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Análise dos Times

Botafogo

Principal

Motivo: Textor defende o planejamento e o atual momento do clube, minimizando as críticas e demonstrando otimismo para o futuro.

Viés da Menção (Score: 0.8)

Motivo: Textor relata a reaproximação com Leila Pereira após acusações anteriores, mostrando um tom mais conciliador.

Viés da Menção (Score: 0.1)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Botafogo Palmeiras Ednaldo CBF Leila Pereira John Textor Eagle Alessandro Brito Thairo Arruda John Wooden

Conteúdo Original

Esporte Futebol 'Botafogo está bem. Desculpe se dizer isso incomoda', diz Textor sobre 2025 Pedro Lopes Do UOL, em São Paulo 21/10/2025 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Carregando player de áudio Depois de um ano histórico para o futebol brasileiro em 2024, com conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, John Textor vive turbulência no Botafogo. Na Justiça, trava uma disputa com outros acionistas da Eagle, seu grupo empresarial. Dentro de campo, viu o time que montou ser eliminado na Libertadores e na Copa do Brasil, e ficar fora da disputa pelo título brasileiro. Nesse cenário de pressão, o americano atendeu à reportagem do UOL em setembro para uma entrevista exclusiva. Hoje a Eagle é controlada por um diretor independente, em meio ao litígio entre os acionistas. A permanência do Botafogo dentro do grupo é incerta, e existe a possibilidade de que Textor deixa a própria empresa e precise recomprar o clube. "Essas decisões grandes, caras e estratégicas levam tempo. Espero que continuemos juntos e mantenhamos o mesmo sucesso, mas também é possível que o Botafogo se separe da Eagle, com novos parceiros que eu possa trazer", diz o americano. Daniela Lima Lula comete contradição brutal antes da COP30 Milly Lacombe Máximo respeito ao Vasco de Fernando Diniz Josias de Souza As urucubacas para Trump antes da agenda com Lula TixaNews No jogo do poder, quem levou foi Alcolumbre Textor também defende o planejamento do clube para a temporada, e não vê razão para considerar o momento atual de crise. "Tem sido um ano difícil, mas não vou me desculpar por estarmos em quinto ou sexto lugar, e estou muito confiante de que estaremos no G4 e que voltaremos à Copa Libertadores". Em mais de uma hora de entrevista, Textor falou sobre sua chegada ao Botafogo, a saga que vive desde 2022 no futebol brasileiro e o futuro que projeta à frente do alvinegro. Você chegou ao Botafogo pelo Linkedin, quando o Thairo (Arruda, atual CEO do Botafogo e então gestor da Matix Capital) te procurou para vender a ideia de investir no clube. O que fez um americano responder a brasileiros desconhecidos na internet? Oportunidades acontecem porque alguém traz uma ideia para você, talvez Deus, e ela chega exatamente no momento em que você está aberto a recebê-la. Não é tão misterioso. Tenho certeza de que Thairo não entendia a minha trajetória no futebol, que começou em 2005. Como começou? Uma academia de futebol para ajudar jovens sul-americanos que viviam aqui nos Estados Unidos sem documentos de imigração. Administrei como um projeto paralelo de 2005 a 2012. Aí tive um fracasso nos outros negócios. De repente, estava sem trabalho. Essa academia virou quase meu trabalho em tempo integral por alguns anos. Aprendi nela que, muitas vezes, os melhores jogadores do mundo são invisíveis. Não são descobertos. O desejo de que isso fosse visto culminou anos depois com uma mensagem do Thairo, dizendo que eu deveria olhar para o Brasil. Continua após a publicidade Quando você adquiriu o Botafogo e começou a operar o clube, como foi o choque com a cultura do futebol brasileiro? O que você pensou? O fracasso do meu negócio em 2012 (falência da Digital Domain, empresa de efeitos especiais da qual Textor foi presidente) foi algo muito constrangedor, mas eu me apoiei em uma citação do lendário técnico de basquete John Wooden (considerado o maior treinador da história do basquete universitário americano). Ele dizia: "Reputação é o que as pessoas pensam que você é; caráter é quem você realmente é." Eu passei por momentos muito humilhantes, mas eu sabia que tinha feito coisas boas. Isso me deu uma casca grossa. Acho que eu fui feito para o futebol, porque eu realmente não me importo com as coisas que incomodam a maioria das pessoas. No futebol, a gente tem essa expressão de que você é "escolhido" — e é verdade, sabe? — e eu não sabia que era. Nota da edição - Textor fica pensativo, mas continua a resposta e passa a contar quando se sentiu "escolhido". John Textor balança o bandeirão do Botafogo após a vitória sobre o Fortaleza, no Nilton Santos Imagem: Vítor Silva/Botafogo Você viu — talvez tenha visto, não sei — aquele jogo contra o Fortaleza, em que eu finalmente percebi, ali no campo, naquela noite, por que eu, o gringo, tinha sido trazido