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Reportagem Esporte Copa 2026: FIFA entre o discurso e a prática dos direitos humanos Andrei Kampff Colunista do UOL 03/11/2025 22h32 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história. Serão 48 seleções, 16 cidades-sede em três países - Estados Unidos, México e Canadá - a promessa de que será "a Copa mais inclusiva de todos os tempos" . Mas o evento nos Estados Unidos promete colocar a Fifa em um grande desafio. No papel, a FIFA parece preparada para isso. Seu Estatuto estabelece, no artigo 3º, que a entidade está "comprometida com o respeito a todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente". Desde 2017, existe uma Política de Direitos Humanos, elaborada com base nos Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos , que determina obrigações de prevenção, reparação e transparência. E há pouco, anunciou com entusiasmo um acordo global com a Building and Wood Workers' International (BWI) ampliou o compromisso da FIFA com a proteção de trabalhadores em obras e eventos ligados à entidade. O pacto prevê inspeções conjuntas, planos corretivos e relatórios públicos até 2030. Juca Kfouri O maior acerto e os erros de Ancelotti Josias de Souza Falta a Brasília surto de ridículo Alvaro Costa e Silva Castro põe batata quente nas mãos de Lula Joel Pinheiro da Fonseca A guerra contra o crime não é uma metáfora É um passo importante. Mas também revela o tamanho do desafio. A distância entre compromisso e realidade O problema não é a ausência de regras , mas a distância entre o discurso institucional e a prática cotidiana. A cada novo torneio, as promessas de inclusão e respeito aos direitos humanos se repetem. Mas os riscos permanecem: trabalhadores explorados, torcedores discriminados, barreiras migratórias, falta de transparência . Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Amnesty International, já alertaram: a FIFA continua falhando na aplicação uniforme de seus próprios critérios de direitos humanos. Em outras palavras: o sistema existe, mas a coerência ainda não . A Copa de 2026 será um teste. As políticas migratórias dos Estados Unidos, as barreiras de visto e o histórico de discriminação contra torcedores trans e não binários colocam em xeque a promessa de inclusão. Ao mesmo tempo, a escala inédita do evento , com múltiplas jurisdições e cadeias de suprimento globais , aumenta o risco de violações trabalhistas e de impactos sociais difíceis de monitorar. O que o direito e a governança podem ensinar ao futebol Continua após a publicidade O esporte é um reflexo da sociedade e também de suas contradições. A FIFA incorporou a linguagem dos direitos humanos, mas ainda não transformou essa linguagem em cultura. Como lembra a pesquisadora Daniela Heerdt, do Asser Institute, "respeitar direitos humanos é diferente de protegê-los ativamente". A entidade já aprendeu a "respeitar". Falta "proteger" de fato. O desafio é de governança : criar mecanismos que tornem o compromisso verificável, auditável e sancionável. Relatórios de impacto transparentes precisam ser públicos e detalhados. Os processos de licitação e escolha de sedes precisam envolver participação de sindicatos, de federações, de entidades globais de direitos humanos. Ela precisa ser plural. E as sanções por descumprimento precisam deixar de ser simbólicas para se tornarem parte do jogo. Entre o marketing e a integridade A FIFA vive um dilema que é comum às grandes organizações: a tensão entre reputação e integridade. Avançar em direitos humanos não é apenas "fazer o certo", é preservar a legitimidade do esporte . Depois do FifaGate , o futebol aprendeu que o problema não está apenas nas más decisões, mas na falta de mecanismos de controle que as evitem. Por isso, não basta assinar acordos e publicar políticas. É preciso garantir que cada contrato, cada obra e cada evento estejam submetidos aos mesmos padrões éticos e legais que a entidade prega em seus discursos. Continua após a publicidade A Copa de 2026 será uma vitrine. Se a FIFA quiser que o mundo acredite que o futebol pode ser, de fato, uma força para o bem, precisará provar - em campo e fora dele - que integridade não é apenas uma palavra perdida no Estatuto. É uma escolha diaria e um dever institucional inegociável. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Juiz manda X apagar post de Nikolas que fala em 'Partido dos Traficantes' Bianca Andrade é condenada a indenizar ex-empresário após disputa de 3 anos Rio: Arsenal do CV tinha armas do Exército do Brasil e de 3 países vizinhos Galisteu: 'Nem família de Senna é capaz de contar história dele como homem' Daniela Lima: Operação policial no Rio coloca Supremo em posição incômoda