Conteúdo Original
A movimentação de Neymar na contratação dos novos reforços do Santos mexeu também com as pretensões do clube no Campeonato Brasileiro . Os jogadores contratados com a ajuda do camisa 10 já fizeram efeito no time, que deixou a briga contra o rebaixamento e agora sonha com uma vaga na CONMEBOL Libertadores .
A ESPN conversou com três dos quatro candidatos confirmados à presidência do Peixe para o triênio de 2027 a 2029 e ouviu as opiniões sobre a participação de Neymar nas contratações de Arthur , Everton Cebolinha , Philippe Coutinho , Lima e Rodinei . Ivan Luduvice foi o único que não respondeu à reportagem.
Para o empresário Maurício Maruca, que disputa a eleição do Santos pela segunda vez, não cabe a Neymar atuar como diretor de futebol e ser o principal responsável pelas últimas cinco contratações do Peixe.
“O Santos precisa ter uma estrutura profissional de futebol, com um diretor e uma comissão trabalhando de forma clara, integrada e responsável. O Neymar é um jogador importantíssimo para o Santos e espero que continue nos ajudando dentro de campo, mas não cabe a ele assumir o papel de diretor de futebol. Cada um precisa estar concentrado naquilo que pode entregar de melhor ao clube”, declarou à ESPN .
José Renato Quaresma, empresário e ex-diretor da base alvinegra até o começo deste ano, afirmou que a ajuda do camisa 10 nas contratações é bem-vinda, mas as negociações deveriam partir do clube e não do atleta.
“O Neymar é um ídolo. Ele nasceu aqui, no Santos, sabe da sua importância, ele sabe do seu tamanho e da sua influência. Que jogador no mundo não gostaria de jogar ao lado do Neymar? Isso tem um peso muito grande, como ídolo e santista que ele é, que ajudou o Santos. E como faltou um projeto qualificado e adequado para auxiliar também o ganho esportivo do Neymar, nesse momento essa ajuda é muito bem-vinda e o torcedor reconhece os esforços que ele e seu pai estão fazendo. Que, na verdade, deveria vir diretamente do clube.”, disse Quaresma.
Já Wladimir Mattos, administrador e empresário que também volta a disputar a presidência após participar da eleição de 2023, celebrou as contratações. Como torcedor, ele avaliou que os reforços têm condições de vestir a camisa do Santos.
“O Santos hoje recuperou e, eventualmente, pode até vir a brigar por uma vaga na Libertadores. São jogadores que trouxeram resultado. Independentemente de quem trouxe, se foi com a participação do Neymar ou se foi a própria diretoria, era o que nós precisávamos. O que não podia continuar acontecendo era trazer jogadores sem a menor condição de vestir a camisa do Santos. Como, por exemplo, jogadores em final de carreira, como foi o caso do Mayke, o próprio Tiquinho Soares, ou mesmo o Billal Brahimi e tantos outros que passaram por aqui, sem a mínima condição de entrega. Entre tantos erros, dessa vez essa gestão acertou”, declarou o empresário.
Apesar de aprovar o desempenho e os nomes dos reforços, Wladimir revelou sentir incômodo com a situação quando analisa o cenário como possível dirigente, e não como torcedor.
“Quando você pensa em gestão e governança, ter uma pessoa que, de alguma forma, interfere na gestão sempre é preocupante. Mas, obviamente, quando você olha sob o ponto de vista financeiro e vê que o dinheiro que a família (do Neymar) trouxe ajudou a resolver a questão do transfer ban, ajudou na contratação de jogadores, precisa ser pensado como um negócio. Mas, é claro que, sob o ponto de vista de governança, eu sinto um certo incômodo. Como santista, eu sou muito grato porque esse dinheiro chegou num momento de crise aguda do clube. Ele nos ajudou e, de certa forma, o Neymar exerceu a função que Paulo Nobre exerceu no Palmeiras no passado, uma espécie de mecenato”, revelou Mattos.
Maurício Maruca também entende que o Santos precisava contratar o quinteto, mas deixou claro que não concorda com a maneira como as negociações foram conduzidas. O candidato demonstrou preocupação com a falta de planejamento da atual gestão.
“O time precisava de contratações para fortalecer o elenco nessa luta para se afastar da zona de rebaixamento. Mas uma coisa é reconhecer a necessidade de reforçar o elenco e outra é concordar com a forma como isso foi feito. O que me preocupa é a falta de planejamento e de uma estratégia clara para o futebol. Foram contratações em função da necessidade imediata, com contratos até o fim do ano, e isso mostra que o clube está tratando problemas estruturais de maneira emergencial. Precisamos de planejamento, critério nas contratações e uma estrutura profissional de futebol que permita ao Santos tomar decisões pensando no médio e no longo prazo, e não apenas apagar incêndios a cada momento”, concluiu Maruca.
Já Quaresma ressaltou que é preciso analisar as contratações dos novos nomes neste momento para entender se não se trata de uma estratégia para promover a eleição do atual presidente, além de avaliar as consequências financeiras dessas ações para o futuro da equipe santista.
“Jogador de qualidade é sempre bem-vindo, jogador com qualidade comprovada e jogador vencedor. Com o elenco que temos agora, a gente tem uma possibilidade de chegar na Libertadores. O importante é fazer algumas reflexões. Por que essas contratações de renome ocorreram somente agora, sem planejamento e no desespero... Ela é eleitoreira? Outra coisa, quais serão as consequências financeiras dessas ações tomadas no futuro do Santos, ano que vem, de 2027 até 2028? São perguntas que precisam ser feitas, já que falta muita transparência no clube.”, declarou Quaresma.
Maurício Maruca lançou sua campanha, intitulada “Aliança Santista”, no dia 11 de agosto. O candidato participou da eleição de 2023 e ficou em segundo lugar, com 1.378 votos. Rodrigo Marino, que terminou na terceira posição, com 1.073 votos, na última eleição, será o vice da chapa.
O plano de gestão prevê a reorganização financeira do clube, com a renegociação das dívidas e a redução dos custos.
A chapa contará com a empresa OutField como parceira na área de consultoria financeira. Caso vença a eleição, Luciano Paciello, que trabalhou na gestão de Paulo Nobre no Palmeiras, deverá assumir a responsabilidade pelo setor no Santos. A empresa terá como objetivo auxiliar na reorganização das dívidas do clube, estimadas em R$ 1,2 bilhão, buscar novas fontes de receita, aprimorar processos, estabelecer indicadores e implementar mecanismos de governança.
O empresário José Renato Quaresma esteve no comando das categorias de base do Santos como diretor de futebol da base do clube de 2024 até começo de 2026. Quaresma deixou o cargo por discordar da atual diretoria e, atualmente, realiza críticas ao momento financeiro do Peixe.
Com o slogan “Da base ao topo”, o candidato tem como objetivo organizar prioridades, definir responsabilidades e permitir que o associado acompanhe o trabalho desde o início.
Wladimir Mattos também participou da última eleição e terminou em quinto lugar, com 562 votos. Para 2026, o candidato planeja um projeto de reconstrução baseado em três pilares: Casa em Ordem, Identidade Santos e Santos Protagonista.
O administrador pretende reduzir o endividamento e tornar o Peixe um clube estável, com profissionalização, governança e transparência. Além disso, propõe estabelecer uma filosofia e uma identidade tática que sejam seguidas tanto pela equipe profissional quanto pelas categorias de base.
Já Ivan Luduvic tem 42 anos e é procurador do Estado de Minas Gerais e do Tribunal de Justiça Desportiva do estado. Ele é sócio do Santos desde 2005 e disputa a eleição presidencial pela primeira vez.