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A lista dos prováveis ou já confirmados desfalques das seleções que disputarão a Copa do Mundo FIFA 2026 é tão grande que nem convém repeti-la neste texto, inclusive pela chance de ser atualizada nas próximas semanas. Recomenda-se a consulta dos levantamentos realizados pelo GE . Em dados concretos, é difícil precisar se essa já seria a Copa do Mundo com maior número de baixas, mas a quantidade de jogadores lesionados, especialmente os de primeira prateleira, tem ligado o sinal de alerta sobre a condições física dos atletas na atualidade. Algo que o alemão Jürgen Klopp, ex-Liverpool e hoje diretor da rede multiclubes da Red Bull, praticamente profetizou em junho do ano passado: “ Temo que os jogadores sofram lesões sem precedentes na próxima temporada (...) Temos que dar-lhes descanso, porque sem isso eles não conseguirão ter um desempenho ideal a longo prazo. E se não conseguirem fazer isso, todo o produto perde o seu valor”. 1 de 4 Arda Guler ajudou a Turquia a se classificar para a Copa, mas não jogará o torneio — Foto: REUTERS/Kemal Aslan Arda Guler ajudou a Turquia a se classificar para a Copa, mas não jogará o torneio — Foto: REUTERS/Kemal Aslan Klopp se referia à realização da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025, torneio inaugural que reuniria os clubes de todo o planeta e levou nove representantes das cinco principais ligas do planeta (aquelas cujos clubes concentram os maiores talentos globais). O “novo mundial” se juntou à lista de críticas quanto ao excesso de jogos e a sobrecarga aos jogadores. Quatro forças incidem sobre os clubes europeus. Localmente, as federações locais, organizam as copas e supercopas nacionais e não pretendem reduzi-las, apesar das reclamações, levando-as inclusive para o exterior; e as próprias ligas de clubes, que não pretendem repensar o modelo de pontos corridos com 36 ou 38 rodadas. Internacionalmente, a UEFA e suas competições continentais de clubes e seleções, sempre com novas ideias sobre “playoffs” e para gerar mais encontros entre os maiores clubes, além da Nations League; e a própria FIFA, que agora quer abocanhar de forma mais intensa o mercado dos clubes. No ano passado o blog acompanhou a batalha dos bastidores do futebol relacionada a esse tema, em Como a Copa de Clubes virou palanque para debate sobre calendário internacional e também em Calendário internacional: o que sindicato dos jogadores recomendou e UEFA pode apoiar . 2 de 4 Estevão se lesiona em Chelsea x Manchester United na Premier League — Foto: Action Images via Reuters/Peter Cziborra Estevão se lesiona em Chelsea x Manchester United na Premier League — Foto: Action Images via Reuters/Peter Cziborra Em resumo, apesar de FIFA e UEFA serem igualmente culpadas pelo aumento do número de jogos, a confederação europeia manteve relativa aproximação da Federação Internacional das Associações dos Futebolistas Profissionais (FIFPro) e da Associação das Ligas Europeias (European Leagues). Em jogada política, a UEFA anunciou, às vésperas do Mundial de 2025, uma iniciativa para “definir melhor o conceito de ‘carga’ no futebol europeu de elite”, em parceria com as entidades aliadas. Vale lembrar que em outubro de 2024, European Leagues, FIFPro e La Liga fizeram uma queixa formal à Comissão Europeia, denunciando a a FIFA por abusos no calendário mundial. Já a FIFA conseguiu manter uma articulação mais próxima da Associação de Clubes Europeus (ECA), comandada por Nasser Al-Khelaïfi, presidente do Paris Saint-Germain – principal endosso recebido quanto à viabilidade e validade do Mundial de Clubes. Eis que na semana passada foi lançada em Madrid a International Association of Footballers (AIF), um novo sindicato global de jogadores de futebol, criado por David Aganzo, presidente do sindicato de jogadores da Espanha e ex-presidente da FIFPro. Aganzo foi expulso da entidade global em 2024. Adversários acusam a nova entidade de ter relação estreita e apoio com Gianni Infantino, presidente da FIFA. A AIF nega. Pelo sim e pelo não, no ano passado chamou atenção o fato de Gianni Infantino ter se reunido com “sindicatos de jogadores de todo o mundo” às vésperas da final do Mundial de Clubes, em informe publicado no site oficial da FIFA. Embora a publicação não tenha identificado quais países estavam representados na reunião “paralela”, imagina-se que se tratam das entidades que iniciaram o projeto da AIF. De acordo com reportagem de Fernando Kallas, da agência Reuters, além de Espanha, sindicatos de Brasil, Mexico e Suíça estiveram representados no evento de lançamento da AIF 3 de 4 Rodrygo se machuca na partida contra o Getafe — Foto: Reprodução Rodrygo se machuca na partida contra o Getafe — Foto: Reprodução Olhando para o cenário geral, o que parece é que a única alternativa realmente possível é uma nova regulamentação sobre uma carga mais adequada de trabalho para jogadores, inclusive sobre a quantidade de jogos por ano, tempo de recuperação e tempo de descanso de acordo com as viagens semanais. A FIFPro sugeriu isso num relatório recente, baseado em uma ampla pesquisa com 70 especialistas em medicina esportiva e em esportes de alto rendimento. De acordo com a pesquisa, 69% dos especialistas concordaram com a necessidade de uma definição de um limite de jogos por temporada, mas não encontrou um acordo quanto ao número considerado ideal; e 60% entenderam ser necessário um estabelecimento de um limite de convocações de seis jogos seguidos ( veja outros pontos no texto sobre o relatório ). Da batalha política nos bastidores à dura realidade dentro dos campos, a situação requer ações concretas para preservar a integridade física dos atletas e para garantir maior longevidade das carreiras – inclusive porque está pondo em risco a própria indústria, diante da condição dos dos melhores talentos da geração. Isso tudo ocorre em meio a uma importante efeméride: há exatos 100 anos a FIFA deu início à profissionalização dos jogadores de futebol, mudando consideravelmente o esporte mais consumido do planeta. Em maio de 1926 o Congresso da FIFA ficou marcado pela redefinição do conceito de amadorismo, que passou a permitir que jogadores pudessem ser remunerados como compensação à “perda de rendimentos”. Essa decisão, aliás, foi o que levou o Comitê Olímpico Internacional a agir de modo a proibir que futebolistas que recebessem pela atividade esportiva estariam imediatamente excluídos dos Jogos Olímpicos. Por consequência, a FIFA passou a discutir a viabilidade de um torneio internacional de futebol independente. Foram as primeiras cartadas para a criação da Copa do Mundo da FIFA, iniciada em 1930. Hoje, em um futebol altamente mercantilizado e capaz de gerar bilhões em receitas de televisionamento e publicidade em competições geridas por diferentes entidades autônomas, que impõem números exaustivos de jogos ao longo do ano, talvez seja o caso de repensar a condição dada aos atletas. Jogadores lesionados geram os mesmos custos de jogadores com regimes de descanso programado e cientificamente elaborados. Com a diferença de que uma lesão pode custar a continuidade de uma carreira ou, minimamente, comprometer sua qualidade para o resto da vida. Os desfalques da Copa do Mundo deveriam servir de exemplo, mas os bastidores políticos parecem apontar para outras questões. 4 de 4 Lamine Yamal se machuca em partida contra o Celta de Vigo — Foto: Reuters Lamine Yamal se machuca em partida contra o Celta de Vigo — Foto: Reuters