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A base do Atlético colhe, em 2026, um dos resultados mais expressivos dos últimos anos: 13 jogadores formados no clube foram convocados para seleções de base do Brasil. Além deles, o meia Cissé, também revelado pelo Galo, foi chamado para defender a seleção principal da Guiné, em março.
O número reforça, na prática, o discurso do CEO Pedro Daniel sobre a aposta em jogadores mais jovens, tanto nas contratações para o time principal quanto na captação e formação de atletas para a base. A estratégia já contribuiu para reduzir a média de idade do elenco profissional, atualmente em 25 anos.
Alguns desses jogadores já começam a colher os frutos da presença frequente entre os profissionais, como o próprio Cissé, o zagueiro Vitão e o lateral Pascini. Os dois últimos, inclusive, tiveram participação na vitória da Seleção Brasileira Sub-20 por 4 a 1 sobre a Dinamarca, na última segunda-feira (28), na Pinatar Arena, na Espanha.
Titular, Pascini contribuiu com uma assistência, enquanto Vitão entrou no segundo tempo e ajudou a equipe a consolidar o resultado. A dupla segue com a Seleção Brasileira nos amistosos contra os Estados Unidos, nesta quinta-feira (1º), e o México, no domingo (4), na preparação para o Sul-Americano Sub-20 de 2027.
Mais do que um dado isolado, a quantidade de convocados reforça uma estratégia que começa a apresentar resultados em diferentes frentes: a formação de jogadores com nível de seleção, o rejuvenescimento do elenco profissional e o surgimento de novas gerações que podem chegar ao time principal nos próximos anos.
— Para o nosso processo de formação dos atletas, ser convocado para a Seleção Brasileira sempre reforça a qualidade dos jovens, bem como proporciona desafios para o desenvolvimento deles atuando contra outras seleções mundiais. Sabemos que ser convocado não define o sucesso na categoria profissional, porém mostra que, em nível nacional, estamos no caminho certo e com gerações talentosas para, no futuro, servirem à nossa equipe profissional — avaliou Luiz Carlos Azevedo, diretor de futebol da base do Galo.
A valorização da base faz parte de uma reestruturação mais ampla conduzida pelo Atlético. Semifinalista da Copa do Brasil e da Sul-Americana em 2026, o clube busca combinar disciplina financeira, valorização de jovens e construção de uma identidade institucional de longo prazo.
O programa "Galo 2030" é um dos principais pilares dessa mudança. O clube deixou de lado a lógica de contratações pontuais e imediatistas para ampliar a valorização dos jogadores formados internamente, movimento que também se reflete na nova geração que vem ganhando espaço nas seleções.
Para dar mais critério técnico às decisões, o Atlético criou o CIGA (Centro de Informações do Galo), responsável por integrar dados de mercado e de desempenho. A estrutura também auxilia na definição da comissão técnica, que deve estar alinhada ao modelo institucional do clube.
A reestruturação do Atlético também passa pelo equilíbrio financeiro. Segundo Pedro Daniel, um dos principais desafios do clube atualmente é se tornar operacionalmente lucrativo, equilibrando receitas e despesas.
Um dos movimentos recentes nesse processo foi o aporte de R$ 530 milhões realizado pela família Menin, destinado exclusivamente à liquidação de dívidas bancárias. Os juros desse passivo chegavam a comprometer quase R$ 300 milhões por ano do orçamento do clube.
Paralelamente, o Atlético renegocia dívidas tributárias e aderiu a um plano coletivo na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF). O mecanismo permite centralizar e quitar passivos com diferentes credores em um período de seis a oito anos, sem a necessidade de recuperação judicial.