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Sem se manifestar no RCE (Regime de Centralização de Execuções) há alguns meses, enquanto credores, perito e Ministério Público fecham o cerco contra os calotes recentes do clube, que se acumulam, o Corinthians teve suas contas bloqueadas pela Justiça.
A informação foi dada pelo próprio clube, em petição enviada na semana passada, em um processo movido pela Pixbet, que cobra quase R$ 40 milhões.
No documento, ao qual a ESPN teve acesso, o Corinthians diz ao tribunal que "tomou ciência, de sucessivos bloqueios judiciais incidentes sobre sua conta bancária mantida junto ao Banco Bradesco" . Segundo extrato anexado pelo clube, teriam sido bloeuqados R$ 291.670,53. Procurado pelo clube, o Bradesco confirmou as penhoras e disse que seriam de uma ação movida pela ex-patrocinadora.
Porém, o Corinthians está, atualmente, com seu RCE em vigor, o que deveria impedir o clube de sofrer bloqueios e restrições, desde o dia 5 de dezembro de 2024. Os advogados do time alvinegro lembraram esse fato ao tribunal.
O Corinthians disse que os bloqueios em suas contas atrapalhavam o pagamento de seus funcionários.
"O bloqueio de valores, além de ilegal, ocasiona grave prejuízo ao executado, clube esportivo de relevante função social, cujas contas bancárias são imprescindíveis para o regular funcionamento de suas atividades e para o cumprimento das obrigações assumidas no plano. A manutenção do bloqueio compromete diretamente o pagamento de funcionários, fornecedores e despesas operacionais essenciais, inviabilizando a continuidade das atividades do clube" , apontou a defesa do Timão.
Em resposta, o Judiciário disse que não encontrou ordens recentes de bloqueio das contas do clube no processo, e sim decisão que deferiu a remessa de valores penhorados para conta-judicial à disposição do juízo centralizador responsável pelo processamento do RCE. O juiz pediu que isso seja verificado pela serventia.
O Corinthians corre o risco de perder o plano de pagamento aprovado pela Justiça no Regime Centralizado de Execuções (RCE). No último dia 20, o Ministério Público de São Paulo pediu que a Justiça dê um prazo de 15 dias para que o clube regularize os pagamentos atrasados para os credores que fazem parte do acordo.
Além de convocar a Administradora Judicial a se manifestar, o promotor Roberto Victor Anelli Bodini cobrou que o clube paulista comprove em duas semanas o depósito e o pagamento integral dos valores pendentes dos rateios referentes a julho (R$ 2.499.657,51) e agosto (R$7.641.299,28), totalizando R$ 10.140.956,79, “ sob pena de revogação do benefício de suspensão das execuções individuais e retomada dos atos expropriatórios” .
Na semana passada, o Ministério Público voltou a se manifestar no RCE (Regime de Centralização de Execuções), reiterou os pedidos anteriores, como a comprovação de cerca de R$ 60 milhões destinados à Caixa Econômica Federal, FIDC Daycoval e da Nike, além de esclarecer os calotes nos pagamentos da CNRD.
O MP quer que o clube seja intimado para se manifestar sobre "os compromissos perante a CNRD, diante das notícias de inadimplemento e de sanções desportivas perante a Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF, viável a intimação do Clube devedor para esclarecer documentalmente a situação do plano vigente na CNRD e informar a existência de eventuais receitas constritas ou comprometidas" .
A ESPN vem mostrando diversos problemas do Corinthians em seu RCE. Em outubro, o empresário Carlos Leite, por meio da empresa a RC Consultoria, apontou que o Corinthians deixou de pagar 42% de seu rateio do mês de agosto e ainda 100% do que deveria ter sido embolsado em setembro. A empresa classificou o ocorrido como "graves irregularidades" .
A petição de Carlos Leite vem logo depois de outros credores denunciarem falta de pagamento do Corinthians no âmbito do RCE. Também reclamaram ausência de pagamentos ou comprovantes o empresário André Cury, o time paulista Nacional, a ex-patrocinadora Pix Star e o advogado Nelson Wilians. Tudo isso enquanto o perito responsável por fiscalizar o processo deu prazo para o Timão comprovar o destino de mais de R$ 10 milhões.
No início do mês passado, em uma manifestação de 63 páginas, o perito responsável por administrar o RCE enviou uma série de questionamentos e cobranças ao Corinthians na Justiça, dando o prazo de 15 dias para a manifestação do clube.
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