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Opinião Esporte Autonomia com responsabilidade: o desafio da regulação do futebol em debate Andrei Kampff Colunista do UOL 23/10/2025 11h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Regular o futebol é um desafio que ultrapassa fronteiras, constituições e idiomas. Estamos diante de um fenômeno global que, ao mesmo tempo em que é movido pela paixão, é regido por uma estrutura jurídica própria, com códigos, tribunais e princípios que o tornam uma das manifestações mais complexas do direito contemporâneo. A grande questão é como conciliar essa ordem esportiva internacional com as legislações nacionais , sem destruir a autonomia do esporte, nem ignorar os direitos fundamentais que sustentam qualquer Estado democrático. A primeira questão que precisa ser entendida em todo debate é: como o esporte se organiza e quais limites que ele tem? E como o estado protege a autonomia sem abandonar direitos? Participei, a convite do deputado Eduardo Bandeira de Mello, de um debate no Congresso Nacional sobre a regulamentação internacional do futebol . O encontro ouviu também Emanuel Macedo de Medeiros, cofundador e CEO global eleito da SIGA - Sport Integrity Global Alliance; para discutir até que ponto a autonomia esportiva pode - e deve - conviver com a soberania estatal. Esse encontro entre poder público e movimento privado do esporte é fundamental para proteger a necessária autonomia do esporte e reforçar o dever permanente do estado de fiscalizar e proteger direitos fundamentais. Daniela Lima Lula arroja para projetar poder em momento crucial Sakamoto Flávio imita Eduardo e comete traição Nelson de Sá Plano chinês é vencer a guerra tecnológica José Paulo Kupfer Bolhas mantêm mercado financeiro em suspense O futebol é, por natureza, transnacional. A regra do impedimento, o cartão vermelho e o fair play valem em qualquer campo do planeta. Essa uniformidade é o que garante previsibilidade, segurança e identidade global. Mas a autonomia esportiva não é soberania. Ela só se sustenta quando está ancorada em princípios universais, especialmente os direitos humanos . Por outro lado, o Estado também precisa compreender a natureza universal do esporte. Legislar sobre futebol não é invadir a autonomia do jogo - é construir convergência. É buscar segurança jurídica e respeito mútuo entre sistemas que se sobrepõem e se completam. Casos recentes mostram o quanto esse equilíbrio é delicado. O episódio de Caster Semenya, na Europa, revelou o risco de decisões esportivas que ignoram direitos fundamentais. A atleta sul-africana foi impedida de competir por normas que desconsideraram sua dignidade, igualdade e direitos fundamentias. Foi preciso que um tribunal estatal corrigisse o erro. A lição é clara: a autonomia do esporte só se sustenta quando dialoga com os direitos humanos. Mais recentemente, a tentativa do ex-presidente Donald Trump de proibir atletas trans de competirem nas Olimpíadas de Los Angeles acendeu outro alerta.Concorde-se ou não com a participação dessas atletas, essa não é uma decisão de Estado, mas é uma decisão do esporte. Se aceitarmos que governos definam quem pode competir, abrimos precedentes perigosos: um país poderá impedir a entrada de atletas homossexuais ou proibir mulheres de disputar competições, sob justificativas culturais ou religiosas.. Países que sediam eventos globais precisam aceitar regras globais. Esse é o cerne da discussão sobre a regulação internacional do futebol: autonomia, sim — mas com responsabilidade; universalidade, sim, mas com respeito aos direitos fundamentais. Continua após a publicidade O Brasil tem dado um exemplo importante nesse diálogo. A Lei Geral do Esporte, apesar de vetos que merecem revisão, representa um avanço na aproximação entre o direito nacional e o direito esportivo. O caso do prazo para rescisão contratual por atraso de salário é simbólico: o sistema internacional previa dois meses; nossa lei falava em três. Depois de diálogo, chegamos a um entendimento. Hoje, a norma brasileira conversa com a norma esportiva global. Esse é o caminho. O da cooperação entre sistemas, sem imposição e sem isolamento. Porque o que o futebol - e o mundo - mais precisam é o mesmo que sustenta o próprio direito: entendimento, segurança e respeito aos direitos fundamentais. O jogo é universal. O desafio é garantir que a justiça também seja. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Ex-campeão de xadrez é investigado por bullying após morte de grão-mestre Sete apostas acertam Lotofácil e ganham R$ 1,3 milhão; veja números Ex-funcionário do iFood é alvo de investigação sobre espionagem corporativa STF forma maioria para permitir nomeação de parentes em cargos políticos Trump diz que fará ação terrestre contra cartéis, mas não cita a Venezuela