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Esporte: Carla Matos é primeira mulher a assumir diretoria Guarani-MG Ela já fez história fora das quatro linhas. Desde 2024, um dos principais compromissos de Carla da Silva Matos Noronha tem sido o estádio do Guarani-MG. Mas não apenas como torcedora. Em 95 anos de história, o Bugre tem, pela primeira vez, uma mulher ocupando o cargo de diretora executiva — um marco que simboliza um novo momento na gestão do clube. Formada em Administração, Pedagogia e Direito, Carla construiu a carreira na área acadêmica e no desenvolvimento humano. Professora universitária, ela já trabalhava com formação e gestão de pessoas quando recebeu o convite para integrar a diretoria. — Eu já trabalhava com a parte de desenvolvimento humano das categorias de base e do profissional, por conta de uma parceria com uma universidade da cidade. Em 2025, veio o convite da SAF para assumir a diretoria executiva— contou. 1 de 2
Carla começou no clube com atendimentos psicológicos para atletas — Foto: Foto: Reprodução/TV Integração Carla começou no clube com atendimentos psicológicos para atletas — Foto: Foto: Reprodução/TV Integração Segundo ela, a experiência anterior ajudou a enxergar o clube para além dos resultados em campo. “Quando a gente fala de futebol, fala de pessoas. E pessoas precisam ser ouvidas, organizadas, direcionadas”, explicou. Ao aceitar o desafio, Carla sabia que pisaria em um ambiente historicamente masculino, mas viu ali a chance de imprimir uma gestão mais estratégica, organizada e integrada. — Nós tínhamos alguns impasses relacionados a dívidas. Conseguimos negociações com a Prefeitura, por exemplo. Conseguimos apoio por meio das leis de incentivo ao esporte, que devem começar no segundo semestre deste ano. São decisões que vão desde a pintura do estádio até a participação em um campeonato. Todas as ações passam pela minha auditoria — disse a diretora. Segundo o presidente do Guarani, Aléssio Salomé, a primeira diretora executiva do clube combina virtudes. — A Carla tem papel fundamental nessa reestruturação, que vai dos projetos sociais ao trabalho dela como psicóloga, apoiando os atletas, além de ser um elo entre o futebol e a diretoria. Todas as questões passam por ela — explicou. 2 de 2
De professora universitária a diretora-executiva de time de futebol — Foto: Foto: Reprodução/TV Integração De professora universitária a diretora-executiva de time de futebol — Foto: Foto: Reprodução/TV Integração Desafios em um ambiente predominantemente masculino O futebol ainda é um espaço em que a presença feminina na alta gestão é exceção. A trajetória de Carla reflete uma realidade maior do futebol brasileiro. Na elite do futebol brasileiro, um levantamento feito pelo ge com clubes da Série A apontou que apenas 1,7% das mulheres ocupam cargos de liderança. Somente dois times (Palmeiras e Coritiba) têm mulheres como presidentes. O levantamento indicou que a pequena presença feminina nos times de futebol está concentrada principalmente nos setores de apoio, como limpeza e refeitório (34,9%), ou nos setores de saúde e performance (25,3%) e administrativo (25,3%). Carla reconhece os obstáculos e valoriza o reconhecimento recebido no clube. — Eu me sinto confortável porque, desde que cheguei aqui, sempre fui muito bem recebida, tanto pela comissão de base quanto pelos atletas e pelas pessoas que trabalham diretamente comigo, como a SAF, a Associação e os meninos do dia a dia. Para mim, é um ambiente em que me sinto tranquila e pertencente — explicou. Crescer juntos Para Carla, o maior objetivo não é individual. É coletivo. “Eu desejo que cresçamos juntos”, afirma. A frase resume a filosofia de trabalho que ela tenta implementar no dia a dia: integração entre setores, diálogo constante e visão de longo prazo. O principal objetivo da temporada é recolocar o Guarani na elite do futebol mineiro. A estreia no Módulo II está marcada para o dia 31 de maio, contra o Boa Esporte, fora de casa. — Com o campeonato prestes a começar, a gente quer subir, claro. Mas subir é subir junto. Vamos crescer todos juntos, porque ninguém faz um trabalho sozinho. Eu não conseguiria se não tivesse uma equipe inteira por trás. É um time que caminha unido para alcançar um objetivo maior — concluiu a diretora.