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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Por que jornalistas estão sendo agredidas no futebol? Alicia Klein Colunista do UOL 09/12/2025 12h00 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Bernabei, do Inter, tira fone de ouvido de jornalista durante comemoração Imagem: Reprodução/"X" A resposta curta é: porque não dá em nada. Porque é mais fácil e mais barato agredir uma mulher. Especialmente no futebol. Estádios sempre foram ambientes hostis para mulheres. A ideia de que isso mudou é tão real quanto a ideia de que mulheres hoje estão mais seguras. É só uma ideia. Na prática, estamos marchando pelo direito de não sermos assassinadas. Não podemos nos dar ao luxo de gritar por direitos iguais. Primeiro, precisamos nos manter vivas. Aline Sordili Warner: a batalha por Harry Potter e o futuro da mídia Josias de Souza Apoio a Flávio faz Tarcísio parecer boneco manipulado Carlos Juliano Barros O que explica emprego em alta e inflação em baixa Sakamoto RJ vira narcoestado com benção e voto da Alerj Este cenário de retrocesso civilizatório, evidenciado pelos recorrentes e atrozes casos de feminicídio, também se vê refletido no jornalismo esportivo. Vários canais não se sentem mais constrangidos em lançar programas só com homens (quase sempre brancos) — uma conhecida emissora de rádio divulgou recentemente o seu timaço para a Copa do Mundo: 28 homens e 1 mulher —, lançando mão de linguagens cada vez mais misóginas. Em nome da "modernidade", acabou o respeito. Classificação e jogos brasileirao A mensagem é clara: vocês não pertencem aqui. Nos obrigaram a aceitar sua presença, mas na primeira oportunidade vocês vão vazar. Faremos vocês desistirem. Qual então a surpresa de ver duas repórteres agredidas na última rodada do Brasileirão? Revoltado com as críticas, Bernabei poderia ter confrontado qualquer jornalista gaúcho, afinal o campeonato do Inter foi medonho, assim como o desempenho do argentino. Mas quem ele escolheu? Nani Chemello. Puxou seu fone de ouvido e gritou no seu ouvido, sem qualquer reação do entorno: "Fala, agora!" Orgulhoso do que, mesmo? Ah, sim, de peito estufado pelo não-rebaixamento do Colorado. Vale lembrar que uma outra repórter já foi assediada no Beira-Rio por um homem com a fantasia do mascote do Inter. Aline Gomes fazia uma passagem do lado de fora da Vila Belmiro quando um torcedor do Santos passou e bateu no seu microfone, derrubando o equipamento e machucando a jornalista. Por que ela? Por que não qualquer outro profissional trabalhando no estádio? Poderia ser só uma coincidência triste, mas eu sinceramente duvido. Quanto mais nos afastam dos espaços, quanto mais tratam nossas demandas por equidade como mimimi, quanto mais nos interrompem e "brincam" às nossas custas, quanto mais nos objetificam e diminuem, mais empoderados se sentem os machinhos e mais tempo gastamos nos protegendo deles. Quanto menos os homens entenderem que são eles o problema, mais tempo gastaremos tentando apenas sobreviver. Continua após a publicidade Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Casal é morto a tiros em ataque a carro no RJ; criança fica em estado grave Lewandowski: 'Estados não estão fazendo nada para combater a criminalidade' Cheiro, cor, umidade: o que é normal nas partes íntimas e o que preocupa CNH renovada de graça: o que é preciso para ser considerado 'bom condutor' Ídolo do Liverpool detona Salah: 'Foi uma vergonha o que ele fez'