perto de mim e disseram: "Casão, precisamos de um favor seu." Continua após a publicidade Respondi: "Pois não." Aí me disseram qual era o favor: "Casão, o Gonzaguinha é muito importante para esse evento. Sua voz, suas músicas e sua presença darão um peso muito maior para o evento, mas ele recusou porque tem envolvimento partidário e gostaríamos que você fosse até o TUCA para convencê-lo." Respondi o seguinte: "Gente, conheci o Gonzaga hoje pela manhã." Aí me disseram assim: "Sabemos disso, mas conhecemos ele muito bem e sabemos que ele não fica conversando com ninguém, mas ele ficou o dia todo com você, então ele gostou muito de você, Casão." Ouvi e resolvi ir até o Teatro TUCA e falar com ele. Cheguei lá e ainda peguei ele cantando as duas últimas músicas e, quando acabou o show dele, fui para o seu camarim. Cruzei com ele e falei: "Fala, Gonzaga." Continua após a publicidade Ele respondeu: "Olá, Casão! Que legal que você veio." Continuei: "Então, Gonzaga, os caras me pediram para vir aqui falar com você porque a sua presença é muito importante para o evento." Ele me respondeu: "Pô, Casão, eu sou pela democracia e o evento tem envolvimento partidário, por isso não vou." Aí eu falei a minha opinião: "Gonzaga, esquece essa questão partidária. O evento é pela democracia, sendo para incentivar as pessoas a irem votar." Ele me olhou e disse: "Garoto, você é bem convincente, hein! Eu vou com você, mas tenho uma condição." Respondi: "Pode falar." Continua após a publicidade Aí o Gonzaguinha disse a condição: "Só vou se você subir no palco e cantar uma música comigo." Respondi: "Beleza." Achei que ele nem se lembraria disso. Bom, chegamos, subi no palco e o apresentei. Enquanto isso, fui ao Wladimir e falei que ele queria que cantasse com ele. Chamei o Wla e ele topou. O Pitta (não o Pita que era do Santos e jogou no São Paulo), que jogava na Portuguesa, também estava lá e também topou. Aí fui ao Magrão e também chamei. Ele me disse assim: "Poxa, Big, vou assistir vocês daqui e dar nota." Continua após a publicidade Num determinado momento, o Gonzaguinha, no palco, falou: "Bom, pessoal, vou fechar esse show com uma música importante para esse momento, acompanhando meu amigo Casagrande." Aí subimos no palco e fizemos o backing vocal para ele assim: "Ê sacode a poeira, imbalança, imbalança, imbalança, imbalançá. Ê sacode a poeira, imbalança, imbalança, imbalança, imbalançá." Domingo, 24 de outubro de 1982, foi um dos dias mais incríveis da minha vida. Imaginem um garoto de 19 anos fazer amizade com um gênio como o Gonzaguinha e ainda subir e cantar com ele? Foi um sonho. Daí em diante, a nossa amizade só se fortaleceu e, junto com ele, conheci seu pai, o Sr. Luiz Gonzaga, mas essa minha história com o Sr. Luiz será contada em outro momento. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Manifestantes se reúnem em SP contra megaoperação no Rio: 'Foi chacina' Bonner cita coincidência entre Renata Vasconcellos e César Tralli no JN Família 'invade' estúdio do Jornal Nacional para recepcionar Tralli Último 'boa noite' e aplausos: a despedida de Bonner do Jornal Nacional 'De férias no Chile, vi guarda da Corte, pedi foto com ele e nos casamos'