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Só para assinantes Assine UOL Opinião A minha inesquecível cesta de Natal do Gigante Amaral... Milton Neves Colunista do UOL 24/12/2025 08h30 Deixe seu comentário Anúncio das cestas de Natal do Gigante Amaral Imagem: Reprodução Carregando player de áudio Ler resumo da notícia 0:00 / 0:00 Acima, ouça este texto na linda interpretação do genial Nelson Gomes. A mixagem é de Roger Palmer Duarte: Já é Natal. Marco Antonio Sabino 2026 promete ser um ano animado para Moraes Josias de Souza Hospitalização tem cerco policial de presidiário fujão Juca Kfouri Alemanha, o verdadeiro país do futebol André Santana Chinelos substituirão 'tio do pavê' na ceia natalina E, para mim, dezembro é o "Mês da Tristeza". Por Jesus e pelas pessoas que faltam cada vez mais na mesa de casa de cada membro da família. E hoje, aqui, nada de futebol, peço licença. Chega do Palmeiras de Abel; do Fla de Filipe Luís; do Corinthians de Memphis; do Santos ainda de Neymar; ou do Cruzeiro de Tite... E era Cruzeiro a moeda de minha época de menino nos anos 50, quando tia Antônia, minha heroína tia-mãe, fazia um anual e hercúleo esforço para comprar, em 12 prestações, todo final de ano, uma cesta de Natal "Gigante Amaral". Eram cestas numeradas de um a cinco. Continua após a publicidade A número um, a mais cara, era a grandona e ela comprava uma. Quando chegava, meu irmão, eu e três primos nos engalfinhávamos no interior dela retirando, em meio a muita palha, "preciosidades" como saquinhos de nozes, avelãs, amêndoas, latinhas de sardinha, de feijoada e de salsicha, vidros de palmito e azeitona, além de um litro de vinho de Andradas e três garrafinhas de guaraná Caçulinha da Antarctica. Eram diamantes, pepitas de ouro ou esmeraldas na visão de crianças deslumbradas e carentes. E brigávamos para ver com quem ficava o boneco de plástico "Gigante Amaral". E assim foi lá por 1954, 1955, 1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962... Todo Natal tinha a cesta número um e a gente não via a hora da chegada daquele baú de felicidade, bem grandão. Continua após a publicidade Mas, professora primária em Muzambinho, Monte Belo e Guaxupé, e cuidando da vó Beatriz, de minha mãe Carmen, viúva, e de tantas crianças, minha tia foi se apertando também por força do crescimento dos sobrinhos e, consequentemente, das despesas. Primeiro ela cortou a assinatura da revista O Cruzeiro, depois o bujão de gás foi trocado pela lenha e passou também a viver de "letras no banco". Ou seja, de empréstimos no Banco de Crédito Real, além de mandar "marcar na caderneta" no açougue do Roque, na venda do Zú e do Tunico e no Bazar Castro de Dona Netinha. E logo chegou a vez de ser sacrificada nossa cesta de Natal "Gigante Amaral". Ao invés da número um, ela passou a comprar a número dois. Era grande também e a gente nem notou. Continua após a publicidade Mas quando veio a número três no ano seguinte, ficamos tristes. E mais ainda na chegada da número quatro e finalmente da número cinco, minúscula. Só que o par de meias jamais falhou como presente de Natal para cada um de nós, mas com a cesta do "Gigante Amaral" virando saudade. E tia Antônia, coitada, pediu desculpas pela falta de dinheiro, imaginem. Ela tinha acabado de vender o fundo da horta para o Silvestrinho e para a mãe do Chiquinho do Zé Uria para cirurgia mamária em São Paulo, para a retirada de um câncer. Uma tragédia! Continua após a publicidade Tudo em dezembro. Mas tia Antônia ainda viveu muitos anos até 4 de junho de 2015, sempre preocupada se os meninos "estavam bem colocados ou não". Uma santa! Deus te pague, tia, aí no céu. E Feliz Natal para todo mundo, gigantes brasileiros! Opine! Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milton Neves por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Veja 8 itens de carros estacionados na rua que ladrões furtam em segundos Hospitalização de Bolsonaro tem cerco policial de presidiário fujão Lula quer rachar centrão, travar 3ª via e replicar disputa com um Bolsonaro PF flagrou mãe de deputada, comissionada de RR, com R$ 500 mil em espécie Médico diz que cirurgia de Bolsonaro é muito mais simples do que a que demorou 12 horas