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Opinião Esporte 10/12 - Dia dos Direitos Humanos: o esporte precisa lembrar seu compromisso Andrei Kampff Colunista do UOL 10/12/2025 10h34 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O Dia Mundial dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, marca a adoção da Declaração Universal pela ONU em 1948. É uma data criada para lembrar o óbvio: dignidade não é concessão; é fundamento. E, mesmo assim, ela retorna todos os anos para mostrar que ainda tropeçamos no básico. O esporte - fenômeno cultural global capaz de projetar valores e influenciar políticas - não está à margem desse debate. Ao contrário: tornou-se vitrine e espelho das tensões do nosso tempo. Organizações como Human Rights Watch, Sport & Rights Alliance e FairSquare vêm cobrando, com razão, transparência e coerência das grandes entidades esportivas. Se o esporte se apresenta como agente de transformação, precisa sustentar seu discurso com práticas consistentes. Por isso o episódio da última semana soou como um gol contra da FIFA. A entrega do chamado "Prêmio da Paz", sem critérios divulgados, lista de indicados ou qualquer detalhamento técnico, contradisse o próprio discurso institucional da entidade. A FairSquare apresentou queixa formal acusando seu presidente de violar o princípio da neutralidade e pedindo explicações sobre um processo que nasceu opaco. HRW e SRA querem respostas para o que ninguém conseguiu entender: quais critérios foram usados? Quais riscos foram avaliados? Quem participou da decisão? Como a entidade pretende proteger trabalhadores, jornalistas, migrantes, crianças e minorias em ambientes politicamente sensíveis? Amanda Klein Candidatura de Flávio é para valer (por ora) Reinaldo Azevedo Câmara passa a mão na cabeça de criminosos Marco Antonio Sabino Tarcísio de Freitas não tem chefe, tem caráter Aline Sordili Fox News mira a América Latina e busca mais poder O desconforto é maior porque o esporte tem compromissos jurídicos e institucionais claros com direitos humanos. O Estatuto da FIFA, no artigo 3º, estabelece que a entidade "se compromete a respeitar e proteger os direitos humanos reconhecidos internacionalmente". A Carta Olímpica - espécie de Constituição do movimento olímpico - traz o Princípio Fundamental 4, onde reafirma a missão de promover "uma sociedade pacífica, preocupada com a preservação da dignidade humana". Além disso, regulamentos internos, códigos de ética e políticas de integridade vinculam entidades a esses compromissos. E há algo mais profundo: apesar da autonomia, o esporte não se afasta do Direito. Ele está vinculado a direitos universais protegidos em diferentes esferas normativas. Esse cenário fica ainda mais evidente quando observamos o avanço da justiça desportiva internacional . O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS/CAS), historicamente defensor da autonomia esportiva, já incorporou parâmetros internacionais de direitos humanos em decisões recentes. O caso Semenya e julgamentos envolvendo atletas trans revelam uma tendência clara: a lex sportiva não se sustenta sem dialogar com tratados e princípios fundamentais. Ou seja, enquanto tribunais ampliam proteção e responsabilidade, algumas entidades dirigentes parecem caminhar na direção oposta. Nos últimos anos, o próprio movimento esportivo havia avançado na direção da transparência. A FIFA e o COI passaram a exigir avaliações de direitos humanos como critério obrigatório na escolha de sedes de grandes eventos. Candidaturas precisam apresentar mapeamento de riscos, planos de mitigação e compromissos de proteção de pessoas vulneráveis. A escolha da Copa do Mundo Feminina de 2027 seguiu essas diretrizes, assim como a preparação da Olimpíada de Paris, mostrando que governança, ESG e responsabilidade social já fazem parte do núcleo do esporte global. Quando uma entidade que assume esse papel se afasta dele, perde-se credibilidade, e perde o esporte. A sustentabilidade institucional depende de coerência: alinhar autonomia, governança e respeito aos direitos humanos. No dia em que o mundo relembra a Declaração Universal, o recado é direto: não há futuro para o esporte global sem transparência, accountability e compromisso real com a dignidade humana . Dirigentes, atletas, federações e torcedores fazem parte desse jogo. Mais do que celebrar, é preciso cobrar. Direitos humanos não são slogan; são obrigação. E o movimento internacional mostra que a curva é irreversível: tribunais, governos e organizações já empurram o esporte para um novo padrão de responsabilidade. Basta entender que esporte e direitos humanos andam juntos, sempre. Continua após a publicidade Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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