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Futebol Futebol inglês restringiu bets em 3 anos; cenário é possível no Brasil? Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 24/09/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× 13 dos 20 clubes da Série A têm patrocínio de casas de apostas Imagem: Getty Images Enquanto o Brasil começa a discutir possíveis restrições às casas de apostas, a Premier League iniciou sua primeira temporada com o veto às bets como patrocínio máster das camisas de seus 20 clubes. A decisão, de abril de 2023, partiu das próprias equipes inglesas, com três anos para que se adaptassem à nova realidade. O prazo de transição terminou do fim da última temporada para a atual, e a maioria dos clubes que até então tinham casas de apostas como patrocinadores principais encontraram substitutos em outros setores: Aston Villa, Bournemouth, Brentford, Crystal Palace, Everton, Fulham, Nottingham Forest e Sunderland. Dessa lista, apenas o Sunderland segue sem o patrocínio máster. O clube tinha como patrocinadora a W88 até a temporada passada, mas ainda não achou uma nova marca. Juca Kfouri Quatro bets, das maiores, encalacradas na Justiça Graciliano Rocha Avanço de Lula contra bets mira voto feminino Thais Bilenky Messias x Andrei é 2ª parte de Mendonça x Moraes Josias de Souza Trump fantasiado de Rambo é um problema Diferenças para o Brasil Se na Inglaterra a restrição partiu de uma autorregulação entre os clubes, o debate avança no Brasil via legislativo: além de propostas recentes de parlamentares , como o PL 2.470/2026, o presidente Lula (PT) reafirmou, na última semana, seu interesse em proibir as casas de apostas no país . Classificação e jogos Brasileirão Os clubes, por sua vez, responderam e se mostraram contrários, argumentando que isso se trataria do "fim do futebol brasileiro" . A elite do futebol brasileiro tem um terço de suas receitas comerciais advindas das casas de apostas — R$ 1,03 bilhão de R$ 3,06 bilhões arrecadados por patrocínios —, o que aponta para um grande impacto de uma eventual proibição a este mercado no caixa dos clubes da Série A desse mercado. A mudança de lá cabe aqui? Com o cenário de crise financeira enfrentada por boa parte dos principais clubes brasileiros , mesmo com as altas cifras injetadas pelas bets, é possível, afinal, projetar um cenário em que essas restrições ocorram aqui? Continua após a publicidade Para especialistas ouvidos pelo UOL , é possível fazer essa transição, mas o caminho parece mais complexo — e mais dependente do Estado — do que o modelo inglês. Para Cesar Grafietti, economista e consultor de gestão e finanças do esporte, a comparação com a Premier League tem limites: "Na Inglaterra não era algo de fato tão relevante quanto aqui. Acabava entrando [mais dinheiro das bets] para os clubes menores. E, lá, foi uma decisão dos próprios clubes." No Brasil, avalia, dificilmente o movimento seria interno, como na Premier League: "Eu não imagino, por exemplo, o Flamengo, com mais de R$ 200 milhões de receita, levantando a bandeira para pedir a proibição dos patrocínios. Deveria ser um caminho pelo legislativo — o próprio governo já discute uma medida provisória." Grafietti defende restrições graduais em vez de um corte abrupto ao lembrar que o mercado foi "instalado" recentemente no Brasil. Dois anos depois de regulamentada a indústria no país e com as empresas do ramo já pagando impostos, pondera ele, seria muito pouco provável cortar os patrocínios de imediato. "Isso deveria ter sido pensado lá atrás. É possível fazer uma construção gradual cortando primeiro patrocínio e publicidade online, depois de TV, e só então chegando aos clubes, num processo de 18, 24 ou 36 meses, para que a indústria e quem recebe os patrocínios se adequem. Mas, do ponto de vista de os clubes estarem preparados para lidar com essa restrição, neste momento, não estão." Continua após a publicidade Amir Somoggi, sócio-fundador da Sports Value e especialista em marketing e gestão esportiva, defende uma proibição completa — e relativiza o exemplo inglês: "Eu não gosto muito da Premier League como exemplo, porque eles não tiraram a bet, só tiraram da frente [da camisa]." O especialista aponta exemplos de Espanha e Alemanha, que possuem restrições mais rígidas. Para ele, a comparação certa é com outros setores já banidos da publicidade esportiva. "Tem que proibir completamente o patrocínio e a publicidade, como aconteceu com o tabaco, como deveria acontecer também com a cerveja. Sou totalmente contrário ao uso do esporte como plataforma para marcas viciantes, que produzem males para a sociedade", afirma. Somoggi reconhece o impacto financeiro inicial, mas aposta na substituição por outros setores, como já ocorreu em alguns mercados europeus: "Todos os mercados que limitaram a bet sofreram no primeiro momento, porque é um dinheiro fácil, com contratos muito valiosos. Na Espanha, por exemplo, a receita de patrocínio caiu 30%, mas outras marcas cobriram essa perda. No Brasil aconteceria o mesmo — você perde o bet, mas tem veículos, plano de saúde, bancos, varejo, comida, bebida, saúde e bem-estar." Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Criadora 60+ recebe críticas por look 'jovem demais' na academia e rebate Enquete UOL - A Fazenda 2026: Quem você quer que fique na 1ª roça? 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