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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Quem cuida das mães das vítimas? Milly Lacombe Colunista do UOL 29/10/2025 16h55 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Mulher chora diante de corpos encontrados no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro Imagem: Edu Caravalho/Colunista de Ecoa Cento e vinte corpos. Cento e vinte mortos, diz o noticiário. Assim, sem nome. Sem história. Sem luto. Somos treinados para não sentir. Somos treinados para não nos vincularmos às imagens. É só mais um dia. Só mais uma ação policial. Só mais 120 defuntos. Mas o feminismo pega nossos rostos e vira para outras 120 vítimas vivas. As mães dos jovens assassinados pelas armas do Estado. São 120 mães aos prantos. Cento e vinte mães berrando o berro que só o desespero alcança. Cento e vinte mulheres para sempre transformadas. Como a favela segue no dia depois da chacina? Lava o sangue de suas calçadas e ruas. Expõe os corpos. Observa as mães curvadas sobre os corpos inertes de seus filhos. Vai trabalhar no dia seguinte porque é isso o que se espera dela. Trabalho. Entrega. Servitude. A favela adoece nos dias seguintes. Pressão alta. Crises de ansiedade. Pânico. Privação do sono. Estresse pós-traumático. Acidentes vasculares cerebrais. Infartos. As câmeras já não estão mais lá, a Zona Sul não sabe o que são os dias que se seguem a mais uma ação policial que visa reeleger o governador. Ronilso Pacheco Operação no Rio foi desenhada para ser letal Josias de Souza Combate-se melhor o crime na Faria Lima que na favela Helio de La Peña Rio tem nova operação e velho resultado: tragédia Carla Araújo Para governo Lula, Castro fez trapalhada em operação Sobra para as mães, para as filhas, para as mulheres. Cai sobre seus ombros o peso de um Estado predador, assassino, genocida. Seus filhos se foram, acusados das piores coisas, e elas terão que encontrar uma forma de continuar. Narco-terroristas, diz o Estado. Sem provas e criando um vocabulário que visa a completa des-sensibilização. O que pode ser pior do que um narco-terrorista? Assim colocado, quem se importa? Matem. Exterminem. Façam o que for preciso para oferecer segurança à minha família. A segurança nunca chega. Falta mais uma ação policial. Com mais uma, alcançaremos a paz na cidade, todos viverão tranquilos. Só mais uma. E, com essa noção, as mães cujos filhos ainda estão vivos tampouco conseguirão dormir. Elas nunca dormem. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora RJ pede transferência de 10 chefes do CV para sistema federal; veja a lista 'Arrancaram a cabeça do meu sobrinho', diz moradora do Complexo do Alemão Moraes manda Castro explicar 'de maneira detalhada' operação no Rio Acha que tem gordura no fígado? Como saber e o que fazer para tratar Bolsonaro deu aval para apoio a Ciro Gomes no Ceará, diz André Fernandes