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Futebol Corinthians é cobrado na Justiça por antecipar receitas para aliviar caixa Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo 24/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Neo Química Arena antes de Corinthians x Palmeiras, jogo da Copa do Brasil Imagem: PETER LEONE/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO O Corinthians entrou em um prazo judicial de 48 horas para comprovar pagamentos e apresentar informações detalhadas sobre credores no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (RCE). A exigência consta em relatório da Laspro Consultores, administradora judicial do processo, ao qual o UOL teve acesso. O documento foi entregue à Justiça de São Paulo nesta quarta-feira. Com isso, o prazo apontado no documento se encerra nesta sexta-feira. O relatório aponta que, ao longo de fevereiro, o clube recorreu a mais de R$ 70 milhões em antecipações de patrocínios para manter o fluxo de caixa , movimento que aliviou a pressão imediata, mas ampliou o endividamento bancário. Daniela Lima STF morde isca da direita e alimenta 'agenda ética' Casagrande A Fifa não liga para Estêvão e Yamal Josias de Souza Correios provam que inferno existe Ronilso Pacheco Resposta de Gilmar a Zema expõe preconceitos No documento, a Laspro pede que o Corinthians comprove os pagamentos referentes aos rateios dos meses de fevereiro e março. A administradora judicial também solicita que o clube apresente a relação detalhada de credores, com os respectivos dados bancários, para viabilizar os repasses previstos no plano. A administradora não antecipa penalidades caso o prazo não seja respeitado, mas ressalta que o atendimento às exigências é necessário para a regularidade do andamento do RCE , mecanismo que organiza o pagamento de dívidas em execução judicial. Clube usa antecipações para sustentar prazo Para manter o caixa em fevereiro, o Corinthians realizou duas operações de antecipação de receitas. A primeira foi junto à casa de apostas Esportes da Sorte, patrocinadora máster do clube, no valor de R$ 46,9 milhões. A segunda envolveu valores do contrato com a Nike, adiantados por meio de uma operação estruturada com o Banco Daycoval, no valor de R$ 23,75 milhões. Segundo a administradora judicial, os recursos ingressaram como operações financeiras, e não como receita do clube. Na prática, tratam-se de valores que estavam previstos para o futuro e que foram antecipados por instituições financeiras. O relatório destaca que as operações tiveram impacto direto sobre o endividamento. O saldo da conta "empréstimos" passou de R$ 361,4 milhões em janeiro para R$ 381,9 milhões em fevereiro. Continua após a publicidade A maior variação foi registrada na dívida com o Banco Daycoval, que subiu de R$ 111,3 milhões para R$ 132,1 milhões no período. A Laspro associa o aumento à contratação de novas operações financeiras para suporte do fluxo de caixa. A administradora aponta que esses recursos representam endividamento e deverão ser quitados ao longo do tempo , com uso de receitas futuras já comprometidas. Março é aceito sem comprovação documental O relatório também analisa a diferença de R$ 149,2 milhões entre a movimentação financeira total de fevereiro e a base usada para calcular o valor destinado ao RCE. Segundo a Laspro, a divergência está explicada pela exclusão de operações financeiras, transferências internas e entradas ligadas à negociação de atletas. A conclusão foi baseada na análise de extratos bancários, contratos, balancetes e demonstrativos contábeis. Com isso, a receita operacional considerada para fevereiro foi fixada em R$ 64,2 milhões, sobre a qual foi aplicado o percentual mínimo de 4% para pagamento aos credores. Para março, o relatório registra que a análise se baseou apenas nos números declarados pelo clube. A administradora judicial afirma que não foram apresentados, até o momento, extratos bancários, balancetes contábeis ou comprovantes de entradas e despesas. Continua após a publicidade A Laspro ressalta que essa limitação impede uma validação completa das informações. O documento indica que, caso dados futuros indiquem divergências, os valores poderão ser revistos e ajustados nos próximos rateios do RCE. Mesmo assim, foi considerado coerente, do ponto de vista matemático, o repasse de R$ 2,65 milhões ao regime, correspondente a 4% da receita mensal declarada. Venda de atletas gera obrigação no plano O relatório também aponta que valores recebidos com a venda de jogadores não entram na base da receita mensal usada no RCE. Ainda assim, o plano prevê que 20% desses recursos sejam destinados ao mecanismo de leilão reverso, voltado ao pagamento de credores. Em fevereiro, esse repasse obrigatório foi calculado em R$ 1,36 milhão. Em março, o valor indicado é de R$ 644,7 mil, conforme os dados analisados pela administradora judicial. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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