Conteúdo Original
Rafael Lopes projeta mudanças na F1 com ADUO, sistema de benefícios a motores deficitários A Fórmula 1 vai ter uma importante novidade nos dias que sucederem o GP do Canadá de domingo (24): a primeira utilização de um mecanismo que pode mexer com a ordem de forças entre as equipes da categoria. O chamado ADUO (sigla para Additional Development and Upgrade Opportunities , em inglês) pode fornecer oportunidades adicionais de desenvolvimento às fornecedoras de motores, desde que estejam com desvantagem acima de 2% em relação à mais bem avaliada. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp Diretor da FIA explica sistema de auxílio para motores na F1 2026: "Não é fórmula mágica" O cálculo dessa desvantagem é feito pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O mecanismo foi criado para aumentar a competitividade entre as equipes após a introdução dos novos regulamentos; caso se enquadre nos requisitos da entidade, uma fornecedora terá mais tempo de testes, atualizações adicionais e reajustes no teto de gastos da categoria. 1 de 7
Valtteri Bottas (Cadillac) e Fernando Alonso (Aston Martin) no GP do Japão da F1 2026 — Foto: Andy Hone/LAT Images Valtteri Bottas (Cadillac) e Fernando Alonso (Aston Martin) no GP do Japão da F1 2026 — Foto: Andy Hone/LAT Images A primeira implementação do sistema estava prevista para o GP de Miami, que seria a sexta etapa do Mundial deste ano. No entanto, o cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita bagunçou o calendário, e a FIA revisou os períodos em que verificará os desempenhos das equipes em 2026. A nova divisão é a seguinte: Período 1: corridas 1 a 5 (Austrália até Canadá) Período 2: corridas 6 a 11 (Mônaco até Hungria) Período 3: corridas 12 a 18 (Holanda até México) Abaixo, o ge explica como funciona o ADUO e por que ele é tão importante para o desenrolar da Fórmula 1. Como funciona o ADUO? Em primeiro lugar, vale ressaltar que as unidades de potência, como são chamados os motores da F1, são divididas em dois componentes: um motor de combustão interna (ICE) e uma parte elétrica. 2 de 7
Motor da F1 2026 — Foto: Infoesporte Motor da F1 2026 — Foto: Infoesporte A cada período listado acima, os motores de combustão interna fornecidos por cada fabricante às equipes vão passar por uma verificação, e os resultados vão gerar um Índice de Performance . A partir dele, a FIA vai calcular quem tem o melhor desempenho e o quão atrás estão as concorrentes. Atualmente, cinco fabricantes fornecem motores para as 11 equipes da Fórmula 1. São elas: Mercedes : uso próprio e fornece para McLaren, Alpine e Williams. Ferrari : uso próprio e fornece para Haas e Cadillac. Ford : fornece para Red Bull e Racing Bulls. Audi : uso próprio. Honda : fornece para Aston Martin. 3 de 7
George Russell à frente de Max Verstappen no GP do Japão de F1 2026 — Foto: Wan Mikhail Roslan/NurPhoto via Getty Images George Russell à frente de Max Verstappen no GP do Japão de F1 2026 — Foto: Wan Mikhail Roslan/NurPhoto via Getty Images O cálculo do desempenho de cada motor é baseado em fatores técnicos. A partir disso, a FIA vai publicar os resultados das verificações e anunciar quais fornecedoras terão direito a melhorias, que poderão ser implementadas a partir da corrida seguinte ao anúncio ; no caso deste primeiro uso, a partir do GP de Mônaco, em 7 de junho. Para que uma fabricante se torne elegível, o desempenho do motor de combustão deve ficar, pelo menos, 2% atrás do mais bem avaliado. O nível de auxílio varia de acordo com a discrepância para a melhor fornecedora, e a FIA realizou alterações no início do mês para incluir uma nova categoria, que abrange motores com déficit acima dos 10% - a expectativa é de que a Honda se enquadre neste caso. - Fala-se que a Red Bull, por exemplo, não estaria incluída nesses 2%, então não teria autorização para atualizar seu motor, mas é fato que isso pode mudar um pouco sim o cenário a partir do GP de Mônaco. A Ferrari, que deve ser uma das agraciadas, não sei se vai colocar um motor atualizado já em Mônaco, que favoreceria aquela turbina pequena que eles colocaram no motor. Uma vez que a Ferrari consiga uma boa largada, pode ser que até consiga chances de vencer; o motor da Ferrari não tem boa velocidade de reta nesse momento, mas tem boa retomada de curva, justamente por causa dessa turbina, que enche mais rápido - aposta o comentarista Rafael Lopes. Rafael Lopes vê Ferrari e Audi beneficiadas com ADUO, benefício da F1 2026 para motores" Para motores que tenham entre 2% e 4% de desvantagem, o acréscimo será de 70h de testes. Já para aqueles acima de 10%, o total chega a 230h. Confira a tabela completa abaixo: Índice de Delta de Desempenho dos motores da F1 2026 Índice Abaixo de 2% 2% a 4% 4% a 6% 6% a 8% 8% a 10% Acima de 10% Horas extras de teste 0h 70h 110h 150h 190h 230h deslize para ver o conteúdo O regulamento ainda determina que as fabricantes cujo motor estiver entre 2% e 4% abaixo da referência vão poder fazer uma atualização extra na temporada vigente, e outra na seguinte. Se for mais de que 