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Opinião Esporte George Floyd, Minneapolis e o dever de reação do esporte Andrei Kampff Colunista do UOL 26/01/2026 09h08 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Minneapolis voltou ao centro do mundo - e também do esporte - por um motivo que ecoa diretamente 2020. A cidade onde o assassinato de George Floyd provocou um global sobre o racismo voltou a parar, agora em protestos contra a presença do ICE e a violência de agentes federais nas ruas, justamente no entorno da arena dos Timberwolves. Não por acaso, o impacto já alcança instituições esportivas e até o calendário da NBA. Quando uma cidade-sede de grandes franquias esportivas se transforma novamente em palco de tensão social, fica evidente que o esporte não é um território neutro: ele reage, absorve e reflete os conflitos mais profundos da sociedade que o abriga. Os protestos recentes, motivados por operações federais violentas e pela sensação de militarização do espaço urbano, mostram que as feridas expostas em 2020 nunca foram plenamente tratadas. A morte de George Floyd não foi um ponto fora da curva, mas um sintoma de um problema estrutural que insiste em se repetir, agora sob novas formas, novos agentes e a mesma sensação de impunidade. A resposta social volta a ser coletiva, barulhenta e politicamente relevante. Carlos Juliano Barros A marcha de Nikolas e a profecia de Haddad Milly Lacombe Copa Feminina no Brasil começa de forma vexatória Alexandre Borges Davos escreveu certo por linhas tortas Maria Ribeiro 'O Agente Secreto' e a força da nossa identidade O esporte como ponto de inflexão No livro Direitos Humanos e Esporte: como o Caso George Floyd mudou as regras do jogo , analiso como aquele episódio rompeu definitivamente a barreira artificial entre esporte e política. O assassinato de Floyd forçou ligas, clubes e federações a abandonarem a confortável ilusão da neutralidade. A NBA parou. Atletas protestaram. Regras internas foram revistas. O esporte, pressionado pela sociedade, foi obrigado a reagir. Essa reação não foi apenas simbólica. Nos últimos anos, as principais organizações esportivas globais assumiram compromissos formais com os direitos humanos. O Comite Olímpico Internacional incorporou o tema à Agenda Olímpica 2020+5, reconhecendo que a organização e a realização dos Jogos implicam responsabilidades que vão além da competição, envolvendo trabalhadores, comunidades locais, atletas e liberdade de expressão. No futebol, esse compromisso é ainda mais explícito. A FIFA dotou uma Política de Direitos Humanos alinhada aos Princípios Orientadores da ONU, reconhecendo que o futebol deve respeitar, proteger e promover direitos humanos em todas as suas atividades. Essa diretriz encontra fundamento direto no Art. 3º do Estatuto da FIFA , que estabelece o compromisso da entidade com o respeito a todos os direitos humanos internacionalmente reconhecidos e com a promoção de sua proteção no contexto do futebol. Isso inclui o dever de avaliar riscos, prevenir abusos e agir diante de violações, especialmente quando relacionadas a segurança pública, discriminação, repressão a protestos e uso desproporcional da força. Esses compromissos não são retóricos. Criam expectativas legítimas, parâmetros jurídicos objetivos e critérios claros para avaliar a atuação das entidades esportivas diante de crises sociais nos países-sede. Copa e Olimpíada sob holofote Continua após a publicidade Esse arcabouço torna o presente ainda mais delicado. Os Estados Unidos se preparam para sediar a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de 2028 enquanto convivem com cenas recorrentes de violência estatal, repressão a protestos e tensões raciais e migratórias profundas. Não se trata apenas de logística, segurança ou infraestrutura. Trata-se de coerência entre compromissos assumidos e realidade vivida. Megaeventos esportivos funcionam como vitrines morais. Projetam valores, narrativas e compromissos. Quando as ruas entram em ebulição e o esporte é diretamente afetado , com jogos adiados, arenas cercadas por manifestações e atletas pressionados a se posicionar, a mensagem é clara: não existe espetáculo esportivo blindado da realidade social que o cerca. O fim da neutralidade confortável O discurso de que esporte e política não se misturam já não se sustenta. Ele caiu em Minneapolis em 2020 e volta a ruir agora. Atletas, torcedores e instituições sabem que o silêncio também comunica. E comunica mal. Em um país que se apresenta ao mundo como anfitrião do esporte global, episódios recorrentes de violência institucional colocam em xeque não apenas políticas públicas, mas o próprio cumprimento das promessas feitas pelo sistema esportivo internacional. Minneapolis reaparece, assim, como símbolo. Não apenas de uma tragédia passada, mas de um alerta contínuo: enquanto direitos humanos forem tratados como tema secundário, o esporte seguirá sendo convocado — queira ou não — a responder. Não por militância ocasional, mas porque ele próprio assumiu esse compromisso. E compromissos, no direito e no esporte, existem para ser cobrados. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Continua após a publicidade Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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