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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Dia das bruxas e feminismo: qual a relação entre eles? Milly Lacombe Colunista do UOL 31/10/2025 15h39 Deixe seu comentário Cena do filme 'As Bruxas de Salem', de 1996 Imagem: Reprodução Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Somos todas netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar. Essa é uma frase eternizada por movimentos feministas latino-americanos visando recuperar o simbolismo das bruxas e transformar a figura em um arquétipo de poder, substituindo o da maldade. Durante a Idade Média, como aprendemos na escola, houve o evento conhecido como "caça às bruxas". Nele, mulheres possuídas pelo mal teriam sido queimadas em fogueiras públicas em nome do bem da comunidade. Reduzir o assassinato de milhões de mulheres a uma fábula é tentativa de diminuir sua relevância histórica. Não foram bruxas que foram queimadas; foram mulheres. Não existiu uma caça às bruxas mas sim uma caça a mulheres. A Igreja promoveu um genocídio que matou não apenas corpos, mas também saberes, culturas e comportamentos. Do mesmo jeito que o Brasil não foi descoberto, mas invadido e ocupado, não existiu uma caçada às bruxas, mas sim o extermínio de um gênero. Wálter Maierovitch O populismo por trás do termo 'narcoterrorismo' Reinaldo Azevedo Governadores exaltam necropolítica Juca Kfouri Se a vida fosse justa para Flamengo e Palmeiras Milly Lacombe Saberemos apreender as lições deste Palmeiras? Disputar o conceito da imagem da bruxa é central para o feminismo. Hollywood tenta reafirmar a imagem da bruxa como uma velha maléfica e repugnante justamente enquanto o feminismo batalha por mostrar que somos todas bruxas capazes de mudar o mundo e destruir desigualdades. Ser bruxa é estar possuída por saberes, quereres, desejos, vontades, sonhos, atitudes. "Por tempo demais a história da caça às bruxas foi apagada. Por tempo demais ela foi transformada em lenda a ponto de muitas pessoas hoje não saberem que, de fato, as mulheres foram acusadas de serem bruxas", disse a pesquisadora Silvia Federici em 2019 durante visita à editora Boitempo. "A bruxa aparece como um personagem lendário, imaginário. Não é. Houve mulheres que de fato foram presas, perseguidas e mortas. Precisamos saber dessa história, que sempre foi apagada, que só foi estudada por alguns poucos especialistas e que boa parte das pessoas sequer conhece. Precisamos saber disso porque é importante para entendermos o que está acontecendo no presente. Temos que lutar para garantir que não sejamos queimadas de novo. Violentaram brutalmente essas mulheres e tentaram sufocar essa luta, mas continuamos aqui". O livro "O Calibã e a Bruxa", de Federici, conta essa história de apagamento e silenciamento. Para quem quiser começar a se aprofundar, é leitura inicial obrigatória. Aproveite o dia das Bruxas para se lançar nessa aventura de redescobrimento da memória roubada. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Bicampeã olímpica de vôlei deixa a 'aposentadoria' e assina com o Pinheiros Lista dos mortos no Complexo do Alemão e Penha: veja os nomes já divulgados Nenhum dos mortos identificados consta em denúncia que baseou ação no Rio Três tragédias marcaram a vida de Allan antes de destaque no Palmeiras Se a vida fosse justa para Flamengo e Palmeiras