ao Brasil (Botafogo 3 x 1 Fortaleza, em maio de 2022, pelo Brasileirão): para mostrar isso ao mundo. Eu não fazia ideia do tamanho do Botafogo. Eu sabia em termos de escala e história, mas não no sentido espiritual. Eu percebi naquela noite, em Fortaleza, que eu estava envolvido em algo muito mais especial, e que isso exigia mais do meu esforço e do meu coração. É muito diferente do que eu tenho na França, na Inglaterra ou na Bélgica. Continua após a publicidade Você é creditado com a estruturação do departamento de scouting (observação e recrutamento) do Botafogo. Como funciona o departamento? Como ele atingiu tanto sucesso tão rápido? Alguém como o Alessandro Brito (olheiro chefe do Botafogo) olha para um jogador e vê: bom primeiro toque, corpo bem posicionado, técnica apurada no giro, levanta a cabeça. O Brito tem um olhar incrível, um conhecimento enorme de futebol. Já eu vejo componentes de tempo. Não me importa se ele é o jogador mais inteligente ou o mais fisicamente talentoso. O que me importa é quanto tempo ele leva para receber, girar e distribuir a bola — e se ele faz isso em menos tempo que os outros, com alta taxa de acerto. Talvez o Brito enxergue com os olhos; eu, com os números — e esses dois mundos se unem. Você também criou uma rede, que inclui grupos de Whatsapp, com os outros clubes da Eagle, sua rede? Sim. Aprendemos a confiar uns nos outros entre os diferentes clubes. Se o olheiro do Brasil gosta dele, o da França gosta dele, o da Inglaterra gosta dele e o da Bélgica também gosta -- não tem como os quatro estarem errados. Falando sobre 2023, você fez vários inimigos com as acusações de manipulação de resultados. Leila Pereira, do Palmeiras, Ednaldo, então na CBF. Em algum momento você pensou 'talvez tenha ido longe demais, como saio dessa'? John Textor e Leila Pereira em Palmeiras x Botafogo, pelo Mundial de Clubes Imagem: Reprodução Eu cresci com um transtorno de déficit de atenção muito forte, e isso pode te deixar muito míope. É como um cachorro correndo atrás de um osso — tudo o que vê é o osso, não vê o carro que vai te atropelar. Continua após a publicidade O motivo pelo qual eu voltei a me dar bem com a Leila é que ela percebeu que eu nunca a acusei ou o Palmeiras de nada. O que nós temos é uma pandemia mundial de manipulação de resultados. Seus subordinados no Botafogo dizem que você foi hábil em reconstruir relações e encontrar uma saída, que é um dos seus pontos fortes. Você diria isso? Eu fui muito duro com o Palmeiras depois de um jogo específico. E o Thairo foi muito bom em entrar em contato com a Leila, se comunicar em meu nome e nos reunir. E, honestamente, os torcedores talvez não queiram ouvir isso, mas estávamos no mesmo camarote na Copa do Mundo de Clubes. Esse foi o jogo mais tenso. Mas naquele jogo, por mais irritado que eu estivesse com nosso desempenho, eu também sabia que era um momento tenso para a Leila. Antes deles marcarem, nos olhamos, acenamos e sorrimos, e eu disse: "Oi, como vai, Leila?" — no momento mais tenso do jogo, estávamos conversando. As pessoas ainda são seres humanos. E ela nos venceu naquele dia — nos abraçamos de verdade, e eu acredito que foi genuíno. Depois dos títulos em 2024, o Botafogo caiu de produção neste ano. Também existem problemas fora de campo, com uma briga entre você e outros acionistas da Eagle. Você acha que falta paciência? Sente a pressão aumentando? Eu nunca zombaria dos nossos torcedores, mas algumas críticas são meio bobas. Somos um time que ganhou um campeonato com boas decisões e planejamento. Nos recuperamos de um 2023 incrivelmente difícil -- o maior início da história do futebol e o maior colapso, tudo ao mesmo tempo. Se eu tivesse passado meu tempo ouvindo apenas os torcedores, eu teria rescindido o contrato do Marlon Freitas imediatamente no final de 2023. Ele se tornou talvez a figura mais importante do vestiário, ajudando a construir a confiança do time para conquistar o título. E sobre o planejamento da temporada? Perguntam: "Por que você não conseguiu um técnico (no começo da temporada)"? Ninguém queria o cargo. Ninguém quer assumir esse cargo logo depois de ganhar o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores, o melhor ano em 120 anos. É um trabalho de alto risco, especialmente no Brasil. Continua após a publicidade Eu não consegui convencer ninguém, Tite, Tata Martino, Rafa Benítez... Minha primeira escolha foi somente porque ele queria muito o cargo. Ele disse: "Sim, eu aceito." Era o André Jardine, lá no México, queria voltar ao Brasil. Aí ele diz: "Na verdade, eu nunca quis o cargo." Não foi planejamento ruim, foi apenas falha na execução. Nota da edição: antes que a reportagem possa fazer outra pergunta, Textor continua Desculpe continuar falando, mas acho que o Botafogo está indo bem. Desculpe se isso incomoda algumas pessoas. Muitos dos jogadores de um campeonato