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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Mudar regras trabalhistas sem derrubar o patriarcado não resolverá nada Milly Lacombe Colunista do UOL 01/05/2026 10h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× manifestação feminismo feminista Imagem: Getty Images Dia internacional do trabalho. Dia em que a classe trabalhadora tem a chance de se enxergar como tal. Um dia que nasceu com luta e sangue. Australianas e australianos foram os primeiros a pensar em um dia especial para se reunirem e reivindicarem direitos. Seria um dia de greve e aconteceu em 21 de abril de 1856. Inspirados pelo movimento, em 1886, os trabalhadores estadunidenses marcaram o 1° de Maio como o dia de uma greve universal. Duzentos mil operários deixaram seus locais de trabalho para exigir a jornada de oito horas. A Europa, organizada por direitos trabalhistas dentro do comunismo e de organizações criadas por mulheres socialistas, como Inessa Armand, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin, atuou para fixar o primeiro de maio no calendário internacional. Curiosamente, os Estados Unidos negligenciam a data. Daniela Lima Bolsonarismo e centrão dão munição a contra-ataque José Fucs A rejeição de Messias 'lavou a alma' da oposição Milly Lacombe Delírio do Dinizismo nasceu para o Corinthians Mauro Cezar Arrascaeta ainda não está fora da Copa do Mundo Outra negligência sempre cometida é a de desconsiderar o trabalho realizado dentro dos lares. As socialistas do final do século 19 e começo do século 20 não cometeram esse erro e pautaram o trabalho doméstico. Mas os movimentos trabalhistas lentamente desconsideraram a agenda das feministas. Existe apenas um lugar onde o trabalho não para, não é remunerado, não tem intervalos e nem reconhecimento. É esse executado por mulheres dentro dos lares. O trabalho de cuidar de uma casa e de uma família. Os debates sobre o fim da escala 6 x 1 já nascem falhos ao não olharem para essa dimensão laboral. Quem exatamente está descansando nesse "1" da escala? Uma trabalhadora não descansa jamais. Assim como não descansará se a escala mudar para 5 x 2 ou 4 x 3. Ela seguirá trabalhando em sua casa, para seu marido e filhos. Mudar as regras capitalistas sem mudar as patriarcais não nos levará a lugar algum. Já houve experiências que mudaram essas regras e preservaram o patriarcado e sabemos como elas acabaram. Derrube-se o patriarcado, e o patronato vem junto. Feliz dia do trabalhador e da trabalhadora. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora F1 estuda mudar horário do GP para driblar a chuva forte no GP de Miami Ato da direita reúne 47 pessoas na Paulista: 'Carregamos país nas costas' Cirurgia de Bolsonaro no ombro ocorreu sem intercorrências, diz boletim Assessor é exonerado após interromper fala de deputado na TV com palavrão Adolescentes são apreendidos por estupro coletivo de duas crianças em SP