4%, o número de atualizações sobe para duas. Essas permissões especiais de atualização podem ser cumulativas. Por exemplo: se uma equipe receber dois direitos a atualizações em 2026 e 2027 e, em 2027 estiver novamente qualificada para dois atualizações (no ano vigente e em 2028), ela totalizará quatro só em 2027. Em relação ao teto de gastos, uma fabricante que estiver mais de 10% atrás da marca de referência terá um alívio de US$ 11 milhões, o equivalente a R$ 55 milhões, na atual cotação - além disso, ela poderá antecipar mais US$ 8 milhões (R$ 40 milhões) de orçamentos futuros. Desconto no teto de gastos sob o ADUO Índice de disparidade Benefício no teto de gastos Menos de 2% US$ 0 De 2% a 4% US$ 3 milhões De 4% a 6% US$ 4,65 milhões De 6% a 8% US$ 6,35 milhões De 8% a 10% US$ 8 milhões Acima de 10% US$ 11 milhões deslize para ver o conteúdo Por que o ADUO é importante? O mecanismo dá às fornecedoras e equipes a oportunidade de identificar e corrigir problemas no motor durante o ano. Como a fabricante mais bem avaliada não receberá qualquer tipo de benefício, a expectativa é de que as demais consigam evoluir e se aproximar em termos de desempenho. – Um fabricante ainda precisará produzir o melhor motor possível para vencer. Não é uma solução mágica, nem a FIA está distribuindo pontos extras para quem está atrasado; simplesmente oferece a eles margem de manobra para desenvolver sua unidade de potência dentro da estrutura estabelecida pelo regulamento técnico – disse Nicolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA. Essas correções podem fazer diferença em todas as partes do grid. Se o motor Mercedes for o mais bem avaliado – o que é provável, já que a equipe Mercedes venceu as quatro provas do ano –, isso significa que o time alemão e a McLaren não terão qualquer auxílio. O mesmo vale para a Williams mesmo que a inglesa esteja com desempenho negativo, somando só cinco pontos até aqui. 4 de 7
Charles Leclerc assume a ponta na largada do GP de Miami da Fórmula 1 em 2026 — Foto: REUTERS/Marco Bello Charles Leclerc assume a ponta na largada do GP de Miami da Fórmula 1 em 2026 — Foto: REUTERS/Marco Bello Por outro lado, Ferrari e Ford (com a Red Bull) podem se qualificar para as atualizações e ganhar uma preciosa chance de equilibrar a disputa no topo. Chefe de equipe da escuderia de Maranello, Frédéric Vasseur já classificou o ADUO como “uma oportunidade de diminuir a diferença”. Embora não seja possível quantificar o impacto do motor de combustão no desempenho de cada equipe (já que a parte elétrica do motor, a aerodinâmica e o chassis também cumprem papéis importantíssimos), essas mudanças podem inverter até mesmo o favoritismo durante a atual temporada e além. 5 de 7
Unidade de potência (motor) da Aston Martin, fornecido pela Honda — Foto: Takashi Aoyama/Getty Images Unidade de potência (motor) da Aston Martin, fornecido pela Honda — Foto: Takashi Aoyama/Getty Images Isso também vale para o pelotão intermediário e o fundo do grid. A Aston Martin, por exemplo, precisou fazer uma força-tarefa para conter as vibrações no carro, que têm prejudicado o desempenho desde o início de campeonato. Especula-se que seu motor Honda esteja mais de 10% abaixo em capacidade, o que teria motivado as mudanças no índice de performance. - É na corrida seguinte, o GP da Catalunha, que a gente vai começar a ver mudanças, principalmente nos motores que estão com mais dificuldade. A Honda, que equipa a Aston Martin, deve ter um maior porcentual de mudanças disponíveis para o motor dela. Não acho que vai mudar muito o patamar da equipe, mas certamente vai melhorar o desempenho e deve fugir da briga com a Cadillac para não ser a pior equipe do ano. Mas é fato que a gente pode ter uma mudança no campeonato, ou pelo menos uma aproximação maior das equipes em relação a Mercedes e a McLaren, que deu uma crescida de desempenho e, nesse momento, já passou a Ferrari na briga pela segunda força do ano - completou Rafa Lopes. 6 de 7
Gabriel Bortoleto no GP de Miami de F1 — Foto: Sona Maleterova/LAT Images Gabriel Bortoleto no GP de Miami de F1 — Foto: Sona Maleterova/LAT Images Com o brasileiro Gabriel Bortoleto como um dos pilotos, a Audi é outra equipe que pode se aproveitar bastante da novidade. Além de estar no meio da tabela e com desempenho abaixo dos times de topo, a escuderia alemã não fornece motores para outros times e, por causa disso, possui menos dados para entender os gargalos de desempenho em relação às rivais. Portanto, o ADUO pode dar ao time uma importante oportunidade de correção de rota. - Pensando no brasileiro Gabriel Bortoleto, a Audi atualizando o motor dela e corrigindo essa questão do turbo-compressor que é muito grande, também pode dar um salto de qualidade - principalmente não perdendo tantas posições na largada como eles vêm perdendo. Tanto ele, quanto o Nico Hülkenberg, seu companheiro de equipe nessas primeiras corridas do ano - completou Rafael Lopes. 7 de 7
Infos e horários GP do Canadá de F1 2026 — Foto: Infoesporte Infos e horários GP do Canadá de F1 2026 — Foto: Infoesporte