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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: Tom crítico: destaca descumprimento de pagamentos, atrasos, falta de respostas a 14 perguntas e risco de sanções ao clube.

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Motivo: Citado apenas como origem da dívida pela contratação de Garro, sem avaliação esportiva ou tom opinativo.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

Corinthians CBF Neo Química Arena Osmar Stabile Rodrigo Garro Talleres Caixa Pixbet RCE Laspro Renegociação Desportiva FIDC

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Reportagem Corinthians não paga R$ 10 mi e põe reestruturação de dívida em risco Pedro Lopes Colunista do UOL 22/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Presidente do Corinthians, Osmar Stabile tem a palavra final sobre operações financeiras Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF Resumo Enquanto tenta renegociar com a Caixa a dívida de R$ 630 milhões da Neo Química Arena, o Corinthians deixou de cumprir o acordo que protege o clube de penhoras e bloqueios de contas e pode ficar exposto novamente a execuções individuais de dívidas e a dispositivos adicionais de fiscalização e intervenção judicial. Isso porque o clube deixou de repassar R$ 10,1 milhões previstos pelo RCE (Regime Centralizado de Execuções), mecanismo que reúne parte das dívidas civis do clube e estabelece uma fila única para o pagamento dos credores. O clube pagou, com dez dias de atraso, apenas R$ 3,5 milhões dos R$ 6 milhões referentes à receita de julho. A parcela seguinte, de R$ 7,6 milhões, não havia sido paga até 16 de outubro. Carlos Affonso STF, TSE e Meta: a dupla desconfiança na eleição Junior Borneli De temperos a óculos: os negócios por trás da IA Juca Kfouri Palmeiras na 8ª final de Libertadores, com drama PVC Flu merece, mas Abel vai à 4ª final com o Palmeiras Os atrasos estão registrados no processo que tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, cujos documentos foram obtidos e analisados pelo UOL. Classificação e jogos Brasileirão O descumprimento ameaça o acordo homologado em janeiro, que deu ao Corinthians até dez anos para pagar dívidas hoje calculadas em cerca de R$ 239 milhões com empresários, agências de jogadores e uma ex-patrocinadora. Enquanto o RCE é cumprido, as execuções abrangidas pelo regime ficam concentradas e o clube fica protegido das penhoras e dos bloqueios que poderiam resultar dessas cobranças. Em 16 de outubro, a Pixbet, ex-patrocinadora e uma das credoras do Corinthians, pediu à Justiça que reconheça o descumprimento do plano. Na mesma data, a juíza responsável pelo processo deu 15 dias para a administradora judicial do regime, a Laspro, se manifestar. Se o pedido for acolhido e o RCE perder seus efeitos, as cobranças poderão voltar às varas de origem, reabrindo a possibilidade de bloqueios e penhoras, o que seria desastroso para o clube. Continua após a publicidade Nesse mesmo período, o clube pagou em dia as parcelas do fundo de investimento que assumiu a dívida com o Talleres, da Argentina, pela contratação do meia Rodrigo Garro. Segundo a administradora judicial, essas parcelas pagas ao fundo saem do valor que o clube deveria repassar aos credores no regime e acabam por reduzi-lo. O problema não se restringe ao RCE. O Corinthians também tem R$ 76 milhões parcelados por meio da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Uma parcela de R$ 8 milhões venceu na última segunda-feira (19) e ainda não foi paga. O descumprimento de decisões da Câmara pode levar a sanções esportivas, entre elas o transfer ban (proibição de registrar novos jogadores) e bloqueio de premiações. A dívida total do Corinthians é estimada em R$ 2,7 bilhões, segundo dados declarados pelo próprio clube à Anresf, agência de fair play financeiro da CBF. Continua após a publicidade Procurado, o Corinthians emitiu nota oficial afirmando que "acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas". O clube, entretanto, não deu explicações detalhadas. A coluna enviou 14 perguntas, mas elas