querem sair no ano seguinte, porque dizem 'já fiz tudo que podia aqui no Brasil'. Ou 'estou na última oportunidade de ir para a Europa'. Alguns dos mesmos jogadores que ganharam o campeonato um ano antes estão em 85% do nível que tinham no ano anterior. Pessoas do Botafogo contam que, em alguns momentos difíceis, você atuou para estabelecer a narrativa. Na apresentação do ex-técnico Renato Paiva, em fevereiro, dizem que você mandou um funcionário buscar as taças para exibi-las durante a coletiva, é verdade? John Textor, dono da SAF do Botafogo, coloca taças da Libertadores e Brasileiro em exposição após coletiva Imagem: Reprodução / BotafogoTV Eu não gostei da atitude derrotista no clube, mesmo entre os torcedores. Quis mostrar: você é campeão até alguém ganhar o próximo troféu. Você é o "rei da montanha", até que alguém te derrube dessa posição. Continua após a publicidade Naquele momento, ainda tínhamos muito talento no elenco. Fiz isso por dois motivos: enviar uma mensagem ao mundo de que ainda somos o rei da montanha, e enviar uma mensagem ao meu técnico, de que eu tenho expectativa de desempenho no mais alto nível do Brasil. Para além das questões em campo, você e o Botafogo vivem turbulência fora dele, com uma briga com os acionistas estrangeiros da Eagle, sua empresa. O que você pode dizer sobre isso? Bem, eu diria que as pessoas precisam entender que o Botafogo está indo bem financeiramente. Nossas receitas aumentaram de US$ 20 milhões, quando começamos isso em 2022, para bem mais de US$ 200 milhões este ano. Provavelmente ficará mais próximo de US$ 240 milhões. O fluxo de caixa operacional e o lucro operacional da organização também estão muito altos. Isso tudo começou na França. O que aconteceu? O que fizeram na França, com o Lyon, foi pegar uma caneta vermelha e riscar os fluxos de caixa comprovados de dinheiro que estava indo do Botafogo ou de outros clubes do grupo Eagle para a França, dizendo: "Isso não conta". Eles também riscaram as vendas de jogadores, que somam US$ 100 milhões por ano na França, dizendo que "isso também não conta." E se você começar a descartar receitas confiáveis, fluxo de caixa na França, você pode fazer qualquer clube parecer insustentável. Agora, Botafogo e o Lyon precisam negociar entre si como se fossem clubes independentes. Nota da edição: o caso foi parar na Justiça brasileira. A Eagle, empresa de Textor e dona do Lyon e do Botafogo, opera desde maio com um diretor independente, escolhido em conjunto por Textor e pelos acionistas com os quais ele está em litígio. Sob essa nova direção, a empresa o afastou do Lyon, e depois recorreu à Justiça do Rio para avaliar ações no Botafogo. Textor dá a sua versão sobre a disputa. A disputa que as pessoas viram se desenrolar nos tribunais foi sobre autorizar novos métodos de captação de dinheiro. E as pessoas se confundiram, dizendo: "Ah, o John fez isso em nome da Eagle Cayman. Essa é a empresa dele." Continua após a publicidade Nunca foi verdade. A Eagle Cayman, que se chama Eagle Football Group nas Ilhas Cayman, foi criada em 2024 para que todos os interesses da Eagle fossem consolidados nessa única entidade, para abrir capital na Bolsa de Nova York. Eu estava operando novos instrumentos para levantar dinheiro para o Botafogo, e fiz isso em nome da Eagle Football Group nas Ilhas Cayman. Os advogados do novo diretor independente da Eagle nem sequer entenderam. Foi, portanto, um enorme mal-entendido. Você tem insistido que a briga está próxima do fim? Vou dizer, para ficar registrado: encerramos a disputa na semana passada (segunda semana de setembro) com um acordo com Christopher Mallon, o diretor independente. Ele me pediu para assinar unilateralmente, porque era a maneira mais rápida de fazer tudo que precisava ser feito para encerrar essa disputa judicial. Nota da edição: depois da entrevista, Christopher Mallon, diretor independente da Eagle, renunciou ao cargo por razões pessoais. Um novo nome será definido nas próximas semanas. O Botafogo vai permanecer na Eagle, com o Lyon e os outros clubes? E Textor, continua no Botafogo? Disse que queria morrer com o Botafogo, mas, sabe, os torcedores talvez me matem antes se a gente não ganhar a Libertadores todo ano. Então, veremos o que acontece -- eu preciso continuar fisicamente vivo (risos). Estou brincando. Meu objetivo é que a Eagle continue unida em seu ecossistema atual, porque essa relação de múltiplos clubes funcionou muito bem para o Botafogo. Queremos conquistar um campeonato sendo capazes de prometer um caminho para a Europa a jogadores. Continua após a publicidade Consideramos um cenário de separação, onde eu compraria o Botafogo com parceiros e o tiraria da Eagle, mas também trabalhamos ideias melhores para continuarmos juntos. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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