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Opinião Esporte Irã, entre o silêncio e a denúncia: o esporte como agente de pressão Andrei Kampff Colunista do UOL 14/01/2026 10h12 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O bloqueio das comunicações no Irã, rompido apenas por relatos pontuais de cidadãos que conseguiram falar com o exterior após dias de silêncio forçado, é mais um capítulo de uma crise global mais profunda: a da fragilização dos mecanismos internacionais de proteção de direitos humanos . Quando um Estado silencia sua população, corta internet e telefonia e impede o fluxo de informação, não se trata apenas de censura. Trata-se da violação direta da liberdade de expressão, do direito à informação e do próprio direito à denúncia. Nesse cenário, o esporte volta a ocupar um papel central. No Irã, ele há muito deixou de ser apenas competição. Tornou-se espaço de disputa por direitos fundamentais , especialmente para mulheres. A histórica proibição de mulheres nos estádios é talvez o símbolo mais evidente dessa tensão. Por anos, torcer foi um ato proibido. Assistir a um jogo, um privilégio negado. A mudança desse quadro não veio do silêncio interno, mas da pressão externa, da visibilidade internacional e do constrangimento público imposto ao regime. Foi exatamente esse eixo que destaquei ao escrever sobre o Prêmio Nobel da Paz concedido a Narges Mohammadi . O Nobel não foi apenas uma homenagem individual, mas um instrumento político de pressão internacional , um gesto simbólico capaz de devolver oxigênio à luta das mulheres iranianas - inclusive atletas - ao iluminar aquilo que o regime tenta manter invisível. No esporte, essa lógica se repete: o corpo da atleta, sua presença pública e seus gestos se transformam em linguagem política. José Fucs A 'extrema direita' e o 'gabinete do ódio' petista Daniela Lima Centrão acredita que Tarcísio perdeu timing Sakamoto Intervenção dos EUA só irá bombar a tragédia no Irã Maria Prata Já foi em um aquadate? O novo vocabulário do amor O esporte incomoda regimes autoritários porque atravessa fronteiras, mobiliza afetos e produz imagens que não podem ser facilmente controladas . Uma mulher impedida de entrar no estádio, uma atleta punida por se manifestar, uma jogadora silenciada por regras discriminatórias falam mais alto do que discursos oficiais. O atual bloqueio das comunicações busca impedir exatamente isso: que essas histórias circulem, que o gesto esportivo vire denúncia global. Esse papel do esporte como agente de proteção não é retórico nem ocasional. Ele está expressamente reconhecido no sistema internacional de direitos humanos . A Organização das Nações Unidas reconhece o esporte como instrumento de promoção da dignidade humana, da igualdade e da paz, afirmando que sua prática deve ocorrer sem discriminação de qualquer tipo . Resoluções e relatórios das Nações Unidas reforçam que Estados e organizações esportivas têm o dever de proteger atletas , especialmente as mulheres, contra exclusões estruturais, violência simbólica e repressão institucional. No plano esportivo, esse compromisso também é normativo. A Carta Olímpica estabelece que a prática do esporte é um direito humano e que qualquer forma de discriminação, inclusive por gênero, religião ou convicção política, é incompatível com o Movimento Olímpico. O Estatuto da FIFA segue a mesma linha, ao consagrar o respeito aos direitos humanos como princípio vinculante, impondo à entidade e às federações o dever de promover igualdade, combater discriminação e proteger a dignidade das pessoas envolvidas com o futebol. Esses documentos não são apenas simbólicos: são instrumentos jurídicos e políticos de pressão internacional . O que acontece hoje no Irã evidencia essa engrenagem. Quando mecanismos internos falham ou são capturados pelo autoritarismo, o esporte, a imprensa internacional e prêmios como o Nobel passam a cumprir uma função que o sistema internacional deveria garantir de forma mais efetiva: proteger direitos humanos . Quando torcer, competir ou simplesmente existir em público se tornam atos de resistência, o esporte deixa claro que não é neutro. Ele é, muitas vezes, uma das últimas trincheiras contra o silêncio imposto. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Nova ordem mundial? Ação dos EUA e Europa acuada redesenham xadrez global Homem que matou idoso com 'voadora' é condenado a 27 anos de prisão Já foi em um aquadate? O novo vocabulário do amor, versão Gen Z Desespero a bordo: navio alaga e gritos acordam passageiros no Nordeste SP entra em estado de alerta para temporais; capital tem risco 'muito alto'