não foram respondidas. "Os esclarecimentos específicos a respeito dos questionamentos apresentados, incluindo valores, critérios adotados, fluxo de pagamentos, contratos, cessões de recebíveis e demais aspectos mencionados, serão prestados formalmente nos autos, com a documentação e o detalhamento necessários, assim como serão apresentados ao Administrador Judicial nos canais adequados", diz a nota do Corinthians. Como funciona o RCE O RCE centraliza a dívida civil (pendências entre partes privadas) incluídas no regime e organiza os credores em um uma fila de pagamentos. Todos os meses, o Corinthians informa sua receita do mês anterior à administradora judicial. O plano prevê a destinação de 20% dessa quantia ao pagamento de dívidas. Continua após a publicidade Desse montante, porém, são abatidos pagamentos feitos a credores que estão fora do RCE, como o fisco ou a Caixa, financiadora do estádio corintiano. O valor restante é destinado aos credores do regime, respeitado um piso equivalente a 4% da receita no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro. O Corinthians cumpriu o plano até junho. Entre março e julho, repassou R$ 16,4 milhões. O problema começou com o pagamento calculado sobre a receita de julho. O clube deveria depositar R$ 6 milhões até 31 de agosto -o limite é sempre o último dia do mês vigente. Mas, naquele dia, o clube avisou à Laspro que os pagamentos atrasariam por "questões operacionais relacionadas à gestão do fluxo financeiro do período". O pagamento, de R$ 3,5 milhões, foi feito entre os dias 8 e 9 de setembro. Segundo a administradora judicial, o clube não apresentou "nem justificativa para o adimplemento parcial nem cronograma de quitação". Continua após a publicidade A parcela seguinte, de R$ 7,6 milhões, não havia sido paga até 16 de outubro, segundo petição da credora Pixbet. Dívida cresce mesmo com pagamentos Há um problema adicional: mesmo quando cumpria o acordo, o Corinthians praticamente não conseguia reduzir o saldo devedor. Quando o clube pediu o RCE, em dezembro de 2024, havia cerca de R$ 191 milhões reconhecidos no processo. Em setembro deste ano, eram aproximadamente R$ 238 milhões. O aumento ocorreu apesar de cerca de R$ 20 milhões em pagamentos e decorre da combinação de juros com a inclusão de novos créditos reconhecidos no processo. As dívidas são corrigidas pela Selic, que atualmente acrescenta entre R$ 2,5 milhões e R$ 2,8 milhões por mês ao saldo. Continua após a publicidade Já o piso de 4% da receita que o Corinthians precisa destinar aos credores corresponde, dependendo do mês, a cerca de R$ 2 milhões a R$ 3,5 milhões. Isso significa que, nos meses em que paga apenas o mínimo, o clube consegue abater pouco mais do que os juros. Em junho, por exemplo, mesmo após um repasse de R$ 1,9 milhão, o saldo da dívida aumentou. Há ainda outro fator que reduz o dinheiro disponível aos credores do RCE: quanto mais o Corinthians paga a credores externos ao regime, maior é o valor descontado dos 20% da receita previstos pelo plano. É nesse ponto que surge uma das principais divergências entre o clube e a administradora judicial. O fundo que pagou Garro Rodrigo Garro, do Corinthians, durante partida contra o Cruzeiro, pelo Brasileirão Imagem: Joisel Amaral/AGIF Um desses credores surgiu da dívida com o Talleres pela contratação de Garro, em 2024. Continua após a publicidade Em 15 de junho de 2026, o Corinthians assinou uma confissão de dívida de R$ 38,1 milhões com o Renegociação Desportiva FIDC, fundo gerido pela Outfield Ventures. O fundo assumiu o pagamento ao clube argentino. Em troca, o Corinthians se comprometeu a pagar 26 parcelas até 2028, com juros de 1,33% ao mês. Como garantia, foram oferecidos recebíveis dos contratos com a BRAX, que explora as placas de publicidade da Neo Química Arena. Eram R$ 232 milhões a vencer até 2029. Também foram dados em garantia R$ 4,9 milhões em recebíveis da patrocinadora Frimesa. O Corinthians considera os pagamentos ao fundo, que começaram em junho deste ano, uma "dívida anterior ao RCE" e, por isso, desconta as parcelas do valor destinado