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Análise dos Times

Flamengo

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Motivo: O artigo critica veementemente o presidente do Flamengo, Bap, por declarações consideradas machistas e misóginas sobre o futebol feminino e uma jornalista.

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Palavras-Chave

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Flamengo Globo Leila Pereira Milly Lacombe Bap Renata Mendonça

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Em papel ridículo, líder do Flamengo revela o que pensa sobre mulheres Milly Lacombe Colunista do UOL 24/12/2025 13h48 Deixe seu comentário Samir Xaud, presidente da CBF, e Bap, presidente do Flamengo Imagem: Divulgação Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O presidente do Flamengo convocou sócios para escutarem ele falar por duas horas sobre os resultados do primeiro ano de sua gestão. O ano das sete taças, como falou algumas vezes. De frente a uma apresentação feita em slides, do modo mais corporativo possível, Bap, como é conhecido o executivo, falou de como sua gestão é um mega sucesso, de como o dinheiro não para de entrar, de como ele economiza em energia elétrica e em catracas, de como o clube é foda, de como tem muito time por aí que vive da grandeza do Flamengo, de como o super mega Sheik do Qatar pagou um pau para ele e de como o futebol feminino é titica de galinha. Por duas vezes durante as quase duas horas o presidente usou a expressão "não vou aborrecer vocês com isso": quando os slides eram sobre futebol feminino e, mais tarde, sobre combate ao racismo. Marco Antonio Sabino 2026 promete ser um ano animado para Moraes Julio Wiziack BNDES estreia na competição por fundos Daniela Lima Lula age para replicar disputa com um Bolsonaro Juca Kfouri Alemanha, o verdadeiro país do futebol Um combate que obviamente é controverso já que ele manteve como diretor da base o sujeito que acredita que na Europa temos valências mentais e, na África, valências físicas. Alfredo Almeida, que cometeu essa declaração eugenista no meio do ano, está empregado na Gávea ainda. Como combater o racismo assim? Tem mesmo que passar rápido pelo slide. O Flamengo, de acordo com o tom da apresentação, é maior do que o futebol brasileiro, maior do que as galáxias de Andromeda e Ursa Maior e se nivela mesmo apenas com o grande e inigualável futebol Europeu. Pausa para tocar o hino da Liga dos Campeões e o do Sauditão em seguida porque se um tem a bola o outro tem a riqueza. O adorado Sheik Qatari dono do PSG, segundo relato de BAP entre slides, foi falar para ele que teve medo de perder a final do Intercontinental, que o Flamengo jogou pra burro e que o trabalho de Bap deve estar sendo muito bem executado porque foi muito difícil passar pelo Flamengo, que time, meus amigos. Freed From Desire. Toca a musiquinha e vamos dançar com Bap. "A FIFA escolheu um darling agora da Europa e é o Flamengo". Um darling, olhem que coisa mais fofa a linguagem do presida. A FIFA tem um queridinho e esse queridinho é o Mengão. Não tivemos um slide para dar conta de tanto viralatismo, mas ele esteve presente. E então Bap falou de futebol feminino e tudo piorou muito. Primeiro, de modo rápido. Depois, mais para o final, de modo mais detalhado. Explicou que o clube recebe 480 mil pelo Brasileiro em direito de transmissão, um valor que considera ridículo. Continua após a publicidade Reconheceu, porque não havia outro caminho, que a audiência do esporte cresce e é relevante. E a partir daí, mesmo tendo um ponto claro para propor um debate sério e respeitoso, já que o dinheiro que o futebol feminino faz circular é mesmo muito pequeno, pulou na lama ética da misoginia. "A nariguda da Globo fica falando mal da gente", disse como se fosse uma criança de nove anos brigando com a colega da 5ºA. A audiência riu, o que só acrescentou horror ao episódio. Bullying é assim mesmo: os mais fracos vão na onda do líder. A misoginia e o machismo não precisam ser explicados nesse caso, obviamente. Bap se referia à jornalista Renata Mendonça, que expôs jornalisticamente o estado degradante do futebol feminino profissional do Flamengo, crítica que foi demais para ele conseguir suportar como um homem adulto. Bap não negou o mérito da crítica em nenhum momento, ele atacou a mulher. E vejam que ele tinha um ponto importante: o dinheiro é ridículo e precisamos aumentar o bolo. Como fazer? Como podemos todos trabalhar pelo fomento do esporte? Mas não foi isso o que ele fez. Bap saiu por uma chicana cognitiva, se apequenou na ofensa e deixou claro o que pensa sobre mulheres e futebol. Quando Bap cometeu essa ofensa, a câmera da FLA TV estava enquadrando seu perfil. Um amigo talvez pudesse dizer que seria inteligente que ele não comentasse sobre narizes. Ou sobre tom de vozes. Ou sobre orelhas. Simplesmente não chame a atenção para essas características nas outras pessoas, meu chapa. Mas o machismo falou mais alto. Homens, afinal, se sentem muito à vontade para tecer comentários sobre características físicas de mulheres, mesmo os mais feios entre eles se sentem confortáveis para falar de mulheres bonitas, interessantes, charmosas e inteligentes. Continua após a publicidade O machismo seguiu seu desfile na boca de Bap: "Filha, convence a sua empresa a nos passar mais dinheiro. Pau que dá em João tem que bater em Maria também", disse o presidente. O mau gosto da frase é direto. Tem pau batendo em Maria em números gritantes no Brasil. Tem Maria morrendo a cada quatro horas pelas mãos de parceiros ou ex-parceiros, ficantes, ex ficantes e outros familiares. Bap reclamou que o Flamengo perde um milhão por mês com futebol feminino. Mas essa é uma conta enviesada e injusta. Ele deveria saber bastante bem que não há como crescer sem investimento. O futebol feminino não se paga porque é vítima de todo tipo de preconceito. Não existe como fazer o esporte crescer mais rapidamente se não houver apoio de outros setores. Acho que ficou claro que Bap tem um problema com mulheres. A forma como fala de Leila Pereira, a maneira como Leila o enerva e tira do sério já deveria ter deixado isso evidente, mas tem gente que ainda teima em não ver. O modo como trata o futebol feminino, sucateando o profissional e querendo que o esporte exista por conta própria ou padeça é um outro indicador. E agora, para quem ainda tinha dúvidas, tudo ficou escancarado. A Globo e muitos jornalistas homens se manifestaram contra a declaração abjeta de Bap. Uma evolução em relação a episódio parecido envolvendo Roger Guedes, então no Corinthians, e Ana Thais Matos, da Globo. Na época, depois de declaração machista e covarde de Guedes sobre Ana Thais, tudo o que ouvimos foi silêncio. Da empresa e dos colegas. Estamos caminhando; despacito, mas caminhando. Quando homens começam a colar na luta, a luta ganha tração. Quanto a Bap, ao se referir a uma profissional do meio chamado-a de nariguda o executivo revela em cores fortes o que pensa sobre mulheres no futebol e qual o tamanho da sua maturidade. O problema de Bap não é com a Leilas, Cristianes ou Renatas. O problema dele é com o que nós representamos, com o que trazemos para o esporte, com a forma como nos colocamos. Mulheres que abaixam a cabeça e apenas dizem "sim senhor" Bap deve tolerar. O que incomoda mesmo é quando a gente se impõe e fala de igual para igual. Aí já é demais. Voltem para os seus lugares. A questão, meu caro, é que não voltaremos a lugar algum porque nosso lugar é a gente que faz. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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