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Futebol São Paulo: parecer diz que Casares não justificou R$ 7 milhões em saques Pedro Lopes , Valentin Furlan e Gabriel Sá Do UOL, em São Paulo 25/03/2026 22h56 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Julio Casares, presidente do São Paulo, em Majestoso na Arena Corinthians Imagem: ETTORE CHIEREGUINI / AGIF / ESTADÃO CONTEÚDO Na reunião do Conselho Deliberativo realizada na noite desta quarta-feira (25), o São Paulo apresentou seu balanço financeiro de 2025, o último sob a gestão de Julio Casares. Entre os dados expostos, um ponto chamou atenção dos conselheiros: a falta de justificativa para parte relevante de saques realizados nas contas do clube. De acordo com o que foi apresentado pelo departamento financeiro, houve saques destinados à antiga presidência que totalizam R$ 11 milhões. Deste valor, apenas R$ 4 milhões possuem justificativas detalhadas, relacionadas a despesas como pagamento em espécie de arbitragem e premiações a jogadores. Os outros R$ 7 milhões - ou mais precisamente, R$ 6,95 milhões, foram classificados genericamente como "fundo promocional da presidência", sem explicação sobre o destino dos valores ou documentação comprobatória que detalhasse sua utilização. Os saques de R$ 11 milhões são alvo de inquérito policial , conforme revelado com exclusividade pelo UOL em janeiro. A investigação também aponta recebimentos de cerca de R$ 1,5 milhão em dinheiro na conta do ex-presidente Julio Casares , mas não relaciona os saques aos recebimentos. Josias de Souza Delatores saltam do Master como pulgas de vira-latas Juca Kfouri O Brasil não conhece o Brasil. A Nike muito menos Milly Lacombe Vínculos não se constroem com ações de marketing Gustavo Miller 'Love Story' e o roteiro de ficção que a internet matou A ressalva foi apontada em auditoria realizada nas contas pela empresa RSM. "Conforme descrito na nota explicativa número 26, durante o exercício corrente e em exercícios anteriores foram efetuados saques em contas bancárias do SPFC cuja natureza e finalidade e documentação de suporte não estavam integralmente disponíveis para exame no curso de nossos trabalhos. Não nos foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente que corroborasse parte desses saques, em razão da ausência de documentos comprobatórios que permitissem validar a efetivação destinação dos recursos", diz trecho do relatório. A reportagem do UOL ouviu diversos conselheiros presentes na reunião. Segundo os relatos, o diretor financeiro do clube, Sérgio Pimenta, afirmou que não sabe precisar para onde foram destinados os valores sacados. A reunião não teve transcrição oficial, o que limita a verificação documental das falas. O UOL procurou o ex-presidente Julio Casares, que estava em trânsito e fora do Estado. Sua defesa disse que se manifestaria após avaliar o conteúdo discutido, mas ressaltou que Sérgio Pimenta é o contador geral e diretor financeiro do clube. O São Paulo FC foi acionado, mas ainda não se manifestou oficialmente. O diretor financeiro Sérgio Pimenta também foi procurado. A matéria será atualizada em caso de resposta. Parecer recomenda rejeição Em documento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, e ao presidente do Conselho Fiscal, Pedro Sansão, o conselheiro e membro efetivo do Conselho Fiscal, Paulo Faria, recomendou a rejeição das contas de 2025. Continua após a publicidade No parecer, ele destaca que a auditoria independente apontou uma ressalva considerada grave, relacionada justamente à impossibilidade de comprovar a destinação de saques realizados nas contas do clube. "A ressalva apresentada pela Auditoria na página 2 do seu parecer que atesta a impossibilidade de corroborar a devida contabilização de saques ocorridos na conta bancária da instituição (em 2025 e em anos anteriores), em face da ausência de documentos comprobatórios que permitissem validar a efetiva destinação dos recursos, é contundente e não deixa margem para opinar pela aprovação das contas de 2025", diz o documento.. O conselheiro afirma que essa ressalva, presente logo no início do relatório da auditoria, contraria o entendimento do Conselho de Administração, que sustenta que as demonstrações financeiras refletem de forma adequada a situação do clube. Grupos políticos se posicionam Em meio à repercussão interna, grupos políticos do São Paulo começaram a se movimentar. Em documento encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, o grupo Legião Tricolor solicitou que a aprovação do balanço de 2025, caso ocorra, seja feita com ressalvas formais registradas em ata. No texto, o grupo afirma que a medida é necessária para resguardar o clube e os próprios conselheiros, citando a impossibilidade de comprovação documental de parte dos saques e a necessidade de preservar a responsabilidade futura dos gestores. Também pede que a Diretoria Executiva apresente, em até 30 dias, esclarecimentos detalhados sobre a destinação dos recursos. Continua após a publicidade O documento ainda ressalta que a aprovação sem ressalvas poderia gerar interpretação de quitação plena dos atos da gestão, o que, segundo o grupo, não seria adequado diante dos apontamentos da auditoria e do Conselho Fiscal. A reportagem apurou que o grupo Participação também deve encaminhar um documento ao presidente do Conselho nas próximas horas, reforçando o movimento político em torno do tema. Além disso, grupos políticos relevantes do clube agendaram reuniões para a noite desta quarta-feira, logo após o término do encontro do Conselho, para discutir os desdobramentos da apresentação do balanço e alinhar posicionamentos. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Robô humanoide acompanha Melania Trump em evento sobre IA na Casa Branca Justiça nega pedido urgente para soltar tenente-coronel, diz advogado Pela primeira vez, Ana Paula cumpre Barrado no Baile e retorna para a Festa Retiro dos Artistas se pronuncia após falas polêmicas de Marcos Oliveira Falar em negociação agora equivale a admitir derrota, diz Irã sobre os EUA