aos credores do regime. A Laspro questiona esse entendimento. Segundo a administradora, 62,6% do valor confessado estava ligado a um litígio ainda em discussão na CAS, a Corte Arbitral do Esporte, e na Fifa (Federação Internacional de Futebol) quando o RCE foi criado. Essa parcela, portanto, só teria virado dívida certa posteriormente. Continua após a publicidade Pelos cálculos da administradora, o mecanismo pode tirar R$ 25 milhões dos credores do RCE ao longo dos 26 meses. Os extratos anexados ao processo indicam a prioridade do Corinthians. Em 25 de agosto, R$ 4,35 milhões pagos pela BRAX entraram numa conta de livre movimentação do clube no Banco Daycoval. No dia seguinte, o Corinthians transferiu R$ 2,07 milhões para a conta vinculada ao fundo -"exatamente o necessário" para a parcela do mês, segundo a Laspro. O pagamento aos credores do RCE referente ao mesmo período não foi integralmente realizado. Receitas antecipadas O aperto de caixa tem outra explicação nos autos: parte das receitas futuras do Corinthians já foi antecipada ou dada em garantia. Continua após a publicidade Em 2026, o clube antecipou cerca de R$ 94 milhões do contrato de patrocínio da plataforma de apostas Esportes da Sorte. Parcelas referentes a setembro, outubro e novembro foram antecipadas pelo Banco Daycoval; a de agosto, por outro fundo, o FIDC Gama V3. Com a Medida Provisória 1.394, que proibiu as casas de apostas de operar no país a partir de outubro, essas parcelas estão em risco. Se a patrocinadora deixar de pagar, quem adiantou o dinheiro pode cobrar do clube. O contrato com a Nike, fornecedora de material esportivo do Corinthians, também aparece nas operações com o Daycoval. Em fevereiro, R$ 23,75 milhões em luvas -bônus de assinatura do contrato- foram usados no mesmo dia para quitar um adiantamento com o banco. Continua após a publicidade Em 31 de agosto, outros R$ 32,8 milhões identificados como "Nike" entraram e saíram no mesmo dia para o Daycoval. O clube classificou esse dinheiro como "operação financeira" e o deixou fora da conta do RCE. A Laspro contesta o tratamento. Segundo a administradora, se os R$ 32,8 milhões fossem considerados receita, o pagamento devido aos credores naquele mês passaria de R$ 7,6 milhões para R$ 14,2 milhões. Os empréstimos do Corinthians somavam R$ 381,9 milhões em fevereiro. Desse total, R$ 132,1 milhões correspondiam a operações com o Daycoval. Em maio, a Justiça determinou que o clube apresentasse no processo os contratos com Nike e Daycoval. Os documentos não foram juntados aos autos; o Corinthians passou a disponibilizá-los aos credores mediante assinatura de termo de confidencialidade. A transparência das contas, ou suposta falta dela, já havia provocado uma advertência judicial. Continua após a publicidade Em março, depois que a Laspro encontrou uma diferença de R$ 149 milhões entre o que entrou no caixa e a receita declarada pelo clube, o juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo advertiu que "a resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial". O Corinthians explicou posteriormente que a diferença correspondia a empréstimos e antecipações de receitas (R$ 76,9 milhões), transferências entre contas próprias (R$ 65,5 milhões) e venda de jogadores (R$ 6,8 milhões). A Laspro aceitou a explicação, e não houve nomeação de observador ou interventor. Seis credores concentram a dívida A dívida submetida ao RCE está concentrada em poucos credores. O empresário Giuliano Bertolucci e sua empresa têm a receber R$ 87,5 milhões, equivalentes a 36,6% do total. Continua após a publicidade Em seguida vêm a RC Consultoria, de Carlos Leite (R$ 31,6 milhões); a Talents Sports (R$ 24,7 milhões); o grupo do empresário André Cury (R$ 21,9 milhões); a Fair Play (R$ 21,6 milhões); e a Pixbet, ex-patrocinadora do clube (R$ 19,9 milhões). Bertolucci, Leite e Cury aparecem nos balanços do clube de 2021 a 2023 também como financiadores: emprestaram dinheiro ao Corinthians a juros de até 1,94% ao mês. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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