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Opinião Esporte Em Davos, o outdoor do rompimento da FIFA com a neutralidade esportiva Andrei Kampff Colunista do UOL 23/01/2026 10h52 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A declaração do presidente da FIFA , Gianni Infantino , em Davos, afirmando haver "apoio total" da entidade ao presidente Donald Trump , não é um gesto retórico qualquer. Ela funciona como um verdadeiro outdoor do rompimento da FIFA com a neutralidade esportiva, um princípio que a própria entidade exige de atletas, clubes e federações, mas que agora relativiza quando parte da sua cúpula dirigente. Por mais utópico que neutralidade seja, ela é um guia importante dentro de um esporte que é global. O problema não está em o esporte defender a paz. Esse é, aliás, um compromisso formal. O Estatuto da FIFA, em seu artigo 3º, estabelece de forma expressa o dever de promoção dos direitos humanos e da paz. O ponto crítico é outro: ao associar esse discurso a um apoio explícito a um líder político específico, a FIFA abandona o terreno institucional dos valores universais e entra no campo da conveniência política. Neutralidade esportiva não é neutralidade moral A Hora Caso Master fica grande demais para ser abafado José Fucs O Master e a guinada de 'isentões' e centro-esquerda Josias de Souza Fachin veste carapuça de Toffoli no STF Marco Antonio Sabino Nunes entendeu: candidato a governador é Tarcísio Esse movimento é perigoso, antes de tudo, por uma confusão conceitual. O esporte não é - e nunca foi, nem pode ser - neutro diante de violações de direitos humanos. A neutralidade absoluta, nesse campo, seria cumplicidade. O que se exige do sistema esportivo é neutralidade institucional , não neutralidade moral. É exatamente essa distinção que permite ao esporte agir contra o racismo, a discriminação, a violência e outras violações, sem se tornar instrumento de governos ou líderes específicos. Quando a FIFA transforma um compromisso universal em alinhamento político, ela rompe essa fronteira. E o faz de forma pública, simbólica e difícil de ser desmentida depois. Autonomia não é salvo-conduto para o arbítrio Como sustento no livro Direitos Humanos e Esporte , a autonomia desportiva não é um salvo-conduto para o arbítrio. Ela existe para proteger o esporte de ingerências indevidas, não para legitimar a sua instrumentalização política por quem o governa. Quando a cúpula do futebol escolhe um lado, enfraquece justamente o argumento que sempre utilizou para se defender de pressões externas: o de que o esporte deve permanecer protegido das disputas de poder. A contradição é evidente e perigosa. Continua após a publicidade A fragilização da Lex Sportiva Há também um impacto direto sobre a chamada Lex Sportiva , esse conjunto de normas, princípios e práticas que sustenta a governança global do esporte. A força da Lex Sportiva não está apenas nos seus regulamentos, mas na coerência com que eles são aplicados. Quando essa coerência se rompe, perde-se legitimidade normativa. E, sem legitimidade, sobra apenas o poder formal, sempre mais frágil e contestável. Como exigir "território neutro" dos atletas em campo, se a liderança máxima da entidade abandona essa neutralidade fora dele? Como punir manifestações políticas seletivamente, quando a própria FIFA passa a atuar politicamente em palcos globais? Governança seletiva e perda de legitimidade O risco é claro: cria-se uma governança seletiva, na qual a neutralidade é exigida dos mais fracos, enquanto os mais poderosos se permitem exceções. Continua após a publicidade Esse desequilíbrio corrói a autoridade institucional da FIFA e alimenta acusações de hipocrisia. Mais do que isso: abre espaço para a contestação jurídica e política das próprias sanções aplicadas com base na ideia de neutralidade. Entre o silêncio e o alinhamento, há um caminho institucional O esporte não pode se calar diante de violações de direitos humanos. Mas também não pode ser capturado por projetos de poder estatal, lideranças circunstanciais ou agendas políticas conjunturais. Entre o silêncio cúmplice e o alinhamento explícito, existe um caminho institucional: o da coerência normativa, da governança técnica e do compromisso universal com a dignidade humana. A paz e os direitos humanos não podem ser slogans de ocasião. Precisam ser fundamentos permanentes de gestão, com critérios claros, aplicação isonômica e consequências reais. Se a FIFA abdica dessa coerência, corre um risco alto: perder a legitimidade para exigir neutralidade, autonomia e disciplina de todo o sistema que governa. E, nesse cenário, não será a política que invadirá o esporte. Será o próprio esporte que terá aberto a porta. Continua após a publicidade Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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