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Reportagem Esporte A conta chegou: clubes sem governança estão no limite da crise Gabriel Coccetrone Repórter 20/10/2025 09h57 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A denúncia do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez , pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposto uso indevido de cartões corporativos do clube reacendeu um debate fundamental: até que ponto o futebol brasileiro está preparado para lidar com integridade, transparência e responsabilidade na gestão? Segundo a CNN Brasil, o ex-dirigente é acusado de utilizar recursos do clube para despesas pessoais, sem comprovação adequada. O caso se soma a uma série de episódios que escancaram as fragilidades de governança no esporte brasileiro — e a ausência de mecanismos efetivos de controle interno. Especialistas ouvidos pelo Lei em Campo apontam que o problema é estrutural. Durante décadas, clubes e federações se apoiaram mais em relações pessoais do que em processos institucionais. A falta de compliance, auditoria e transparência abriram brechas para abusos administrativos e financeiros. Daniela Lima Lula comete contradição brutal antes da COP30 Josias de Souza As urucubacas para Trump antes da agenda com Lula TixaNews No jogo do poder, quem levou foi Alcolumbre Casagrande Arbitragens e simulações estão estragando o futebol "Casos escancaram a urgência de se tratar o esporte de maneira profissional. Um projeto de conformidade não é mais apenas uma questão moral, legal e oportunidade de captar recursos, é também sobrevivência", afirma Andrei Kampff , advogado, jornalista e colunista do UOL. Kampff destaca que a adoção de programas de integridade e governança é hoje requisito básico para qualquer instituição esportiva que queira atrair investidores e patrocinadores. Roberta Codignoto, advogada especializada em compliance, ressalta a importância da governança e compliance para qualquer clube e empresa. "Governança e compliance não são — e não deveriam ser — apenas discursos bonitos repetidos em eventos pelo País. São instrumentos essenciais para proteger as entidades esportivas de desvios de finalidade e do uso indevido de seus recursos, algo que infelizmente ainda observamos em diversos episódios recentes", acrescenta. O caso do Internacional é frequentemente citado como um ponto de virada. O clube gaúcho enfrentou sérias falhas de governança no passado, mas reagiu dentro do próprio movimento esportivo. O Conselho Deliberativo instaurou uma investigação interna, afastou dirigentes, produziu relatórios técnicos e entregou documentos ao Ministério Público. O resultado foi a condenação à prisão de ex-dirigentes por gestão temerária e desvio de recursos. Para especialistas, a postura do Inter representou um marco: uma reação institucional que partiu de dentro do esporte, sem imposição externa. O clube que aplicou seus próprios mecanismos de integridade e colaborou com as autoridades. É exatamente isso que um programa de compliance deve fazer: prevenir e corrigir desvios antes que o sistema entre em colapso. Continua após a publicidade "A adoção efetiva desses mecanismos vai muito além de boas práticas: representa um compromisso institucional com a ética, a transparência e a responsabilidade na gestão. Um programa de compliance bem estruturado auxilia dirigentes na tomada de decisões, na análise de riscos e na prevenção de conflitos de interesses, além de fortalecer a confiança da sociedade na organização. Se avançarmos para um programa de integridade então, temos um potencial ainda maior, com uma agenda de direitos humanos e temas sociais e ambientais", conta Roberta Codignoto. Outro caso emblemático é o do Cruzeiro , que viveu um colapso administrativo com graves denúncias de irregularidades na gestão de ex-dirigentes como Wagner Pires de Sá e Itair Machado, ambos réus em processos criminais. A falta de controles internos levou o clube à beira da insolvência — e sua recuperação só começou quando passou a adotar práticas mais rígidas de governança e auditoria. Situação semelhante ocorreu no Sport Recife , que também enfrentou questionamentos sobre irregularidades administrativas e descontrole financeiro. Em todos os casos, a ausência de mecanismos institucionais de integridade gerou prejuízos econômicos e morais. "Um programa de compliance bem estruturado - com políticas claras de uso de recursos, regras de conflito de interesses, canais de denúncia e auditorias independentes - é o que protege o clube, dirigentes e torcedores", completa Kampff. Por fim, a advogada Roberta Codignoto reforça que é urgente avançar nessa agenda — não apenas por convicção, mas por necessidade. "O esporte brasileiro precisa evoluir para uma governança mais profissional, transparente e responsável. E talvez seja o momento de discutir seriamente a obrigatoriedade de programas de compliance nas organizações esportivas, tema que já vem sendo amadurecido entre os profissionais da área", acrescenta a especialista. Continua após a publicidade A Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023) estabelece princípios de governança e integridade como dever das entidades esportivas, reforçando a responsabilidade dos gestores e o dever de transparência no uso de recursos. Para os especialistas, porém, a mudança mais importante é cultural: o esporte precisa se enxergar como instituição e não como patrimônio pessoal de dirigentes. No fim das contas, os casos de Corinthians, Cruzeiro, Sport e Internacional deixam uma mesma lição: sem governança, não há futuro. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora No jogo do poder, quem levou foi Alcolumbre Rayan decide, e Vasco vence Fluminense no ritmo de 'olé' no Maracanã Máximo respeito ao Vasco de Fernando Diniz Lula indicará Messias para o Supremo amanhã antes de viagem à Ásia Crossfiteira que salvou família de incêndio no PR tem 63% do corpo queimado