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Opinião Futebol Torcedor do São Paulo não é o vilão injusto na história de Roger Machado Gabriel Sá Do UOL, em São Paulo 22/04/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 A pergunta que mais li nas últimas horas foi a seguinte: qual a justificativa para a rejeição da torcida do São Paulo a Roger Machado? Colegas horrorizados e se perguntando o que justifica tamanha injustiça. E eu acho um exagero tornar o torcedor são-paulino o vilão injusto e desleal da história de Roger Machado. É preciso análise de contexto. Roger paga a conta de uma troca injustificável e de uma gestão sem credibilidade. Basta entender o contexto antes de colocar uma torcida inteira nesse papel. O torcedor do São Paulo simplesmente cansou. Para muitos, o papel de Roger é o de chancelar uma gestão que não respeita seus desejos. Os últimos meses foram tensos. O são-paulino não está acostumado, historicamente, a ver o clube mais associado a páginas policiais do que ao futebol. E justamente no único momento recente de possível paz e estabilidade, com uma mudança de gestão que trouxe algum respiro de esperança, o departamento de futebol decidiu assinar uma ruptura. Uma decisão que não dialoga com o sentimento da arquibancada e que, inevitavelmente, recai sobre quem está à beira do campo. José Fucs 'Bullying' da toga, governo: o arbítrio se institucionaliza Aline Sordili Brasileiro troca promessa de lucro pelos boletos Mônica Bergamo Evangélicos se mobilizam por Messias no STF Narrativas em Disputa Trump, o papa e a dissonância cristã Sabe por que Hernán Crespo, antigo treinador, era admirado pela torcida? Porque entendia o seu papel dentro de um processo maior. Crespo nunca vendeu atalhos. Pelo contrário, verbalizava que o São Paulo estava a muitos passos de retomar o protagonismo e que, com ele, daria apenas alguns na direção correta. Preparava terreno para o futuro, pensava no médio prazo. Não mentia ao são-paulino. O que se viu depois foi o oposto. Rui Costa, Rafinha e Massis optaram por 'encurtar' o caminho em busca de um resultado imediato, contrariando o que a torcida vinha assimilando como necessário: reconstrução com paciência. Em sua chegada no aeroporto, Roger falou em títulos. Na coletiva de apresentação, Rui Costa falou em resultados no curto prazo. É simples de entender. O incômodo não é com a figura de Roger Machado. Não há uma rejeição pessoal ou gratuita. O que existe é uma rejeição à troca, à quebra de processo, à promessa vazia. O torcedor do São Paulo reage ao que enxerga como mais um capítulo de decisões erráticas, não a um treinador específico. E esse torcedor simplesmente cansou de aplaudir e "apoiar pra ver no que dá". Se há um movimento desleal nessa história, ele não vem da arquibancada. Vem de quem toma decisões e se esconde. Há mais de 40 dias, Roger dá entrevistas, responde, se expõe. Apanha sozinho. Enquanto isso, quem deveria sustentá-lo permanece em silêncio. Talvez o maior erro seja justamente esse: transformar a reação de uma torcida cansada em vilania, quando, na verdade, ela é consequência direta de uma gestão sem credibilidade e que mais uma vez deu uma rasteira em seu torcedor. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora 'Metade da idade do meu pai': quem é a madrasta da Ana Paula Renault? Quanto Milena e Juliano ganharam pelo 2º e 3º lugar do BBB 26? Toffoli se diz impedido; STF tem 2 votos para manter ex-chefe do BRB preso Agro ignora Lula e convida Flávio para evento em MT em ano eleitoral Treino após os 50 anos: 6 erros que atrapalham emagrecimento e saúde