Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Botafoguense: valeu a pena? Milly Lacombe Colunista do UOL 24/01/2026 13h40 Deixe seu comentário Torcida do Botafogo durante jogo contra o Palmeiras exibe faixa de apoio a John Textor Imagem: Vítor Silva/Botafogo Carregando player de áudio Ler resumo da notícia John Textor chegou a ter status de ídolo. Talvez ainda tenha para alguns. Mas, aos poucos, como a água represada que teima em achar um caminho e vai vazando aqui e ali, a verdade vem à tona. Em agosto de 2024, Lucio de Castro, um dos maiores repórteres brasileiros, publicou no site do ICL uma série de quatro reportagens com o título de "O Segredo de Textor", feitas a partir de sua teimosia incontida para seguir vigilante contra poderosos. Jornalismo, diz Lucio, "é dar com o pé na porta onde alguém esconde algo atrás". Lucio fez isso com Textor e revelou verdades incômodas sobre seus métodos como empresário. Sakamoto Trump revive pesadelo ao ver milhares protestando Vinicius Torres Freire Vamos pagar a conta da mutreta do Master e BRB Thais Bilenky Brasil não deve cair na armadilha de Trump Diogo Cortiz Trump inaugura era do 'nacionalismo algorítmico' Mas ainda mais do que isso: Lucio expôs a mais absoluta benevolência com que boa parte da imprensa trata qualquer modelo de SAF. Virou SAF, acabam as críticas. Afinal, um gestor é sempre a salvação. Vale para o jogo, vale para municípios, estados e nação. Coloca um gestor no comando, ninguém mais reclama e as coisas se resolvem. É a lógica neoliberal que transforma todas as dimensões das nossas vidas em empresas. Passamos a interagir a partir de relações de custo-benefício, de planilhas de entradas e saídas, de cálculos. Como se números fossem capazes de contar histórias sem que haja contexto. Água, eletricidade, lixo, correios: entrega para um gestor. Inevitavelmente, tudo piora. Mas aí aparece alguém para dizer que piorou porque falta uma reforma ainda. Só mais uma reforma, só mais uma aquisição, e tudo ficará bem. Se você pagar pelo despacho de suas malas, o preço da passagem vai cair. Não caiu e agora todo embarque é uma guerra brutal e por vezes física por espaço nos bagageiros da cabine. Textor chegou com a pinta de gestor gringo, que é ainda mais do que gestor nacional. Gringo, meu povo. Comprou um clube cujo valor está fora de qualquer possibilidade de cálculo - o time de Garrincha, de Nilson Santos e da estrela solitária - e saiu falando grosso. Continua após a publicidade Teve ganas de ir a Brasília, onde foi tratado por deputados da forma mais colonizada possível, um papel vexatório dos que estavam ali para escutá-lo e bajulá-lo. Foi à Capital levando uma pastinha que, segundo ele, continha provas de como nosso futebol é corrupto. O gestor veio nos ensinar a jogar e a administrar esse troço. Veio lá dos Estados Unidos, onde futebol se joga com as mãos, em missão de voluntariado. Enquanto muitos bajulavam, Lucio de Castro fazia um mergulho em documentos públicos que envolviam Textor e suas empresas. Foi fazer a apuração. Fuçou, leu, registrou pilhas de documentos acumuladas em mais de vinte anos. Os métodos de Textor seriam, segundo os levantamentos de Lucio, assombrosos. Compra e venda de empresas com rolagem de dívidas, demissões, falências, acusação de desvios de verba, fraudes, pirâmides. Nada do que estamos vendo agora pode ser surpresa para quem leu as reportagens. Agora, na França, essas notícias começam a circular mais largamente. O Botafogo afunda numa lama para a qual não sabemos se haverá saída rápida. O maravilhoso e estupendo ano de 2024 foi mesmo só aquilo. Times desmontados, dívida dobrada, transfer ban atrás de transfer ban, Nilton Santos às moscas, torcida frustrada. Era mesmo a SAF a saída? Não seria essa uma camisa pesada demais para ser entregue a gestores de métodos duvidosos? As SAF são uma solução catastrófica para problemas reais. Não se resolve a vida financeira dos clubes entregando camisas que amamos à iniciativa privada. Futebol não pode ser orientado unicamente pelo lucro. Esse jogo não é um negócio. Se os clubes associativos vão mal, a solução não é menos democracia, mas mais democracia. Clube não é propriedade, não é brincadeira de bilionário entediado nem oportunidade para golpe. Não existe resposta errada para a pergunta a seguir. É mesmo só uma reflexão. Valeu a pena? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Atacante deixou Corinthians de graça e agora vale R$ 124 milhões na Itália Bianca Andrade mosta resultado de harmonização no bumbum; veja vídeo Zé Felipe reconhece copo com rosto de Ana Castela e se declara 'Clima construtivo': 2º dia de negociação entre EUA, Ucrânia e Rússia acaba Carro oficial: quem tem direito à placa especial e como ficam as multas