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Só para assinantes Assine UOL Opinião Como os jornalistas cobrirão a Copa nos EUA? Juca Kfouri Colunista do UOL 05/01/2026 18h12 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Mascotes da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Reprodução POR ANTONIO CARLOS SALLES* Em 1978, o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar e formava uma cúmplice parceria com outras ditaduras latino-americanas, incluindo a famigerada "trocas de experiências" para métodos de tortura, banimento social e desaparecimento de adversários políticos àqueles regimes estabelecidos. O futebol pegava carona. Wálter Maierovitch Venezuela não está morta, e EUA já se preocupam M.M. Izidoro Hollywood também é cinema estrangeiro Milly Lacombe Carreira mal administrada diminui potencial de Gerson Amanda Klein PT defenderá a soberania nas manifestações do 8/1 A reunião dos ditadores argentinos com João Havelange e Joseph Blatter para mudar o horário dos jogos de Brasil e Argentina durante a Copa do Mundo, e assim permitir à equipe portenha jogar contra o Peru sabendo quantos gols precisaria fazer, foi noticiado durante anos como apenas "uma decisão da FIFA". Logo, a ditadura como ato ou como forma, passa ao largo da cobertura esportiva. E tudo indica, não será diferente nos EUA. O que consagrará, mais uma vez, a infame percepção de que "jornalista esportivo fala apenas de futebol", lástima que se mantém ativa. Os que furam a bolha, o fazem há anos com o crédito adquirido de forma sustentável e contínua, sem meias palavras e rigor jornalístico na apuração. Lembremos, também, que jornalistas (aqui denominados sob todas as formas midiáticas de livre expressão), em sua enorme maioria, são empregados de veículos de comunicação que, mostra a História, açodam suas linhas editoriais às regras do dia ou da aposta na previsibilidade de conquistas futuras. A entrada do capital especulativo no mercado editorial escancara a premissa. Continua após a publicidade Peter Arnett, jornalista norte-americano premiado com um Pulitzer pelo conjunto da cobertura realizada durante a invasão do Vietnã pelos EUA, e içado à condição de ícone do jornalismo eletrônico por sua atuação na Guerra do Iraque, à frente das reportagens ao vivo durante os bombardeios transmitidos unicamente pela CNN, sofreu, em ambos os casos, dura perseguição do governo estadunidense. Os patrões, Associated Press e CNN, respectivamente, bancaram o compromisso de Arnett com a notícia e anunciaram ao mundo que seguiriam fiéis à informação e à audiência. Ele morreu em novembro passado, aos 91 anos. Tomara, sua história desafie o jornalismo esportivo a noticiar "o jogo da Copa", muito além dos 90 minutos. *Antonio Carlos Salles é jornalista. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Daniela Lima: Diplomacia brasileira vê caso de Maduro como 'fato consumado' 'Não aguentou a dor': venezuelanos relatam mortes após ataques dos EUA Turista de SP é morto após discussão em restaurante em Porto de Galinhas Brasileira foi morta pela patroa com bloco de cimento em Portugal, diz MP Bater o peso, mover o cotovelo e mais: 6 erros comuns do crucifixo