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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Botafogo: operação salva-vidas de Textor tem fundo comprador de endividados Pedro Lopes Colunista do UOL 29/01/2026 05h30 Deixe seu comentário John Textor, dono da SAF do Botafogo, antes de jogo contra o Corinthians Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Cada vez mais isolado em um Botafogo afundando na crise, John Textor prometeu aportes de R$ 264 milhões para reverter o transfer ban da Fifa e começar a sanar as finanças do clube. A coluna apurou que as injeções de capital são parte de uma complexa operação, em estágio inicial, na tentativa de reestabelecer a paz e resolver a briga pelo controle acionário da Eagle, empresa de Textor que é dona do alvinegro. O litígio é com a credora Ares, que emprestou 450 milhões de dólares a Textor para a compra do Lyon. O valor não foi pago, e a Ares afastou o norte-americano do Lyon e do controle da própria Eagle. Enquanto a briga se arrasta, o Botafogo acumula um passivo avaliado em R$ 1,5 bilhão, e Textor começa a ser contestado dentro da própria SAF e do clube social. É nesse contexto que Textor prometeu um aporte inicial de 20 milhões de dólares, usado principalmente para levantar o transfer ban (a origem é a dívida pela compra de Thiago Almada do Atlanta United), seguido de uma injeção, em um segundo momento, de mais 30 milhões dólares. O valor total, de 50 milhões de dólares, atingiria cerca de R$ 264 milhões. PVC Só faltam 42 pontos nas contas de Crespo Juca Kfouri Bahia vira, e Corinthians é o que pode ser Alicia Klein Estreia escancara problema sério do Palmeiras Josias de Souza Tarcísio entrará pequeno e sairá menor da Papudinha A coluna apurou que o investidor por trás dos possíveis aportes é a gestora de investimentos norte americana GDA Luma, liderada pelo investidor Gabriel de Alba. É uma empresa especializada nos chamados "distressed assets" - em português, ativos estressados ou ativos podres. Traduzindo, são especialistas em adquirir entidades em sérias dificuldades financeiras, mas de alto potencial, por valores abaixo do preço de mercado, e reestruturá-las. As condições dos aportes têm gerado preocupação no Botafogo. São pacotes agressivos, com juros altos, exigência de várias garantias e que amarram receitas futuras de venda de atletas. Isso acontece porque a ideia era de que esse aporte inicial fosse só o primeiro passo de uma operação muito maior e mais complexa. Ela envolveria a GDA Luma comprando a posição da Ares dentro da Eagle, e também ações de Textor. O ecossistema da Eagle, incluindo o Botafogo, passaria a ser controlado por um fundo criado pelos investidores, que traria de volta para o grupo o Lyon. Nessa operação, poderia haver uma negociação que mantivesse Textor na gestão do alvinegro. Tudo que é devido à Ares seria pago, e ela deixaria a operação. O fundo gerido pela GDA Luma controlaria e reestruturaria a Eagle, que incluiria Lyon e Botafogo. É uma negociação multilateral que poderia funcionar como o salva-vidas para Textor e Botafogo. A coluna tentou contato com o empresário algumas vezes nos últimos dias, mas não teve retorno. Caso ele decida dar sua versão, ela será publicada. Textor foi afastado do Lyon em junho de 2025. Os outros acionistas da Eagle, que incluem a Ares, tentaram afastá-lo também do Botafogo - ele é mantido no comando do clube por uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em outubro do ano passado. Hoje, existem três ações tramitando que discutem o controle da Eagle e do Botafogo. Continua após a publicidade O norte americano prometeu várias vezes que um acordo estava próximo, e disse, várias vezes, ter recursos para capitalizar o Botafogo - uma delas em entrevista a este mesmo colunista em outubro do ano passado. O acordo não saiu. A briga se aprofundou, e o clube vem sangrando financeiramente. No começo da disputa, Textor tinha amplo apoio no Botafogo, tanto na SAF quando no clube social. Essa sustentação está erodindo. Pessoas ligadas à SAF tem chamado os aportes de "agiotagem" em conversas privadas. O clube social apresentou petição à Justiça pedindo que a pessoa física de Textor seja incluída nos processos que discutem o controle sobre o clube. O Botafogo pede também o depósito, pela Eagle, de caução de pelo menos R$ 150 milhões. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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