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Análise dos Times

Bragantino

Principal

Motivo: O artigo foca na polêmica envolvendo um jogador do Bragantino, mas a análise de viés do time em si é neutra, abordando os fatos e as possíveis reações.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: O Atlético-MG é mencionado apenas como adversário na partida em que ocorreu o incidente, sem ser foco da análise de viés.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Milly Lacombe Bragantino Atletico-MG Gustavo Marques FPF Daiane Muniz Lei Maria da Penha

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O que vamos fazer com o jogador machista do Bragantino? Milly Lacombe Colunista do UOL 22/02/2026 13h00 Deixe seu comentário Gustavo Marques comemora gol do Bragantino sobre o Atlético-MG em partida do Brasileirão Imagem: Joisel Amaral/AGIF Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Gustavo Marques virou uma unanimidade da noite para o dia. Depois de cometer uma das maiores atrocidades verbais já ditas sobre mulheres durante uma entrevista de pós jogo, o atleta conseguiu o que é raro nesse meio: uma opinião monolítica e furiosa contrária à misoginia que saiu de sua boca. Notas de repúdio rapidamente foram publicadas. Da Federação Paulista, do clube, de jornalistas. Todos reconhecem que o que Gustavo disse é uma atrocidade. Mas sabemos entender por que é uma atrocidade e, mais ainda, o que devemos fazer agora com o atleta? Quando Marques escolhe culpar a arbitragem da partida pela eliminação do Bragantino no campeonato ele está falando de cabeça quente. Já vimos isso acontecer inúmeras vezes. Jogadores saem e dizem: a arbitragem foi uma merda e nos prejudicou. Até aí, tudo bem. Quando a arbitragem considerada ruim foi exercida por um homem, o que a gente escuta é "O fulano fudeu a gente". O fulano sempre tem nome. Não ouvimos coisas como: "colocar um homem para apitar esse jogo grande é brincadeira!". Homens erram no CPF. Erram nominalmente. Mulher, quando erra, erra pelo gênero. Juca Kfouri Pedidos de desculpas por marketing são insuficientes PVC O Flamengo e o Barão de Coubertin Igor Gielow Rússia vira Eldorado dos EUA para o pós-Guerra Elio Gaspari Trumpistas compram briga errada com Bad Bunny E vejam: não vou cair na tentação de avaliar Daiane Muniz tecnicamente. Gustavo pode achar que ela foi bem ou foi mal, direito dele criticar atuações do mesmo modo que nós aqui podemos criticar a atuação dele em campo. Tudo faz parte do jogo. Mas agora já não importa saber se ela foi bem ou foi mal (foi bem, tá?). Parar de falar sobre o machismo de Gustavo para analisar a performance de Daiane é abrir espaço para que amanhã, se uma juíza apitar mal, outro babaca se ache no direito de culpar todas as mulheres do mundo pela má atuação de uma mulher no apito. A misoginia em Gustavo está viva e forte. Ele é o rapaz que disse o que disse de cabeça quente. O que está até agora se desculpando é a versão dele que foi criticada por todos ao redor, pelos chefes, pelos patrocinadores, pela mãe, pela mulher, pela geral. Marques está zonzo, não sabe o que dizer, não sabe o que pensar. Essa versão pós banho de Gustavo até pode querer se transformar, mas ela não sabe como. E aí que entra a parte mais sensível dessa conversa. O ódio que sentimos por declarações estúpidas como a dele é real e imediato. O desabafo de Barbara Colho na Cazé TV é o de todas nós. Queremos punição. E punição deve haver. Mas o que mais? Gustavo não vai entender sozinho toda a complexidade e a violência do que disse. Não vai, sozinho, associar a declaração machista à morte de quatro mulheres por dia e ao estupro de uma a cada seis minutos. Ele vai querer desesperadamente se afastar, aliás, dessas associações. Mas o machista que quer se reformar precisa se aproximar desse horror e não se afastar. Precisa se implicar no estado brutal de uma sociedade doente que coisifica, mata e estupra mulheres todos os dias. Continua após a publicidade Vejo muitos homens sabidamente machistas apontando o dedo para Gustavo e berrando "machista!". Em algumas noites de lua minguante fica fácil ver o machismo no outro. Mas e aquele que o espelho está refletindo? E aí vamos descer mais uma camada nessa análise. Gustavo é um homem negro que provavelmente vem de situação periférica como quase todos nesse meio. Deve ter passado por muita coisa para chegar onde está. Ontem mesmo a gente estava falando do racismo no caso do argentino Prestianni contra Vini. Vamos punir esse cara afastando ele do jogo e lutando para que perca o emprego? Eu acho que seria mais justo que Gustavo fosse punido por alguns jogos, fosse obrigado a reverter parte do salário para causas sociais que envolvam a Lei Maria da Penha, obrigado a fazer aulas sobre feminismo e a trabalhar socialmente para conhecer de perto a realidade de mulheres nesse país. Uma lei que apenas pune não cumpre sua função de transformar a sociedade. Precisamos associar punir com letramento e ações. Gustavo Marques afundou com tudo na lama de sua misoginia. Estará disposto a sair e a tirar outros de lá? O Bragantino vai trabalhar para que ele e os demais aprendam com a situação ou vai ficar só na nota de repúdio? A FPF vai promover cursos sobre feminismo para os seus ou também ficará apenas na revolta verbal? Precisamos de todos e de todas para sair dessa lama. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Transmissão ao vivo de Barcelona x Levante pela La Liga: veja onde assistir Lancha colide com píer, e seis pessoas morrem na divisa entre SP e MG Bobsled tem resultado histórico, e Brasil se despede dos Jogos de Inverno Homem é morto após tentar invadir casa de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida O Flamengo e o Barão de Coubertin