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Reportagem Esporte Nova era da CBF: Fair Play exige comitê independente e técnico Gabriel Coccetrone Repórter 17/11/2025 08h24 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou, na última terça-feira (11), no Rio de Janeiro, a versão base do modelo de Fair Play Financeiro que será implantado no futebol brasileiro a partir de 2026. Para garantir a fiscalização e a aplicação das regras de sustentabilidade financeira, a entidade prevê a criação de um órgão independente. A expectativa é que esse órgão seja formado até o início de 2026, com a participação de profissionais do mercado. A estrutura deve seguir modelo semelhante ao da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), responsável por mediar conflitos do futebol brasileiro. Um projeto sempre falado, mas que nunca avançou no futebol brasileiro, ganhou forma com a nova gestão da entidade. Mas especialistas alertam sobre cuidados que implementação precisa ter. Josias de Souza Espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais vem aí Reinaldo Azevedo Debate sobre facções: vai triunfar a lei ou o crime? Casagrande Estêvão tem tudo para sair consagrado da Copa Milly Lacombe A justiça desportiva acha que somos estúpidos? O economista Cesar Grafietti ressalta que a criação de um órgão independente é essencial para dar credibilidade ao sistema. Ele afirma que, para que controles externos funcionem de fato, é necessário que haja decisões técnicas, fundamentadas nos regulamentos e tomadas de maneira célere. "Funciona assim na CNRD, por exemplo. No caso do sistema de sustentabilidade financeira é semelhante, pois o regulamento prevê controles e sanções quando as regras forem violadas", afirma. Grafietti lembra que esse modelo é prática consolidada no futebol europeu. "Na Europa a aplicação dos sistemas é feita dessa forma, como por exemplo na Uefa, que tem o CFCB (Club Financial Control Body), cujo presidente é um americano que mora nos Estados Unidos, e já teve um ex-primeiro ministro de Luxemburgo no comando. Na Premier League existe um painel independente composto por três pessoas que avaliam os casos de infração apontados pela liga", conta o economista. A advogada desportiva Ana Mizutori também entende que a independência técnica é peça-chave para o funcionamento do Fair Play Financeiro. Para ela, sem uma autoridade com autonomia real, o regulamento corre o risco de não sair do papel. "As principais ligas do mundo mostram isso. Na Inglaterra, o controle das 'Profit and Sustainability Rules' já resultou em punições reais e maior transparência", afirma a especialista. Continua após a publicidade Ana Mizutori destaca ainda o exemplo espanhol, considerado um dos mais rígidos e eficientes. Segundo ela, "o modelo da LaLiga, baseado em limites rigorosos de gastos e executado por um departamento tecnicamente autônomo, com auditorias prévias e anuais, ajudou a reduzir dívidas e profissionalizar a gestão". "Um órgão forte no Brasil poderá garantir sustentabilidade, equilíbrio competitivo e segurança jurídica para clubes, atletas e investidores", destaca a advogada. Andrei Kampff, advogado especializado em conformidade e colunista do Lei em Campo reforça que "o Fair Play Financeiro é mais do que um mecanismo econômico: é uma política de integridade. Ele protege o equilíbrio competitivo, estimula gestão responsável e afasta o improviso que historicamente fragiliza o nosso futebol." Mas Andrei destaca que a independência do comitê será decisiva para o sucesso do projeto: "para ser eficaz, é fundamental que a criação de um comitê independente, que é o coração do projeto. Sem autonomia técnica real, o FPF vira recomendação, não regra. Independência é o que transforma o regulamento em autoridade. É esse grau de distância institucional que dará legitimidade às decisões." De acordo com a CBF, o Fair Play Financeiro será implementado de forma gradual, permitindo que os clubes se adaptem às novas exigências. Em caso de descumprimento, estão previstas sanções como multas, proibição de contratar jogadores, perda de pontos e até rebaixamento, todas aplicadas de maneira escalonada. A entidade afirma ainda que o modelo apresentado se inspira nas práticas adotadas nas cinco maiores ligas do mundo — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França —, mas com adaptações à realidade financeira dos clubes brasileiros e às particularidades do futebol nacional. Há 10 anos, a CBF chegou a colocar em prática uma espécie de Fair Play Financeiro, que previa perda de pontos para clubes que atrasassem salários. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) era responsável por julgar as denúncias, mas as punições foram raras, apesar da continuidade das irregularidades. Continua após a publicidade Agora, o novo modelo é mais abrangente: inclui controle de endividamento público, pendências entre clubes, gestão de gastos, entre outros pontos. A expectativa é de que a execução seja mais eficiente, especialmente por integrar um "regulamento interno", com mecanismos próprios de controle e decisão. A versão final do Fair Play Financeiro será divulgada em 26 de novembro, durante o Summit CBF Academy. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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