Conteúdo Original
Voz do Setorista: Bárbara Mendonça traz bastidores da demissão de Anselmi Nem mesmo a vitória sobre o Bragantino foi suficiente para manter Martín Anselmi como técnico do Botafogo . Demitido na manhã deste domingo, o treinador argentino era alvo de críticas de John Textor, dono da SAF, há semanas. A situação piorou com, no entender do empresário, a exposição exacerbada da defesa no triunfo por 2 a 1 no sábado, que afastou o time provisoriamente da zona de rebaixamento do Brasileirão. A escalação do Botafogo não teve meio-campista de características mais defensivas - Allan iniciou no banco de reservas. Danilo, que costuma brilhar mais próximo à área rival, teve que repetir a atuação como homem de proteção à zaga, formada por Barboza e Ferraresi. Dono da SAF do Botafogo, Textor se queixou a pessoas próximas de uma vulnerabilidade da equipe no estádio Cícero de Souza Marques. A falta de combatividade no meio-campo, corrigida apenas no segundo tempo, acabou forçando a linha defensiva a marcar alto, o que deixou o time exposto. O entendimento do dirigente é que a defesa regrediu na comparação com anos anteriores da SAF, apesar dos investimentos feitos no elenco. No atual Brasileirão, o Alvinegro sofreu 12 gols em seis jogos. Nas 18 partidas de Anselmi, a equipe levou 20 gols. O ano de 2024, temporada das conquistas do Brasileirão e da Libertadores, é visto como um exemplo de quando uma grande consistência defensiva não impedia o time de criar chances no ataque. + Quem deve ser o novo técnico do Botafogo? Vote! 1 de 3
Anselmi, técnico do Botafogo — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF Anselmi, técnico do Botafogo — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF Havia uma diferença de pensamento entre jogadores e diretores no Brasil - que davam respaldo a Anselmi, como o próprio técnico afirmou em sua entrevista coletiva - e Textor, que não mudou de ideia nem mesmo após uma ligação com os capitães. Tanto que um ponto central da discussão foi o fato de o empresário americano ter acompanhado a maior parte do trabalho de Anselmi à distância. O dono da SAF, residente do estado da Flórida, nos Estados Unidos, não esteve presente na maior parte dos treinos no Espaço Lonier. Ou seja: Textor se queixava, mas não estava imerso fisicamente no cotidiano para acompanhar todos os detalhes. Conforme apurou o ge , Textor disse a pessoas próximas que o argentino não abriria mão de sua “teimosia”. Do Brasil, membros da diretoria repassaram relatos positivos sobre as ideias de Anselmi e a adesão do elenco a elas, ainda que o grupo por vezes tenha mostrado dificuldade de colocar tudo em prática. Mesmo assim, a paciência do americano se esgotou. A goleada por 4 a 0 sobre o Cruzeiro, na estreia do Brasileirão, gerou grandes expectativas sobre a capacidade do Botafogo de bater de frente com os times mais fortes do país. Textor não ficou satisfeito com o nível de competitividade do time quando posto à prova diante de outros grandes rivais, como Flamengo e Palmeiras. A pessoas próximas, Textor opinou que Anselmi não cumpriu com a principal promessa de sua entrevista de contratação: ser um técnico flexível. O trabalho no Botafogo foi visto, de certa forma, como um déjà vu do fracasso do sistema de três zagueiros de Anselmi, que também aconteceu no Porto. + Botafogo demite técnico Martín Anselmi 2 de 3
Martín Anselmi em Grêmio x Botafogo — Foto: Maxi Franzoi/AGIF Martín Anselmi em Grêmio x Botafogo — Foto: Maxi Franzoi/AGIF Textor avaliou que Anselmi, mesmo quando utilizou dois zagueiros, como diante do Bragantino, não encontrou formas de solidificar o trabalho do meio-campo. Aos olhos do americano, conforme relatado a fontes ouvidas pelo ge , Anselmi priorizou as próprias predileções em detrimento de um estilo que favorecesse as peças do Botafogo. O uso de atletas improvisados - o mais comum deles sendo Mateo Ponte, lateral que atuou como um dos três zagueiros - foi talvez o maior incômodo. Como ponto positivo, houve um maior índice de utilização da base por parte de Anselmi. Pode-se dizer, no entanto, que por vezes o uso foi forçado: jovens jogadores ganharam espaço principalmente quando o Botafogo tinha um elenco mais curto, penalizado com transfer ban e com múltiplos casos no departamento médico. O zagueiro Justino foi quem mais ganhou espaço sob o comando do argentino, tornando-se opção no decorrer dos jogos. Durante a estadia do Botafogo em São Paulo, fontes ouvidas pelo ge até duvidaram que Anselmi chegaria empregado ao jogo contra o Bragantino. A demissão era uma questão de “quando”, não mais de “se”. Por fim, Textor optou por desligar o técnico apenas ao fim da viagem casada para evitar um possível desgaste no ânimo do grupo, mas já observava possíveis movimentações de mercado há alguns dias. + Análise: Botafogo não passa imune a sustos, mas faz dever de casa para tentar aliviar pressão 3 de 3
Martín Anselmi em Bragantino x Botafogo — Foto: Anderson Romão/AGIF Martín Anselmi em Bragantino x Botafogo — Foto: Anderson Romão/AGIF No Brasil, a cúpula de futebol da SAF era favorável à manutenção do trabalho, mesmo entendendo que o time precisava entregar mais resultados. No geral, os dirigentes entendiam também que a instabilidade da SAF implicava no desempenho do time como um todo. O elenco do Botafogo via Anselmi como o “menos culpado” em meio ao turbilhão dos bastidores e a crise financeira. Os jogadores não queriam "passar de novo" pelo cenário de troca de comando, assim como a readaptação aos métodos de uma nova comissão e ideias. — (Relação) Com meus jogadores? Posso responder tantas coisas... Qualquer treinador sabe perfeitamente quando não tem o respaldo dos jogadores e aí você não pode continuar trabalhando no time. Se o jogador não acredita não há o que fazer. Se estou aqui, e tenho isso muito claro, é algo que sei, é porque nossa relação, nosso trabalho e nosso dia a dia com os jogadores e com a diretoria é top. A gente trabalha todos os dias para ser melhor. Eles são um grupo quer. Eu gosto disso. Eles sempre querem e sabem a classe de profissionais que somos. Nosso foco é no rendimento, em melhorar, e aí acontecem coisas boas. Jogadores na seleção, coisas individuais... Isso também acontecem. Reuniões, essas coisas... Só sei que estou orgulhoso e é um prazer trabalhar com eles — afirmou Anselmi. Com a demissão de Anselmi, o Botafogo terá que pagar uma multa rescisória que corresponde até o fim do contrato do treinador, em dezembro de 2027. Enquanto o novo técnico não é contratado, Rodrigo Bellão, do sub-20, será o interino. O Alvinegro, com o argentino, caiu precocemente na Libertadores e conquistou a Taça Rio. + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp 🗞️ Leia mais notícias do Botafogo 🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧 Assista: tudo sobre o Botafogo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos