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Análise dos Times

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New York Times Ross Douthat Helen Andrews Leah Libresco Sargeant

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Artigo do New York Times provoca fúria e revolta por machismo e misoginia Milly Lacombe Colunista do UOL 11/11/2025 12h11 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Prédio do jornal The New York Times, em Nova York O New York Times achou que seria apropriado lançar aos ventos a questão: as mulheres arruinaram o mercado de trabalho? Para responder a essa pergunta-ofensa, o apresentador do podcast " Interesting Times ", Ross Douthat, chamou duas mulheres conservadoras ( surprise, surprise ) e, durante mais de uma hora, o que ouvimos foi uma discussão que vai da galhofa acidental à burrice ancestral. Duas mulheres, Helen Andrews e Leah Libresco Sargeant, mediadas por um homem, Douthat: esteticamente o programa já começa oferecendo algumas respostas à pergunta-título. O toró de críticas recebidas pelo jornal, e feitas por leitoras e cidadãs, fez o título mudar de "As mulheres arruinaram o ambiente de trabalho?" Para "O feminismo progressista arruinou o mercado de trabalho?". O segundo título dado, na língua original, lia: " Did liberal feminismo ruin the work place?" , mas uma tradução simples para "feminismo liberal" não funciona porque para nós, brasileiras e brasileiros, liberal tem outro sentido. Então, livremente, usei "progressista". Reinaldo Azevedo Derrite e a 'versão 2.0' da PEC da Bandidagem Wálter Maierovitch Bolsonaro segue rota contrária à de Sarkozy Ana Carolina Amaral ONG alemã usa chocolate para pedir verba ao TFFF Jamil Chade Governo prevê sanção se igualar facção a terrorismo De imediato, os três se lançam à falsa premissa de que o feminismo diz que mulheres e homens são iguais. O feminismo nunca alegou isso. O que a teoria feminista alega é que deveríamos construir uma sociedade que oferecesse oportunidades iguais para homens e mulheres, desde o julgamento sobre nossos corpos e aparências até trabalho e coisificações que levam a violências como abusos, assédios, silenciamentos, estupros e assassinatos. Reduzir uma teoria que está sendo formulada há séculos a "homens e mulheres são iguais" é partir de uma premissa desonesta ou ignorante ou ambas. Basicamente, o que debatedoras e mediador fizeram foi uma cerimônia masturbatória. O resumo desse acidente medonho do jornalismo estadunidense: com mais mulheres, o ambiente de trabalho ficou mais emotivo e menos racional. Para o mediador, era bem mais legal antes, pessoal. Antes, os homens podiam ser mais livres, fazer mais piadas, fumar seus charutos, praticar comentários sem ser julgados, sabe? Daí vocês, mulheres, chegaram com seus vícios, tipo essa chateação por salários iguais, o fim do flerte etc, e tudo ficou mais chato. Nossos vícios: não aceitar abusos, não aceitar interrupções, não aceitar pagamento menor para uma mesma função, não aceitar estupros, não aceitar sermos demitidas porque engravidamos. Para as debatedoras, mulheres reagem emotivamente a críticas e isso afeta a produtividade. Nós reagimos emotivamente a críticas, mas são os homens que praticam 95% das violências no mundo. Tentar seguir colando o selo de descontroladas em mulheres é tarefa ingrata porque as evidências são muito claras de que nunca foi assim. Continua após a publicidade Outra pergunta feita foi: o feminismo conservador pode consertar esse cenário? Primeiro: não existe feminismo conservador. Feminismo conservador é um oxímoro. Como "cópia original": as palavras e cancelam. Para o mediador, o feminismo está engessando os homens no ambiente de trabalho. Engessando: não pode mais comentar sobre o corpo da colega, não pode colocar a mão na coxa da colega, não pode comentar a maquiagem da colega. Para os três protagonistas dessa tragicomédia do jornalismo privado, existe um equivalente para masculinidade tóxica que é feminilidade tóxica. O que seria isso? As debatedoras tinham uma resposta. Fofocar e ser muito emotiva. Fofocar, Brasil. É o que fazemos no trabalho: fofocamos. Quem se identifica? Sobre masculinidade tóxica eles não falaram, mas a gente fala: assediar, abusar, silenciar, matar, estuprar, sugerir que somos loucas de forma manipulada, sumir, não fazer tarefas domésticas e eu poderia seguir, mas vou parar porque ficamos com os selos de fofoqueiras e descontroladas. O jornal está sendo ridicularizado desde a publicação do debate. A marca, ainda tradicional e sinônimo de respeitabilidade, foi abalada e perdeu parte de seu capital simbólico. O serviço de assinaturas sentiu o golpe e as debatedoras e o apresentador estão sob uma chuva de críticas. Obviamente, elas mais do que ele. Nem toda mulher é feminista, mas todas são vítimas do machismo. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Brasileira morre após agressão de homem sem teto na Argentina, diz família Avião militar turco com 20 pessoas a bordo cai na Geórgia Total esquecido em bancos e instituições financeiras cai para R$ 9,7 bi Inflação perde força e registra menor taxa para outubro em 27 anos Ex-atriz de 'Smallville' se casa com ex-neonazista, diz revista