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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Roda Viva derrapa ao optar por questionar o tom da luta de Erika Hilton Milly Lacombe Colunista do UOL 01/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Erika Hilton durante participação no Alt Tabet Imagem: Mariana Pekim/UOL Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× As primeiras perguntas do Roda Viva exibido na segunda-feira, 30 de março, queriam saber se por acaso Erika Hilton não faria mais pela causa diminuindo o tom de voz. "A senhora não acha que se comunicaria melhor se falasse candidamente, deputada?". Por que a fúria da deputada federal incomoda tanto? Não deveríamos estar todas furiosas como ela? Nunca vi comentários sobre o tom de voz usado por Jair Bolsonaro e seus filhos. Ou sobre como Tarcísio de Freitas se comunica sempre de forma agressiva. Ou sobre os modos de Nikolas Ferreira. Ou sobre o tom usado por Boulos. Enquanto todos eles soam assertivos, Erika Hilton soa descontrolada. Das mulheres espera-se docilidade, amabilidade, agradabilidade. Juca Kfouri Inter dá mole e quase leva virada do São Paulo Daniela Lima Decisões de Fachin geram clima horroroso no STF Wálter Maierovitch Moraes faz escapismo para se defender Josias de Souza Moraes agiu como Ícaro ao voar em jatos de Vorcaro Diante do cenário de guerra sob o qual vivem as mulheres no Brasil, seria de se imaginar que o tom da voz de Erika Hilton seja até bastante controlado. A quem incomoda a assertividade dela? Por que os que se incomodam com o tom usado por ela não se incomoda com o dos homens? Ou com o número de estupros cometidos por homens contra mulheres todos os dias? Não podemos confundir contraviolência com violência. Erika Hilton tem dezenas de projetos de lei aprovados e propostos durante seu mandato. É uma mulher trans na linha de frente da guerra por direitos femininos. É personalidade política internacionalmente conhecida. Que a bancada tenha desperdiçado perguntas sobre o tom de sua luta é lamentável. Mas é o que acontece quando nós mulheres não falamos manso. Nosso tom de voz vira o foco do debate, um diversionismo misógino que visa nos manter disciplinadas. Os mesmos que se posicionam contra uma mulher trans presidir a comissão das mulheres na Câmara exigem que Erika Hilton use todos os símbolos e signos da feminilidade para se comunicar. Exigem que ela rebata as agressões que recebe com flores. Que ela não ouse causar incômodo e desconforto. Que faça o gerenciamento emocional dos ambientes constantemente tóxicos criados por homens cisgênero. Não é legítimo dizer que quando Erika Hilton levanta a voz ela está praticando discurso de ódio. Ela está combatendo o ódio e o preconceito. E ela não vai fazer isso com docilidade apenas para deixar todo mundo confortável. A deputada passou boa parte do programa tendo que se explicar pelo uso de seu tom e das palavras que escolhe para combater o fascismo. Tantas coisas poderiam ter sido debatidas com Erika Hilton e a bancada optou por passear pela falsa simetria de sua combatividade em relação ao extremismo de seus oposicionistas. Mulheres trans e cis são assassinadas todos os dias no Brasil por homens violentos. A violência é propriedade de homens cisgênero. Sugerir insistentemente que uma mulher trans esteja sendo agressiva na forma como fala flerta com a transfobia. Esqueçam o tom de voz de Erika Hilton. Sua combatividade é necessária e deveria inspirar. Mas talvez seja esse justamente o grande receio: que outras mulheres aprendam a se colocar como Erika Hilton se coloca. Com força, com a voz elevada, sem pedir licença. Seria realmente muito incômodo. Para machistas, misóginos e transfóbicas Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Corinthians perde com obscenidade dentro e fora de campo Anjo Autoimune e dois mais votados: a formação do 13º Paredão do BBB 26 Samira vence a 13ª Prova do Líder, ganha carro e está no Top 8 do BBB 26 BBB 26 - Enquete UOL: Quem a Líder Samira vai indicar ao 13º Paredão? Trump ameaça levar Irã à Idade da Pedra e atacar usinas de eletricidade